A música é da TV ou da Internet?

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Me pergunto: - Se fosse hoje, surtiria tanto efeito?
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Dewis Caldas · Cuiabá, MT
1/11/2007 · 20 · 0
 


Foi-se o tempo em que a música da novela do momento, ou dos programetes juvenis de final de tarde, era o hit de sucesso. Quer dizer, ainda é sucesso por conta dos jabás da rádio, comerciais, programas de auditório, mas será que elas ainda exercem decisivamente no gosto musical dessa novíssima geração que nem mesmo sabe como usar um rádio e raramente liga a TV?

De tudo isso, é cada vez maior o número de acessos dos grandes sites de notícias, músicas e entretenimento: O internauta quer cada vez mais seletividade e mais singularidade. Lembro, pelos idos de 1995, quando a internet ainda era coisa de laboratório, era muito fácil (com grana no bolso) pra uma banda espalhar sua música. Num plano estratégico feito pela gravadora, a tática guerrilheira era assim: Aparecia duas vezes num programa de domingo, depois uma participação como música de fundo do casal apaixonado da novela de horário nobre, mais dois comerciais de roupa ou solidariedade e pronto: Estouro, estouro e estouro, dinheiro pra todo mundo. Um grande exemplo que me vam à cabeça é o mega sucesso do Gera Samba (que depois de uma quase batalha judicial virou É o Tchan). Eles surgiram mais ou menos em 1996 com uma música nada convencional, explorava tanto a sexualidade que fazia uma mulher dançar no gargalo de uma garrafa, em pouquíssimo tempo foi febre pelo Brasil inteiro. Imediatamente estavam em todos os programas nacionais, coleções de bonecas, concursos para novos integrantes e shows diários - sempre lotados. Nessa mesma época, os Mamonas Assassinas também exploravam outra temática, a da diversão exagerada, o jogo das piadas contínuas. Não demorou muito pra que a primeira vendesse mais de 10 milhões de cópias, e a segunda cerca de 2 milhões, que não só foi mais por causa do fatídico acidente. O resultado de toda essa estratégia foi transformar essas duas bandas os maiores símbolos daqueles anos. Mas pergunto: - Se fosse hoje, surtiria tanto efeito? Depois do advento de sites, blogs, Orkuts, pessoas fazendo por si só, seria tão massificada e explorada uma imagem como essa? A geração que toma o espaço, e que vai abraçar a década de 10 é a que menos é influenciada pela grande mídia, isso é fato. Não é incomum pessoas com menos de 20 anos não saberem quem são os protagonistas da novela do momento, ou até mesmo, o hit do herói da novela de mutantes (novo conceito criado pelos lados tupininquins), mas talvez seja fácil qualquer um deste dizer o que rola de engraçado no youtube.com, por exemplo.

Mas essa não é a discussão, e sim a música: O que digo é que hoje as possibilidades de se explorar, conhecer e fuçar são muito mais atraentes e fáceis, e é isso cresce cada vez mais. As probabilidades de se conhecer outra cultural musical se abrem além: Posso muito bem - daqui mesmo do computador onde estou - escutar o último Cd do Fábio Junior ou optar pela voz suave de Dian Permana Putra, um indonesiano autor da triste Keranguan, que diz no refrão Perca Yalah Kasih Tiada Yang Lain Hara Panku, que eu nem faço idéia do que significa. Ou então, posso escolher uma banda sergipana chamada Snooze, do que a regravação cover do novo sucesso do KLB. Ou então a regravação cover do Roger Water de Across the Universe, dos Beatles. É tudo ao alcance, há um click apenas.

Com isso tudo, você pergunta para alguém de mais ou menos 18 anos sobre sua banda preferida, ela poderá dizer quatro ou cinco que você nunca ouviu na vida, é uma realidade diferentes? Não! Mas é a opção pela exploração. E é nesse campo que nascem os produtos independentes. Pense bem, antigamente o artista tinha que gravar o CD, vender, fazer shows, ganhar dinheiro e ficava tudo bem. Só que tudo ficou alarmante: Segundo a ABPD - Associação Brasileira dos Produtores de Discos, no ano passado foram vendidos cerca de 80 milhões de Cd’s em todo o território nacional, enquanto que 112 milhões foram pirateados. Então o que acontece? O artista se desliga do Cd, e começa a fazer show novamente. Um grande exemplo disso é a banda inglesa Radiohead,uma das mais conceituais do anos 90, que acaba de lançar o CD In Rainbows, através do seu site, onde poderia ser pagar quanto quiser, ou até mesmo nem pagar nada. Outro exemplo é o cantor folk-rock americano Bob Dylan que, com mais de 50 anos no meio musical, ainda sim faz shows todos os dias. Não existem mais diferenças, nem regiões, nem história, nem idiomas quando se fala musicalmente na internet. E o bom disso tudo é que a maior banda do mundo tem o mesmo valor de importância e alcance do que a menor banda: Quem ganha minha audiência é quem fizer a música que mais me agrada, e pronto!! Só quero ver quando o mercado fonográfico vai assimilar isso.

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