Jovem Guarda e beatlemania no Rio Grande do Sul
por Rogério Ratner
O surgimento do rock’n roll no final dos anos 50 nos EUA, e, especialmente, dos Beatles e da “British Invasionâ€, no inÃcio e ao longo dos anos 60, provocou um grande impacto na cena musical de Porto Alegre. A exemplo do que estava ocorrendo no restante do paÃs, começaram a surgir pelo Rio Grande do Sul afora inúmeros conjuntos musicais jovens (denominação então adotada para identificar as bandas de rock) que, aproveitando o circuito dos bailes e reuniões dançantes formado por clubes sociais e desportivos, grêmios estudantis, centros acadêmicos, salões paroquiais, etc., que já estava consolidado em face do trabalho desenvolvido pelas orquestras e, especialmente, pelos conjuntos melódicos dos anos 50, encontraram ali terreno fértil para a sua projeção, desenvolvimento e consolidação. Estas bandas de rock, formadas em muitos casos por adolescentes ou jovens com idades aproximadas - para mais ou para menos - dos 18 anos, em sua maioria, executavam “covers†dos Shadows, Ventures, e, mais tarde, dos Beatles, Rolling Stones, Kinks, Herman’s Hermits, dentre várias outras, além de sucessos do pop internacional. Com a ascensão e o fortalecimento da Jovem Guarda no centro do paÃs, diversas destas bandas passaram a centrar foco também no repertório dos Ãdolos jovens nacionais então em ascensão, e, paralelamente, começaram a criar um repertório de canções próprias, embora, de um modo geral, a maior parte das bandas tenha realmente se dedicado a executar repertório alheio. Foi assim que surgiram no cenário gaúcho bandas tais como os “Os Jetsons†(nascida no bairro Partenon, em Porto Alegre, e que, depois, mudou o nome para os “Os Brasasâ€), “Os Cleans†e “As Brasasâ€, que, radicando-se em São Paulo, gravaram discos e tiveram uma participação importante na cena da Jovem Guarda em nÃvel nacional, embora não tenham chegado ao primeiro plano em termos de sucesso comercial. O Conjunto Caravelle também lançou um LP em nÃvel nacional, pelo selo Musidisc (em série que contou também com Ed Lincoln e Os Boêmios). Mais para o final da década de 60, com o surgimento da psicodelia e do tropicalismo, algumas bandas locais também seguiram estas trilhas, sendo a mais notória o Liverpool, que, nos anos 70, constituiria o núcleo do Bixo da Seda.
Cumpre fazer um parêntese aqui, para destacar-se que, curiosamente, o primeiro disco de rock gravado por um conjunto gaúcho foi “Rock on Big Hitsâ€, anunciado em sua capa como contendo “Melodias famosas em ritmo de “rock†â€. O conjunto melódico de Norberto Baldauf, que teria gravado a bolacha a contragosto (pois a sua “praia†era a de música dançante suave, muito própria ao romantismo dos anos 50), obrigado a tanto pela gravadora Odeon, em 1959, registrou versões de Neil Sedaka (inclusive “Stupid Cupidâ€) e Paul Anka, dentre outros autores do rock americano do final dos anos 50, mais “açucarados†na comparação com os “crus†Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry. Inclusive consta do disco a música “Petit Fleurâ€, do decano do jazz Sidney Bechet, o que demonstra que o ritmo ainda era de definição um tanto imprecisa no Brasil. É claro que esse não pode ser apontado como o primeiro disco de rock gaúcho, uma vez que não se tratava de uma banda de rock, embora seja genuinamente gaúcha, sem dúvida. Mas considerando-se que Cauby Peixoto e Nora Ney teriam sido responsáveis pelas primeiras gravações do gênero no Brasil, não se trata de nenhuma anomalia, ou fato fora do contexto geral. De outro lado, Elis Regina - que teria estado na linha de frente da famosa “passeata contra as guitarrasâ€, anos mais tarde, quando dos “embates†do pessoal da MPB contra a Jovem Guarda -, ainda morando em Porto Alegre, foi uma das apostas da gravadora Continental para disputar, com Cely Campello, da