Quem trabalha com cultura sabe que tem pela frente uma luta árdua e constante. Ainda mais em um estado que ainda não se descobriu como um poço de infinitas possibilidades como o Piauí, vasto em história e arte. Mas, não se descobriu massificadamente falando. Ainda não se reconheceu como tal. Entretanto, não faltam pessoas atentas, conscientes e preocupadas com nossa arte e história. Mas, muito penosamente, trabalham com a esperança, de chegar a seus objetivos, encardida. Esperanças, como a de guardar a memória cultural de uma localidade, ou manter de pé as lembranças que alicerçou a vida cultural que nós respiramos hoje.
E é atrás disso que corre a Fundação Nogueira Tapety, ao tentar revitalizar o que passou a ser chamado de “Fábrica de Sonhos”. Que é na verdade a Fábrica de Laticínios de Campos, inaugurada em Campinas do Piauí, no ano de 1897, fechada e abandonada em meados do século passado, e que hoje tem, como memória, o prédio arruinado que a abrigou. A construção elaborada pelo alemão Alfredo Modrack (o mesmo que fez a planta do Theatro 4 de Setembro), outrora imponente, abriga hoje em suas ruínas uma memória adormecida e um carinho latente da população vizinha. Por esse e vários outros motivos, a fábrica tem que voltar à “vida”. Não mais para produzir manteiga, e sim para azeitar a relação de um povo com sua história. O prédio tem que voltar a fabricar, mas, dessa vez, cultura.
Embora esteja quase aos escombros, o prédio foi tombado pela lei estadual nº 7.298, de 26 de janeiro de 1988, pelo então governador Alberto Silva. O tombamento, teoricamente, obrigaria o Estado a proteger o Bem tombado. Mas não é o que acontece. Por um lado entristece, pois nota-se o descaso; mas por outro revigora as forças, já que isso já é uma arma. Mas, infelizmente, não adianta apenas o cavalo e a lança dos nossos Quixotes. Em nossos tempos, para derrotar esse tipo de dragão, e revitalizar um prédio assim, precisa-se de dinheiro. E para isso a Fundação Nogueira Tapety começou uma campanha popular, em busca de todo e qualquer adepto, para se conseguir por de pé a memória do Piauí. Em 2004, a pedido da Fundac foram concedidos à fábrica os benefícios da Lei Rouanet. Valeram para 2005 e foram renovados em 2006, mas expiram, sem apelação, no próximo mês de dezembro de 2006. Mas nada ainda aconteceu. Em busca do apoio do Programa BNB de Cultura também já se foi. E... nada ainda. Nenhum mecenas se dispôs a lançar os recursos para esse sonho.
Contudo, como foi dito no início, quem entra nessa luta sabe o que tem que enfrentar. Espera-se que a esperança não entre em ruínas também. Em 15 de Abril de 1997, o povo de Campinas “comemorou” os cem anos da inauguração da fábrica na praça que fica bem defronte às suas ruínas. Tomara que não se espere mais cem anos para ver sua reinauguração.
Saiba mais sobre a fábrica e sobre a FNT clicando aqui.
*artigo publicado originalmente no SOLCULTURA
Querido Pecê:
Sugestão de tags: fabrica-de-sonhos Alfredo-Modrack FNT fabrica-de-laticinios-dos-campos Fundação-Nogueira-Tapety Theatro-4-de-setembro
Vão aproximar os nossoa textos!
beijos e abraços
do joca oeiras, o anjo andarilho
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