Há muito tempo sou um militante solitário da área cultural. Não faço partes de grupos. Sou alijado de alguns eventos culturais segundo o que ouço por ser, ou filho de pais de classe média alta, ou por ser velho, por ser independente financeiramente, por não ser um músico e poeta em auto-destruição “downâ€, por ser ruim para os curadores que organizam aquele evento, enfim, não sei o motivo. Como também sou aceito em diversos eventos não só da cidade onde moro como por todo o mundo e Brasil por excelente no que faço, um inovador aos cinquenta anos, independente financeiramente, educado, polido. Enfim... Vai entender. Se você se furtar de fazer sua arte por uma opinião, tenha a certeza, você é um bôbo.
Hoje, de forma impetuosa, resolvi escrever, analisar ou desabafar sobre as briguinhas de grupos culturais. Geralmente as brigas acontecem em eleições para gerenciar uma entidade cultural ou por panelinhas das mais diversas facções que têm mania de se auto criticar. Ou são criticados aqueles que são selecionados para receber verbas governamentais, os não selecionados ficam injuriados e começam a falar em benesis para este ou aquele artista. Enfim... É um emanranhado de besteira, de disse me disse, que fico extasiado com a questão.
E nada disso leva a um aumento do público que assiste a arte que não é assistida pelos grandes grupos empresariais, gravadoras no caso de músicos, editoras no caso de escritores, enfim, o show dos artistas menos conhecidos são frequentados ou por amigos ou por artistas que vão ao show um dos outros para falsos elogios, crÃticas, ou então, elogios verdadeiros e crÃticas construtivas.
E se formos analisar, tudo isso só enfraquece o que já é fraco. Os artistas desconhecidos estão cada vez mais desconhecidos. Estão perdendo cada dia mais para a quantidade de atividades caseiras com a revolução digital, tablets, facebook e etc. Enfim... A desunião é uma grande inimiga do desenvolvimento, amadurecimento, da arte e do artista.
Vejamos. Se todos lutassem realmente a favor da melhoria, desenvolvimento da arte, além de uns assistirem os outros, haveria uma minimização do egocentrismo. Todo artista é egocêntrico. Ele quer ser visto, ouvido, e para isso faz coisas menores, como fofocar um sobre o outro, enfim, baboseiras mil, sem nenhuma seriedade e com muito panfletarismo.
E com este texto eu vou mudar isso, claro que não. Estou sim é me expondo a conseguir menos espaço para a minha música e poesia mas, aos cinquenta anos decidi me revelar por inteiro via artigo de opinião, como também resolvi que pessoas que gostam de mim não devem ouvir todo dia minhas divagações e questionamentos. Eles precisam de um Anand mais light, menos questionador. Podemos concluir então que meu companheiro de questionamentos é a folha em branco e os meus leitores são meus algozes, admiradores e futuros amigos.
Não... Eu não vou fazer parte de grupinhos. Atacar outros grupinhos. Fofocar sobre o outro poeta. Dizer que tenho não sei quanto livros ou CDs lançados, pois, isso não quer dizer nada. Outro dia, um grande amigo, crÃtico de literatura disse que um dos melhores livros que ele leu nos últimos tempos não tem eco nem na comunidade jornalÃstica, nem artÃstica, muito menos, no consumidor de arte movido à mÃdia. Vejam bem... Ele, um conceituado crÃtico, disse isso. Fiquei refletindo que estamos lascados. Quero ser visto, lido, ouvido mas, nunca serei e as briguinhas enfraquecem a divulgação da literatura e música, área que conheço melhor por ser músico e poeta.
O que nos resta é óbvio. Nada. O músico ou poeta faz um showzinho regional e fica mascarado, nossa que coisa ridÃcula. Ou é aceito naquela cidade ou capital. Isso é nada. Ou então este texto que será lido por poucos e não terá eco nenhum nacional a não ser que venha a sair num veÃculo de grande expressão. Portanto, as briguinhas têm que parar. É a maior babaquice dos artistas, brigar entre si. Se fazem parte de uma eleição dura, que apresentem suas propostas mas, não que falem mal um do outro. Isso é coisa de gente menor.
Estou cansado mas, não paro nunca de sonhar em ver, artistas unidos, minha música e literatura ouvida e lida por “engenheiros†e não apenas músicos e escritores independentes alternativos e de desabafar para o meu confidente eterno, barato e público, o papel branco. Não me calo, estou aqui, hoje abordando este tema, amanhã um completamente diferente mas, estou refletindo e atuando para mudar o imutável e até a última gôta de meu sangue, lutarei para mudar a sociedade em suas ações, reações e idéias, senão minha vida não terá sentido.
Posso ficar sentado apenas lendo jornais. Não. Está na hora de ser o protagonista, já li muito, vou publicar tudo que minha mente questionar e se um questionar comigo, seremos dois, se dois, seremos tres, e no final, somos uma nação de questionadores, de inovadores, que não estão interessado em fofocas e sim em ações conjugadas e harmonizadas em pról de uma mudança de paradigmas na sociedade. De uma maior visibilidade para a arte alternativa e indepente que depende de todos.
Anand Rao
Jornalista, Músico e Poeta
anandrao477@gmail.com
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