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Bumba-meu-boi em coleção

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Itevaldo Júnior · , MA
2/4/2006 · 63 · 1
 

A paixão do professor universitário Carlos Menezes pelo bumba-meu-boi remonta aos tempos de morada na terra do maracatu. "Quando vim para cá, eu conhecia pouca coisa do bumba-boi, mas o pouco que eu sabia já me deixava entusiasmado. Ao chegar aqui, saí em busca dos discos da brincadeira, nas lojas especializadas, sebos, nos centros de cultura, enfim. Consegui reunir um bom material, que continua a crescer com a compra dos CDs", conta.

A menina dos olhos de Carlos Menezes é o disco do Boi da Madre de Deus, primeiro registro fonográfico do gênero no Estado. Gravado ao vivo, o disco teve a direção de Stockler de Moraes. Segundo o cantador Roseno, que participou do disco, a gravação foi feita em 1971. Do vinil, além de Roseno, participaram nomes como Manoel Pinto, Luís Chofer, Ari Lobo, Nhô Cristo, Manoel Onça e Orpila, entre outros.

No acervo de Carlos Menezes podem ainda ser encontradas as primeiras gravações em disco dos bois de Morros, Maracanã, Ribamar, Sítio do Apicum, Axixá, Redenção, Coroatá e Periz de Cima. O bumba-meu-boi de Axixá é o recordista de discos da coleção, são 11 no total. Seguido pelo batalhão da Maioba, com seis e Madre de Deus, com cinco. Na trupiada de preciosidades, está o primeiro disco do boi de Morros, com gravações de Lobato, Leocândida e Ercias. Lançado em 1984, o disco fazia uma homenagem a José Hugo Lobato (Zuza Lobato), patrono da brincadeira.

Dos batalhões de matraqueiros, destaca-se o disco Ilha Encantada, do Sítio do Apicum. Do bumba-meu-boi de Ribamar, de 1984, destaque para as toadas Lá Vai Morena, Eu Também Vou Cantar prá meu São João, na voz dos cantadores Cantanhede e Preto. Do batalhão ribamarense tem ainda a excelente Meu Tamarineiro.

Do sotaque de zabumba, o boi da Liberdade, com os cantadores Dico e Givaldo, é uma boa pedida. Também é bom ouvir os bumbas-meu-boi do Coroadinho, São Simão, Iguaíba, Humberto de Campos, Pindaré e Bequimão. Além da mais autêntica trupiada, Carlos Menezes guarda ainda discos como o do 1º Festival de Toadas de Bumba-meu-boi do Maranhão, Ilha do Amor e Música Popular do Norte.

O disco do Festival de Toadas de Bumba-meu-boi do Maranhão reúne as toadas de 12 grupos de bumba-meu-boi. Entre os cantadores, participaram do registro Zé Olhinho, do Boi de Pindaré; Preto, de Ribamar; Manequinho do boi de orquestra de Axixá; Leonardo do Boi de Iguaíba; e Humberto de Maracanã, do Bumba-boi de Maracanã.

Para se ter uma idéia da preciosidade, foi nesse festival que o cantador Humberto de Maracanã cantou pela primeira vez a toada Maranhão, meu Tesouro, meu Torrão, que virou 'hino do Maranhão'.

Uma outra coletânea interessante do acervo de Menezes é o disco Ilha do Amor. O trabalho, idealizado pelo baiante Leôncio Rodrigues, reúne nomes dos bois de zabumba, orquestra e pindaré, como Bartolomeu Santos, o Coxinho, Josemar Prazeres, Joubert Queiroz e Manoel Leôncio. O saudoso Coxinho canta no disco as toadas Orgulho da Ilha e São João Padroeiro. Nesta última, ele afirma ser o folclore maranhense "o melhor do nosso país brasileiro".

A qualidade do acervo de Carlos Menezes não está apenas nas belas toadas dos discos e nem nas grandes vozes dos cantadores que as interpretaram. Impressionam também pelas obras de arte que são as capas de alguns destes discos, particularmente nos vinis dos bois de Barbosa de Rosário e do bumba-meu-boi de Bequimão, ambos no sotaque de orquestra.

Do quarto disco do Boi de Barbosa de Rosário, destaca-se o trabalho feito por Gersinho para a capa do vinil. Ele mistura aspectos arquitetônicos da cidade de São Luís com o bumba-meu-boi. Já o artista plástico Fransoufer fez para o bumba-meu-boi de Bequimão, sua terra natal, um desenho com o auto do bumba-meu-boi. Os discos, claro, são guardados a sete chaves.

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wladbelem
 

wladbelem · Belém, PA 8/11/2007 10:10
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