Odeon, os corações e mentes da juventude brasileira. Lançou em 1961 o disco “Viva a Brotolândia†(Brotolândia era uma espécie de denominação dada à juventude ligada ao rock mais ingênuo, de autores tais como os antes aludidos Paul Anka e Neil Sedaka, do final dos anos 50 e 60, versionados aos borbotões pelos emergentes rockeiros nacionais, antes da Jovem Guarda ser denominada como tal), no qual gravou “Garoto Último Tipoâ€, versão do clássico “Puppy Loveâ€, de Anka. Em 1962, ela lançou o disco “Poema de Amorâ€, também com baladas românticas. É evidente que Elis não pode ser considerada uma precursora do rock gaúcho, mesmo porque estes discos continham também músicas de origem variada, inclusive samba, samba-canção, “cha cha chaâ€, boleros, etc. A sua aproximação com o gênero parece ter sido mais consistente nos anos 70, quando gravou “Velha Roupa Colorida†e “Como Nossos Paisâ€, de Belchior, e “As curvas da estrada de Santosâ€, de Roberto e Erasmo Carlos.
A origem da cena roqueira gaúcha propriamente dita, nos parece, deve ser buscada nas “guitar bands†que foram surgindo no inÃcio dos anos 60, e que animavam bailes e reuniões dançantes, eventos que eram realizados aqui de forma profusa.
É interessante notar que, desde o final dos anos 50, e principalmente ao longo dos anos 60, fez-se sentir nestes eventos a transformação da “juventude†que estava ocorrendo em nÃvel internacional (ao menos nos paÃses vinculados ao sistema capitalista), em um segmento social diferenciado e independente, com desejos e aspirações particularizados e com formas de expressão próprias. Este fenômeno vem sendo associado pelos estudiosos da matéria à chamada geração dos “Baby Boomersâ€, ou seja, a geração dos jovens nascidos após a Segunda Guerra Mundial. Neste Ãnterim, os bailes, que eram, pelo menos até um certo perÃodo dos anos 60, de um modo geral, um espaço freqüentado por jovens sob a estrita vigilância dos pais - principalmente em relação à s filhas -, passaram a sofrer, enquanto formato de evento, uma certa transformação. Devido à moral bem mais rÃgida que então vigorava, os pais “marcavam de cimaâ€, procurando velar pela “incolumidade sexual e afetiva†de suas filhas, o que, evidentemente, lhes exigia que tomassem cuidados redobrados em situações em que as mesmas pudessem ficar especialmente expostas à ação dos “ almofadinhas, gaviões e malandros†(embora normalmente, e na maioria dos casos, fossem rapazes “direitosâ€, de boa famÃlia, estudantes e trabalhadores), como eram alcunhados os “conquistadores†de antanho. As festas, naturalmente, ainda mais porque embaladas por músicas românticas, eram um momento flagrantemente sensÃvel a exigir o redobro desta vigilância. No correr dos anos 60, contudo, com todos os avanços comportamentais surgidos em seu bojo, traduzidos nos desejos de liberdade de expressão, individual e sexual, começaram, aos poucos, a ocorrer festas em que os jovens não contavam mais com esta indesejada tutela dos “coroasâ€. Mas é curioso notar que este processo não foi brusco e mecânico, podendo-se inclusive delinear um certo nÃvel intermediário, a partir da lembrança do guitarrista Cláudio Vera Cruz (que integrou os Satânicos, o SOM 4, e a banda do “GR SHOWâ€, nos anos 60), em entrevista que nos concedeu, de que em um baile realizado na Sociedade Leopoldina Juvenil (um dos mais tradicionais clubes da capital gaúcha, e que reúne a “alta sociedadeâ€), conviveram no mesmo palco o mais notório e consagrado dos conjuntos melódicos dos anos 50, o de Norberto Baldauf, antes aludido, executando seu repertório de música suave, cool, e de indiscutÃvel bom gosto e charme, e os roqueiros de sua banda tocando Beatles, em um “set†especial para os “brotosâ€. Com efeito, em diversos bailes e reuniões dançantes realizados nos anos 60, não era incomum que a música ficasse a cargo