A data é precisa e inconfundÃvel. Talvez o primeiro tópico de história que aprendemos nos colégios. O dia da chegada dos primeiros portugueses no Brasil. Dia vinte e um de abril do ano de mil e quinhentos, aportavam em nossas costas, julgando estarem chegando à Ãndia um Capitão barbado, simpático que legou à história apenas a sua bravata de descobrir a longÃnqua terra, qual, inicialmente chamou Terra de Santa Cruz, em seguida chamou-a Terra de Vera Cruz e, finalmente Brasil. Isso por que por aquele lugar aportado existir uma quantidade gigantesca de Pau Brasil, uma árvore nativa, na qual descobriram grandes utilidades e a exportaram na quantidade de quase dizimarem a toda a encosta de nossos mares. Daà pra frente Pedro Ãlvares Cabral é muito pouco citado. Cabendo a outros como Pero Vaz de Caminha o redator da primeira carta feita em território brasileiro, isso logo ao chegar, como um relatório de viagem enviado ao Rei de Portugal. Esta carta animou aos portugueses que ansiosos já esperavam por alguma notÃcia, até do malogro da expedição, que graças aos Deuses dos mares, não aconteceu. Continha a missiva de que a terra descoberta tratava-se de um quase paraÃso. “Aqui em se plantando tudo dáâ€, ou ainda “encontramos muitas pessoas a nos recepcionarem na praia, com vestes tiradas da própria natureza, andam quase nusâ€. São belos nativos.
Daà à frente o interesse de Portugal em explorar a terra, que por direito lhe pertencia mandou outros navios carregados de outros tantos de portugueses. No entanto o rei, nem a pessoa encarregada de monitorizar, fiscalizar à distância e administrar essa aventura, teve a preocupação de mandar para a nova terra portuguesa dotados de vida ilibada, com vontade para trabalho, e nenhuma virgem desceram pelas escadarias dos primeiros navios enviados ao Brasil. Chegaram inicialmente e repetidas vezes, prostitutas, que vinham na aventura, como os homens de aqui fazerem um pé de meia.
Muito mais tarde chegaram as famÃlias de ilustres clãs portuguesas, esses já no intuito de darem inÃcio à s escavações, a procura de outro, diamantes, rubis, esmeraldas, que aqui havia em abundância. Mandaram os bandeirantes, um dos mais conhecidos é Fernão Dias, conhecido como o maior exterminador de Ãndios. Isto pela razão, segundo Ele, que os mesmos não se prestavam ao serviço, eram preguiçosos, e não tinham nenhum manejo com as novas ferramentas, até então desconhecidas pelo nosso povo. Nosso povo, aqui, enquanto não se formarem as primeiras famÃlias resultantes do cruzamento dos brancos portugueses com os nossos nativos, chamaremos Ãndios.
Como tática, a beneficiar essas famÃlias importantes portuguesas, cujos patriarcas, já vieram incumbidos de administrarem o Brasil, e eram em quantidade razoável, o Rei de Portugal, resolveu dividir a terra em Capitanias e para cada um desses patriarcas passou como possessão cada uma dessas Capitanias. E essas famÃlias se instalaram, começaram por explorar a terra, como donos, e do que retiravam, em ouro, diamantes e outros minerais de grande valor no mercado internacional, - hoje talvez até água, que está se tornando um bem escasso – era subtraÃdo um percentual, que a distância tinha muitas variações, e enviados para a Coroa, - ainda não estamos tratando de D. Maria I, a louca, como a chamavam – a Coroa é e reino de Portugal.
O rei de Portugal julgando o repasse insuficiente, pois tinha noção do quanto de extraia e produzia em terras brasileiras, mandou emissários fiscalizadores, contaminado pelo vÃrus da ganância, terminavam por compartilhar com os repartidores das riquezas – Como acontece hoje com o Congresso Nacional Brasileiro e acho que com o de Portugal, para justificarmos sermos aprendizes, no caso. O rei mandou mais uma outra comitiva seleta de pessoas talvez até da famÃlia que viriam fazer a inspeção das partilhas.
Resumidamente, de quinze capitanias formadas, apenas duas prosperaram a capitania de Pernambuco e de São Vicente.
Esses desvios, falcatruas contadas de minuto em minuto, já despertavam a desconfiança e uma cobiça no Rei, que o fazia pensar em vir constatar in loco tais malandragens.
Este era um precedente. No entanto com a promessa de Napoleão Bonaparte de Invadir Portugal e torna-lo uma provÃncia Francesa, fez com que Dom João VI e sua famÃlia inclusive D. Pedro I, que viria a ser o primeiro Imperador do Brasil, contagiado pela beleza brasileira e por um amor justificável.
