A Música como totalidade

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José Braga · Brasília, DF
19/9/2008 · 62 · 2
 

A Música é algo curioso. Ela nos chega e toca através da audição. Mas embora seja a audição o forte da música, ela ultrapassa o universo dos sons e penetra no universo da consciência e dos sentimentos.

Isto é engraçado. Como coloca o sociólogo Nildo Viana, a música está entrelaçada com sentimentos e consciência (1). Refletindo sobre isso, chega-se a conclusão que é verdade. Uma música não é apenas transmissão de sons, mas também de sentimentos e consciência. Por isso a música deve ser vista como uma totalidade. Ela é um todo, um fruto da sociedade e da história, mas também do indivíduo singular (2) inserido em determinadas relações sociais, manifestando determinada consciência, sentimentos, valores através de sons e palavras.

Assim, a música crítica é aquela que busca desenvolver uma determinada forma de consciência, a consciência crítica. Os sons, agradáveis ao ouvido, se tornam mais significativos, pois além desta função inicial, passa a ter a função de contribuir com o desenvolvimento da consciência.

A música que toca no mais íntimo das pessoas mostra sua relação com os sentimentos. A recordação de uma música nunca é a pura recordação de sons. Ela recorda momentos, lugares, acontecimentos, manifestando sentimentos. A recordação é da vida social de quem recorda e dos significados que possuem na vida atual.

Desta forma, a música, em sua totalidade, é som, consciência, valores e sentimento. Os seus efeitos também abarcam estes elementos, despertando emoções e reflexões. Certamente, essa totalidade atinge tanto quem produz quanto quem a ouve.

A música é uma rica totalidade que nos agrada. Claro, algumas agradam mais, despertam mais a consciência e bons sentimentos, outras, nem tanto. Mas isto não anula o fato da música ser uma totalidade expressiva, significativa, uma das grandes invenções humanas, muitas vezes bem utilizada, embora nem sempre.

A música é manifestação dos seres humanos, social, mas sentimental, valorativa, consciente. A arte é anti-alienação, é manifestação humana, objetivação (3). Esta manifestação, como toda manifestação artistica, está na sociedade e possui um vínculo com ela, sendo uma totalidade incluída em outra totalidade, mais ampla (4). Assim, a música é algo que gostamos e devemos gostar, que refletimos sobre e devemos refletir e por isso a música é algo que nos atinge de forma mais total que um escrito sociológico ou filosófico sobre a arte, que também pode despertar sentimentos, consciência e valores, mas com um índice de intensidade bem menor.

Referências
1. VIANA, Nildo. Tropicalismo. A Ambivalência de um movimento artístico. Rio de Janeiro: Corifeu, 2007.
2. Sobre o indivíduo social e ao mesmo tempo singular, veja: VIANA, Nildo. Introdução à sociologia. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
3. READ, H. O Sentido da arte. Belo Horizonte, Itatiaia, 1978.
4. VIANA, Nildo. A Esfera artística. Marx, Weber, Bourdieu e a sociologia da arte. Porto Alegre: Zouk, 2007.

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Sebastião Firmiano
 

Arte, todas entram no campo dos afetos e afeição é a expressão mais inebriante do ser, mas a música penetra com maior intensidade.
Parabéns pelo texto claro e verdadeiro.
Abs.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 20/9/2008 17:15
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José Braga
 

Sebastião, tem toda razão, arte e sentimentos caminham juntos! Valeu!

José Braga · Brasília, DF 20/9/2008 17:17
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