de conjuntos melódicos, e que, a certa altura do evento, um conjunto moderno fizesse o seu “show para a juventudeâ€. Ou seja, havia uma certa clivagem, mediante a qual era aberto um espaço para o “momento jovem†nos eventos. Contudo, na medida em que se avança da metade para o fim da década de sessenta, tornam-se bem mais comuns os bailes e reuniões dançantes em que diversas bandas de rock se revezavam nos palcos, em festas destinadas especificamente para o público jovem, sem o olhar persecutório dos “velhosâ€. Afora o caso, evidentemente, de reuniões dançantes feitas na casa de alguém, geralmente para comemorar aniversários, em que a presença ao menos dos pais do anfitrião/anfitriã era praticamente certa, o que, convenhamos, era razoável, sob pena de a casa “virar de pernas para o arâ€, como se dizia, à época. Ao mesmo tempo, os pais passaram a freqüentar festas especificamente destinadas a eles (denominadas ainda como bailes, jantar-baile, ou show-baile, isto quando havia um show de alguma “atração†de renome durante o evento), nas quais continuaram brilhando os conjuntos melódicos. Até chegarmos ao ponto em que a “convivência†dos dois públicos nos mesmos eventos deixou de ser primaz, passando a ser flagrantemente eventual, dando-se raramente e em ocasiões especiais, tais como nos famosos Bailes de Debutantes. De fato, o que no inÃcio da década de 60 era exceção, ao decorrer do perÃodo virou a regra, e vice-versa, de forma praticamente inexorável.
Nas festas realizadas em clubes, aliás, conforme já se pontificou, é que muitas vezes eram realizados shows de artistas de renome nacional, e até internacional, que vinham se apresentar na Capital gaúcha e no interior do Estado. Em vista disso, não era incomum que os artistas nacionais fossem acompanhados por conjuntos locais. Isto ocorreu, por exemplo, com Roberto Carlos, que em certa ocasião foi acompanhado pela banda gaúcha Os Dazzles (conforme contou o tecladista e professor de jornalismo da PUC Sérgio Stoch, em “clássica†entrevista concedida para o programa “Congestãoâ€, da Rádio da Famecos – Rádio Fam). Realmente, não era incomum que isto acontecesse com os Ãdolos da jovem guarda (Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von, etc.) ou da própria MPB, quando vinham apresentar-se aqui.
Vale listar alguns dos locais em que eram realizados os bailes em questão, para ter-se uma idéia da abrangência e da quantidade destes eventos, que ocorriam de forma concomitante em diversos espaços, em quase todas as sextas-feiras, sábados e domingos, a ponto de não ser raro que as mesmas bandas tocassem em diversos eventos ao longo de uma única noite, em um revezamento frenético: Sogipa, Grêmio Náutico União, Grêmio Náutico Gaúcho, Sociedade Leopoldina Juvenil, CÃrculo Social Israelita, Sociedade Floresta Aurora, Cantegril Clube, Glória Tênis Clube, Sociedade Espanhola, Sociedade União e Progresso, Clube Dinamite, Jockey Clube, Sociedade HÃpica, Lindóia Tênis Clube, Clube Comercial Sarandi, Grêmio Esportivo Israelita, Sociedade Recreativa Juventude, Petrópole Tênis Clube, Teresópolis Tênis Clube, Sociedade Polônia, Clube Atlético Libertad, Clube Independente, Sociedade Amigos do Jardim Itu, Clube do Comércio, Nonoai Tênis Clube, Sava Clube, Jangadeiros, Partenon Tênis Clube, Barroso-São José, Casa de Portugal, CÃrculo Militar, Clube do Comércio de Esteio, Cottilon Clube, Três Figueiras Futebol Clube, Sorves, Sociedade Germânia, Clube Campestre, Country Club, Clube Caixeiros Viajantes, Grêmio Esportivo Patriota, Associação Satélite Prontidão, Sociedade Gondoleiros, Sociedade Libanesa, Clube 11 Garotos, Grêmio Esportivo Wallig, Nonoai Tênis Clube, Clube Comercial Sarandi, Pedregulho Futebol Clube, Clube Comercial GuaÃba, Sociedade “Nós os Democratasâ€, Esporte Clube Bandeirantes, Grêmio Futebol Portoalegrense, Tristezense