Quando D. João VI chegou ao Brasil, nossas terras já tinham um formado de colônia bem definido e já continham aqui empresários, casas de comércio bem estabelecidos, tanto que o levou a criar o Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional e outras entidades públicas. Isso nos leva a crer das preensões do Rei em se Estabelecer por Aqui definitivamente.
Sua permanência durou até já haver avançado os manifestos de Liberdade, do desatrela mento do Brasil de Portugal, em definitivo.
A essa época despontava no estado de Minas Geraes um movimento de Inconfidência Mineira, liderado por um homem simples, o qual levou à s costas todas as culpas, de mentor, realizador e mártir de tal movimento, foi morto enforcado, por ordem de Dona Maria I, a louca, em 21 de abril... Paralelamente em outros vários estados se davam manifestações de insatisfação pelo processo de escravidão do Brasil com relação à Coroa. Houveram motins e guerras malogradas no PiauÃ, Rio Grande do Sul, ...........;
Um dia as coisas começaram a andar, nos dando a idéia de que já éramos um PaÃs independente, faltando para tanto o reconhecimento de Portugal que insistia em não fazê-lo. Foi aà que Dom Pedro I, numa incontenção dos seus ânimos já muito mexidos e à flor da pele, resolve numa de suas voltas da casa da Marquesa de Santos, como quem mantinha um caso sabido por todos da colônia. No meio da estrada recebeu uma missiva por um mensageiro da Corte, no recebendo ordens de retornar a Portugal, pois já sabiam de suas intenções em fazer daqui uma dinastia soberana, em não gostando, desceu do cavalo puxou da espada e, em plena margem do Riacho Ipiranga, esbravejou o famoso grito: Independência o Morte.
A seqüente história nos leva ao tempo em que o Brasil, vendo sua mão de obra escassa. De um lado os Portugueses se negando ao trabalho, do outro, nossos Ãndios sem a menor vocação para os tipos de atividades a que se lhes submetiam, começou a comprar escravos da Ãfrica. Negros. Outra peça de valor inestimável em nosso processo de miscigenação. Esses escravos eram adquiridos em tribos do leste da Ãfrica, a preço de nada, por tratarem-se de pessoas fugitivas, caçadas no mato como se caça bico, laçados, amarrados. Eram vendidos, socados dentro dos porões dos navios, como se nada valessem, como se não fossem gente. Ao chegar eram postos em praças públicas, lugares dos leilões de escravos e bandidos, porcos, jumentos, couros, entre outros produtos, e eram arrematados pelos coronéis, cujas patentes recebidas pela quantidade de dinheiro e reservas em ouro e terras que possuÃam. Chegando ao condado, agregados os outros bens do tal coronel, lá eram enfurnados dentro de senzalas fechadas, só abertas na hora em que iam para o campo trabalhar exaustivamente, até que o sol pendesse. Ao chegarem lhes eram servidos as sobras das refeições do casarão, mais o que os fidalgos. Pé de porco, feijão estragado, tripas, pulmões, todo refugo.
O ataque, de plena fúria e ardor e carência dos portugueses fizeram das Ãndias nativas suas primeiras vÃtimas. Depois foram as negras, confinadas na senzala. Deste cruzamento deu-se uma nova estirpe o Mulato, cujas caracterÃsticas fÃsicas, tanto podiam tender a uma predominância branca, à s vezes até mesmo confundindo com um português. Em outros casos, ficavam mais com as caracterÃsticas, a predominarem os traços negros. No entanto para o Coronel proprietário todos eram igualmente tratados com escravos já de uma segunda geração.
Ainda houve o cruzamento do negro, geralmente os fugitivos que se embrenhavam na mata, e ali, também possessos de amor e carência se envolviam com as Ãndias, resultando em uma terceira nuance: O cafuzo, este com traços totalmente distando do que se via com naturalidade nas senzalas e em algumas tribos por onde passaram os portugueses e os negros fugidios.
Desse tempo para cá as misturas foram se dando entre esses que já eram produtos dos primeiros cruzamentos e, assim repetidamente até chegarmos quase ao homem que somos hoje.
Com o movimento abolicionista, algo que rendeu anos de desavenças, prisões, mortes, perseguições implacáveis, destacando-se como defensores e protagonista dessa intentona, muitos jovens de formação acadêmica, advogados, médicos, poetas, e um grande vulto de nossa história, especificamente nesta fase, José do PatrocÃnio, que escrevia matérias em jornais e, dentre todos era o mais visado, pela sua condição de ser também um negro.
