Luis Antonio Cajazeira Ramos é um poeta baiano que olha tudo de cima, como a Lua no poema de Pessoa, altaneira e inteira. Cajazeira não fica no acostamento, pega sempre a dianteira, a estrada pro soneto, subvertido. Aposta na forma. Premiado pela academia de letras, mandou um amigo com procuração para receber o prêmio. Resposta dura à censura aos seus versos, que os imortais queriam tesourar aqui e ali. Após jejum de quatro anos, retomou a veia venal e a produção é inacreditável. Inacreditavelmente boa. Agora, Cajazeira trabalha numa antologia. Quer o sumo de tudo o que produziu de poesia na vida inteira. Três livros. E ainda envereda pelo terreno da prosa, com idéias incrÃveis para contos. É nisso que trabalha incansavelmente. Outro dia achou um tempinho para mim e veio me entregar pessoalmente um exemplar de Brokeback Mountain, o conto. É que nunca aceitei o convite para ir ao cinema enquanto o filme, que ele viu quatro vezes, esteve em cartaz. Fomos nós, orgulhosamente, que operamos o prodÃgio juntos. Eu, Brokeback Mountain e Bishop (ou teria sido Dickinson?). Fico com preguiça de explicar o processo todo. Fui só recebendo poema após poema, aquela maravilha de versos, a forma se derramando entre as medidas, a expressão de tanto sentimento fluindo numa direção única: o amor.
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