Futebol Clube, Clube do Professor Gaúcho, Sociedade Cruz-Maltina, Sociedade Recreativa Piratini, Sociedade Navegantes-São João, Sociedade Veleiros do Sul, Clube de Regatas 24 de agosto, etc. Além disso, muitas reuniões dançantes eram realizadas em Sindicatos, especialmente no dos Metalúrgicos de Porto Alegre, e por Centros Acadêmicos Universitários (tais como os da Engenharia, Economia, Direito, Medicina, Odontologia, Agronomia, Arquitetura, Farmácia, Jornalismo, etc.), da UFRGS, da Faculdade Católica de Medicina, da PUC, além de Grêmios Estudantis de Colégios tais como o Júlio de Castilhos, o Protásio Alves, o Israelita, etc., alguns promovidos pela UMESPA, e também em Associações, tais como a da FamÃlia Militar e a dos Funcionários da Santa Casa, entre outras entidades.
De outro lado, o advento da televisão em Porto Alegre - inicialmente, com a TV Piratini, Canal 5 (dos Diários Associados de Assis Chateaubriand), em 1959, e da TV Gaúcha, Canal 12 (atualmente RBS TV), que se somou à quela em 1962, e, bem mais tarde, em 1969, também a TV Difusora, Canal 10 -, foi de fundamental importância para a divulgação da cena roqueira gaúcha, especialmente pelo fato de que, até o final dos anos 60, boa parte da programação era local, uma vez que ainda não havia a transmissão via satélite. Assim, mesmo a TV Piratini, que integrava a rede da TV Tupi, preenchia expressivos espaços de sua programação diária com atrações locais, o que permitiu uma janela importante para a divulgação dos trabalhos não apenas para os roqueiros, mas dos músicos locais em geral, e de outros artistas de diferentes ramos da arte, especialmente o teatro. Tal cenário foi modificando-se aos poucos, especialmente com o advento do “vÃdeo tapeâ€, que permitiu que os programas produzidos no centro do paÃs fossem aqui exibidos alguns dias após a sua transmissão, mediante a remessa das fitas por via aérea, até consolidar-se nos anos 70 a situação que vivemos hoje, de pouco espaço para a produção original local na chamada TV “abertaâ€. Neste contexto, haviam diversos programas de auditório, que foram fundamentais para a divulgação do então nascente rock gaúcho, tais como “Juventude em Brasa†(apresentado por Daltro Cavalheiro, que até alguns anos atrás, ao menos, mantinha um programa de auditório na Rede TV), “Q sucessosâ€, “Darney cantaâ€, na TV Piratini, e “Parque Infantil†(apresentado por Waldemar Garcia), “O Show do Gordo†(apresentado por Ivan Castro), “GR Show†(apresentado por Glênio Reis, ainda na ativa, com o seu “Sem Fronteirasâ€, na Rádio Gaúcha), “Puxa, é a Gaúcha†(apresentado por Hélio Wolfrid, sendo que Tatata Pimentel era do Júri), veiculados pela TV Gaúcha (a qual somente passou a transmitir a programação da Rede Globo, tal como nos moldes atuais, praticamente já nos anos 70). Na Rádio Difusora também surgiu um programa importante, neste sentido, que foi o “Lacta Clube†(apresentado pelo hoje professor Carlos Alberto Carvalho, presidente da UNITV). Em 1969, o apresentador gaúcho Júlio Rosenberg voltou a radicar-se no RS, após ter obtido grande sucesso na TV no centro do paÃs, sendo inclusive um dos primeiros apresentadores de auditório a abrir espaço para os então iniciantes e eternos Ãdolos da Jovem Guarda, inclusive Roberto Carlos, e apresentou na TV Piratini o seu programa de auditório, novamente com muito sucesso. Nos anos 70, ainda, e também na TV Piratini, merece destaque o programa de Sayão Lobato, que contava com o conjunto Impacto como banda “residenteâ€. Estes programas, além de abrirem espaço para a divulgação das bandas, obviamente também revelaram diversos cantores identificados com a Jovem Guarda, tais como o próprio Darney Lampert, a bela cantora Glória Bernardete, e Maria Helena Castro, dentre outros, muitos dos quais descobertos em seus espaços e concursos para “calourosâ€.