Sensibilizados também se via, donos de gráficas, proprietários de terras, renomeadas personalidade da sociedade que se inquietavam com o tratamento dado à quelas criaturas, que eles viam, por conta, à s vezes de suas Ãndoles religiosas, já que as igrejas, da parte de alguns padres se posicionavam totalmente contra ao escravagismo, e se utilizando de sua postura insuspeita, até determinado tempo, acoitavam escravos maltratados, insurgiam-se juntos com a comunidade intelectual, e os demais interessados, na causa.
Em ---- de 1938, a Princesa Izabel, já no comando da administração do Brasil, na condição de reino, com deveres para Portugal, sentindo o boicote por parte de alguns paÃses europeus, principalmente a Inglaterra, que ameaçara romper com o Brasil suas relações diplomáticas e de comércio, caso prosseguÃssemos com o tráfico e os maus tratos de negros advindos da Ãfrica, cuja rota coincidia com a mesma rota dos navios ingleses.
Vendo a impossibilidade de viver escoriada do resto do mundo, apenas com as bênçãos de Portugal, e lidando diretamente com a lida interna por parte de tantos que não viam sentido no regime de escravidão. A princesa Isabel assinou a famosa “Lei Ãureaâ€, pela sua valia, todos os negros, a partir daquele dia estavam livres. E a pessoa que fosse apontada como ainda vivendo o velho regime, era severamente punida pela Corte.
Mas ao que valia ser livre e não ter onde trabalhar? O que cada escravo recebeu por tantos anos de serviço forçado, pesado, foi um papel. Uma carta de alforria. E eles não tiveram outra saÃda a não ser continuarem escravos, alguns morando nas mesmas senzalas. A diferença alvissareira era a de que agora eles trabalhavam por um soldo. E que tinham direito a autodefesa, e a defesa que lhes concediam a Corte.
Diga-se, e eu seria injusto em não mencionar, que desses movimentos e intentos contra a escravatura, um negro chamado Zumbi, alforriado, que trabalhava como sacristão em uma igreja, com certo conhecimento, partiu em defesa do seu povo e criou um quilombo,
Quilombo dos Palmares, para onde acorreu uma quantidade de escravos, ex-escravos e formaram uma comunidade com poder de luta de defesa, a onde eles se sentiam como livres. Este vulto histórico hoje é homenageado em todo o território nacional, e deram-lhe a patente de patrono dos escravos.
Depois começou a dispersão dos negros por outros lugares, terras longÃnquas, virgens, onde foram iniciar uma outra vida.
Assim os campos ficaram quase vazios, as senzalas desabitadas. E os coronéis em polvorosa. Alguns ainda blasfemaram contra a medida da Patrona da Abolição. Mas era coisa irreversÃvel. A saÃda foi divulgar ao mundo, novamente, as belezas e os encantos de nossa terra.
Quando para aqui acorreram uma enorme quantidade de pessoas advindas da Europa, predominantemente, da Itália, Holanda, França, Espanha, Japão e Ãndia, já nos pós-guerra, e fundaram aqui grandes colônias agrÃcolas, casas comerciais, indústrias, já que vivÃamos aquém de muitas dessas novidades. A Inglaterra nos mandou fábricas montadas, objeto da revolução industrial, pontes de metal pré-moldadas, entre tantos outros benefÃcios que serviram para iniciar a consolidação, já do nosso PAÃS – não éramos mais atrelados a ninguém, apenas com quem tinham os interesses comerciais.
Desse novo contingente chegado, com o que existia aqui, uma raça ainda em formação a miscigenação deu-se desta forma definitiva, resultando no homem que de hoje.
Por aqui convivem juntos, em harmonia, judeus, americanos, ingleses, japoneses, chineses, indÃgenas, negros, pardos, islamitas, budistas, cristãos ortodoxos, católicos romanos, italianos, chilenos, argentinos, equatorianos......enfim de toda parte do mundo aqui há representantes, que nutrem por este PaÃs, que ao longo do tempo tomou conhecimento da sua condição, de não pertencer a um, dois, ou três, e extremar em dizer que não tem dono, ou que seus donos são os que por aqui chegam, e se abraçam no aeroporto, nos portos, nas rodoviárias.
Brasil é um paÃs de todos. Aqui ninguém persegue ninguém, aqui UM ESTRANGEIRO, SE VEIO, SE ABRAÇOU ALGUÉM NO AEROPORTO, NO PORTO NA RODOVIÃRIA, É UM BRASILEIRO.
Eu tinha só uma coisa a acrescentar. Eu vi uma cena agora em Fortaleza deprimente que nos coloca na posição de povo sem auto-estima. Eu vi uma menina negra, sentar-se numa mesa de italianos, velhos conhecidos, porque esta menina tinha dois filhos dele. E ele só estava a passeio, com um grupo, curtindo.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!