Na história da luta socioambiental brasileira 2012 será lembrado como o ano do retrocesso. O trator do desenvolvimentismo e as crises socioambientais que ocorreram em pleno ano da Rio+20 marcaram a memória dos ambientalistas. Como a avaliação negativa se destaca na avaliação de 2012 é necessário pontuar alguns avanços que obtivemos nesse perÃodo:
- O canteiro de obras de Belo Monte foi ocupado 3 vezes em 2012 o que atrasou as obras, fortaleceu o movimento de resistência e chamou a atenção da opinião pública. Ainda aguardamos a definição sobre uma série de decisões judiciais no TRF 1 e no STF. Belo Monte não é um fato consumado!
- Durante a Rio+20 foi lançado o filme colaborativo Belo Monte Anúncio de uma Guerra; produção audiovisual independente que circula através de um amplo circuito independente de distribuição e exibição.
- O Ministério Público, em seus diversos nÃveis, protagonizou batalhas contra os desmatadores, poluidores e empreiteiras, arrancando pesadas indenizações, aumento de ações de compensação e questionando a legalidade de empreendimentos do PAC, como as futuras hidrelétricas na Amazônia.
- O novo código florestal foi aprovado, mas não sem luta. A disputa foi decisiva pra atrasar a aprovação em mais de um ano incluindo pontos que desagradam os ruralistas. É consenso que sem a mobilização da sociedade civil, principalmente da campanha #VetaDilma, o resultado teria sido muito pior.
- Foi lançada a Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica, um importante front dentro do parlamento.
- O impasse na demarcação de terras dos Guarani e Kaiowá tomou as redes sociais e as
manchetes de jornais ao ponto de reverter uma decisão judicial de reintegração de posse. Muitas pessoas e ativistas passaram a ter conhecimento da situação e a tendência é que a rede de solidariedade aumente.
- A utilização de mÃdias sociais pelos indÃgenas se manifestou mais intensamente esse ano, como mostraram os videos que circularam denunciando uma tentativa de envenenamento por agrotóxicos dos Guaranis e Kaiowas e a viralização de um vÃdeo da operação da PolÃcia Federal contra a aldeia munduruku, que resultou na morte de um Ãndio.
- O movimento indÃgena tem dado sinais claros de reorganização frente aos ataques constantes do governo atual. Novas possibilidades de ação polÃtica e maior circulação de ativistas indÃgenas nos grandes centros reforçam uma tendência de renovação de suas lideranças.
- Foram lançados diversos trabalhos jornalisticos voltados a tematica socioambiental aumentando o repertório de milhares de formadores de opinião. Destacam-se as reportagens da Agência A Pública, da Agência Repórter Brasil e o lançamento do livro Partido da Terra, um excelente diagnóstico da situação fundiária dos polÃticos donos de terra no Brasil.
- InÃcio da retirada dos invasores da Terra IndÃgena Xavante de Marãiwatsédé, no Mato Grosso, após 20 anos de promessas não cumpridas.
- Apesar do evento oficial ter sido um fiasco a Rio+20 foi um espaço privilegiado pra articulação de redes da sociedade civil. Diversos contatos, projetos e ações se desenvolveram nesse perÃodo e ainda estamos pra ver os verdadeiros frutos dessa articulação.
- Dando continuidade as mobilizações de 2011 esse ano foi muito promissor na colheita de novos ativistas, que mesmo sem experiência demonstraram vontade de levar adiante a agenda da sustentabilidade. O repúdio à velha polÃtica e as formas tradicionais de organização dá esperança na construção de uma nova institucionalidade progressista.
- Finalizando o ano Marina Silva solta um artigo intitulado “Da queixa à arteâ€, onde manifesta que iniciará consultas públicas a respeito do seu futuro polÃtico. Esse posicionamento indica que 2013 terá uma agenda intensa de diálogos e articulações polÃticas, acelerando o processo de coesão do fragmentado bloco polÃtico socioambiental.
Analisando 2012 por essa perspectiva otimista pode-se traçar um cenário promissor para 2013. Temos acúmulo de força, experiência e maior coesão das forças polÃtico-sociais que trabalham por um projeto democrático, com justiça social e respeito socioambiental. O ano que chega nos traz uma agenda propÃcia para a construção de novas formas de organização com a articulação de um amplo campo de alianças para, a médio prazo, reverter a tendência de retrocessos na agenda socioambiental.
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