Experimentação cultural

Gleydson moreira
Integrantes dos grupos: Nova Saga, Legatto 7 e Cia Urbana de Dança
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Gleydson Moreira · Fortaleza, CE
11/8/2010 · 6 · 1
 

Antes de um início propriamente dito, peço licença a vocês leitores. Licença para não ser ortodoxo como mandam os dogmas assépticos do jornalismo produzido em escala industrial. Se o Tangolomango é um espaço da experimentação, peço a liberdade para arriscar-me nos reinos da literatice. Grato.
Eram 12 horas de ontem quando comecei a escrever. Em cerca de 20 minutos, eu já era alguém sem pátria ou história. Fomos das ruas de Bogotá aos becos do Bronx, onde ainda se escuta Afrika Bambataa e onde nasceu o hip-hop. Fui aos circos itinerantes e às senzalas, onde negros lutavam pelo direito de ser homens. Em 20 minutos, eu perdi minha pátria, minha nação agora era um continente, que se tinha alguma veia aberta, como escreveu Galeano, dela vertia música e suor.
Aqui o universo pareceu dobrar e os dicionários tornaram-se obsoletos. Cultura aqui não era um sinônimo para estética, e muito menos um sinônimo para estática, já que o ritmo se transforma sem que você nem o perceba, como postes em uma estrada na qual se viaja a 200 km por hora. O mundo é cosmopolita demais para não ser taxado como “universal”. E o ritmo permaneceu assim até o almoço.
Ao voltarmos do almoço, quem dita o ritmo é o finado rei do Pop, mas em um estilo que com certeza veio da parte do continente que fala espanhol. Aqui são todos de muitas cores e muitos idiomas. Enquanto escrevia, a Cia Urbana de Dança intercambiava passos com um dos integrantes do El Circo del Mundo. E no mesmo clima de intercambio o rap baiano do Nova Saga se faz ecoar no teatro do Sesc Iracema, seguido pelos colombianos do Legatto 7, que sentenciam que o corpo é um instrumento e iremos movê-lo como quisermos. E os corpos se moveram naquele teatro até 16 horas, quando ganharam o mundo.
O poente se iniciava na praça verde do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar quando os grupos Legatto 7, Nova Saga e Boi Ceará iniciavam uma capela. Era impossível o grupo não atrair a atenção de transeuntes, operários, seguranças e roqueiros que habitam aquele lugar. Ventava bastante, e quem sabe o vento não levasse a música até o Centro, onde provavelmente se perderia entre os anúncios, preços e jingles de campanha que mediocrizam o ambiente nesta época do ano. Ou quem sabe nem ao menos atravessasse as paredes do Dragão do Mar. São apenas possibilidades. E é o que move esta iniciativa: possibilidades, que, vale ressaltar, são infinitas.

Texto: Renato Souza

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Viktor Chagas
 

Opa, Gleydson e Renato,

Bom texto. Renato, acho que o caminho é esse mesmo: o espaço é aberto para a experimentação. E ótima a tua colocação de que "perdeu a pátria". Fiquei pensando que "perder a pátria" é como "perder o chão", não ter mais referência nenhuma - e, ao mesmo tempo, flutuar. :)

Queria ouvir mais sobre o Nova Saga e a Companhia Urbana de Dança. São grupos grandes mesmo? A integração entre eles e os demais foi bacana?

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 10/8/2010 15:12
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