Adentrando os porões arquivados num Brasil desmemoriado em Dossiê Jango
Por Julio Cruz
31 de Março de 1964. João “Jango” Goulart é deposto pelos militares depois de um processo de construção de uma mitologia nos entornos das reformas de base e a similaridade com o comunismo na melhoria da vida do povo. Esse é o ponto de partida para a construção formulada sobre os ortodoxos documentários históricos e investigativos em Dossiê Jango. Nessa fomentação de um ponto de vista sobre a suspeita com a certeza da fundação de um caso em que há responsáveis afora da morte natural que Paulo Henrique Fontinelli coloca suas testemunhas para apresentarem seu discurso sobre o caso.
Incursões sobre as águas que cortam as terras de Maldonado e as fronteiras que exilaram o presidente deposto pelo regime militar são postas sobre a tela. Num sentido representativo de uma investigação digna de History Channel e suas veredas históricas que o longa carioca vai realizando uma incursão que aquém de suas certezas apresenta a duvida de um Brasil que não procura seus mortos. Os enterros são a caixões fechados e as vinhas da duvida são tratadas como doenças mentais, contra personagens que mesmo em arquivo, se apresentam enquanto precursores de uma certeza. É um afogamento nas fuguras dos milhões de relatórios que incursionam por uma série de questionamentos certeiros que apresentam a única resposta sobre o presidente morto em 76: assassinato por envenenamento.
Quando o Brasil inicia sua tardia jornada nas tentativas de descobrimento da verdade, é necessário que um cineasta aponte o dedo na faceta, no mínimo, irônica que compõe essa verdade. É um país que demora mais de 57 anos para se compor algum sistema de punição aos torturadores da nação, e que não se incomoda em descobrir a anedota encoberta por trás da morte de um ex-presidente.
Partindo dessa preposição de dialogo, se faz necessário à Paulo Henrique Fontinelli realizar o longa em direção ao fomento de um debate amplo, aquém de seu lado experimentador. Por isso, Dossiê Jango vem para inovar na construção de uma duvida, apesar de Fontinelli parecer não ter nenhuma. É um filme que aponta o dedo na cara da sociedade e faz pensar os “e se” do homem comum que perderam familiares durante os 21 anos da ditadura.
E se tratam um ex-presidente com tamanho descaso o que restará dos outros?
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