Afora isso, podemos destacar ainda alguns outros programas de rádio que divulgavam a Jovem Guarda (é bom salientar que, de um modo geral, ela fazia parte, em maior ou menor medida, da programação normal das emissoras nos anos 60, e certamente nas rádios ditas “popularesâ€, nos anos 70), como o de Clóvis Dias Costa, na Rádio Continental (ainda antes de a rádio entrar no formato que lhe deu enorme projeção, sob a direção de Fernando Westphalen), e, até o de Fernando Veronezzi, na conservadora Rádio GuaÃba - mas até que nem tão vetusta quanto se propala, pois de vez em quando, ao longo de sua história, deu umas “brechinhas†a novidades -, “A GuaÃba ensina o sucessoâ€, no qual eram atendidos os pedidos feitos por carta pelos ouvintes, e no qual eram rodados muito os discos de Roberto Carlos, Ronnie Von (imaginem que uma vez rodou até a psicodélica “Máquina Voadoraâ€, da fase tropicalista do PrÃncipe), Leno e LÃlian, Erasmo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, etc.
Listaremos agora algumas das bandas surgidas no cenário gaúcho nos anos 60 (e outras que a elas se somaram nos anos 70): Os Jetsons, Os Brasas, Os Minis, The Dazzles, Os Satânicos, Os Indomáveis, The Liders, Os Cleans, Os Vibratons, Os Bruxos, Os Signos, os Incógnitos e Alphagroup (Mutuca Weirauch participou de ambas), Avanço 5, The Monkeys, Os Rockets (em que Júlio Fürst era baterista), As Brasas (da qual fizeram parte as cantoras Yoli Planagumá e a hoje gaudéria Berenice Azambuja, do hit “É disso que o velho gostaâ€), As Andorinhas, Os Boinas Azuis (da qual participou João Batista, baixista dos Almôndegas hoje radicado no Rio), Os Clivers, The Coiners, Os Hienas, The Best, Os Corsários, The Tigers, Mao Mao (na qual tocou Chico Ferretti), Os Bravos, The Hermann’s, The Silvers, Tema Jovem, Os Ãguias, Manifesto, Os Goldfingers, Poder Jovem, Os Avançados, Os Nômades, Som Mágico, Mustang, Os Virginians, The Cheyenes, Beat Five, Jovem Record, Os Faraós, Os Corujas, Os Sayfers, Os Morcegos, The Hoolygans, The Saylors, The Dragons, Os Incendiários, Os TÃmidos, Os Felinos, 2001, The Bachfuls (de Cláudio Levitan), Os ManÃacos, The Baby’s, Som 6, GR Show, The Kinds, Alfa e Beta, Caravelle, The Thunder Sounds, SOM 4 (de Hermes Aquino e Cláudio Vera Cruz), Os Havaianos, Os Comanches, Pigmalião 70, Gang, Os InvencÃveis, Basket Makers, Enigma, Embalo 5, The Dragons, The Robinsons, Os Galgos, Os Ciclopes, O Elenco, Os Invictos, Os Lobos, Os Avançados, Século XX, Tributo, Os Fantásticos, Os Hippies, Liverpool, Os Mongóis, Prefixo, San Remo, Beethoven, The Shames, Manchester, Os Pedreiros, Os Cavaleiros de Fogo, Os Paqueras, Khaos, Prosexo, Os Gertrudes, Os Monges, Monjolo, Keóps, Exodus, Apolo 5, Impacto, Constelação, Shivarée, Som Livre (ou Sound Free), Choque Mental, Quinta Dinastia, Época, Everest, Os Rand’s, Os Jatos, Os Gobbis, O Cromo, Os Frank’s, Controle Remoto, Os Rubis, Choque, Os Siderais, Som Five, O Esquadrão, Os Acadêmicos Inseparáveis, Dólar, M/A Band (de Pelotas, que gravou um compacto), Maomé, Os Monroes, Os Hienas, Os Andróides, Grow’s, The Chaines, Super Sound, Impulso 70, Dimensão 70, BR 70, Os Espiões, Os Navarones, The Beagles, Os Magnos, Alma e Sangue, Os Pingüins, Sociedade Anônima, Talento Band, The Fire’s Boys, Espectro, Os Mágios, The Boxer’s, Elenco, Os Clips, Pusher, Reação, Brasa Som, Excelsior, O Grupo, Califórnia, Monterrei, Sound Company, Boogaloo, Os Dráculas, The Wanders, Top Top Sound, Pentágono, Tempo Livre, Santana Band, Dimensão 2001, Djambo, Sucexo, Relance, O Momento, Sound Machine, etc.
Pode-se dizer que, pelo menos até pouco antes da metade dos anos 70, os bailes e reuniões dançantes foram o principal mercado de trabalho para os músicos das bandas de rock gaúchos. Até que, gradativamente, devido à s mudanças dos hábitos dos jovens, que passaram a se interessar mais por freqüentar bares e casas noturnas (o que se verificou ainda mais expressivamente a partir dos anos 80, quando foram criadas importantes casas noturnas, tais como o Ocidente, o Opinião e o Porto de Elis, entre muitas outras), este circuito foi esvaziando-se aos poucos, ao menos na Capital. De fato, a freqüência e a quantidade de bailes e reuniões dançantes com música ao vivo em clubes sociais e outros espaços em Porto Alegre foram gradativamente diminuindo, podendo-se apontar diversas causas, além da já alinhada: o aumento dos custos em termos de cachês e de aluguel de equipamentos de som e luz, ao mesmo tempo em que muitos clubes estavam se descapitalizando (sendo de assinalar, inclusive, que diversas entidades encerraram suas atividades neste perÃodo, ao passo que outras se mantiveram, embora geralmente fossem deficitárias, sendo poucos os clubes que atualmente estão em plena atividade, não apenas em relação à parte desportiva, mas também em relação aos eventos sociais, podendo contar com a contribuição em dia dos sócios, e com uma movimentação regular); o fato de que muitos freqüentadores, especialmente os mais velhos, acharem que os conjuntos tocavam muito alto, “atrapalhando†as conversas e “perturbando†os ouvidos; o baixo custo que representavam, na comparação, os Disc-Jóqueis e o som mecânico, etc. O certo é que esses conjuntos, quando atuavam em bailes na capital, geralmente o faziam em eventos para casais de meia-idade, não tanto para o público efetivamente jovem - embora isto ainda acontecesse, em certa medida, especialmente em eventos destinados à s classes economicamente baixas. Em decorrência dessa relativa decadência no cenário dos bailes e das reuniões dançantes, nem todos os conjuntos conseguiram sobreviver. De fato, esta conjuntura, que foi se desenhando mais claramente nos anos 80, fez com que apenas os grupos que melhor se organizaram e se especializaram neste tipo de evento mantivessem o seu espaço. É o caso, por exemplo, dos conjuntos Impacto, Caravelle, e Boinas Azuis, entre outros, até hoje na ativa.
(continuação em http://rogerioratner.musicblog.com.br)
Ratner,
mais uma vez aprendi imensamente muito com o teu artigo
abraço
andre.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!