O maior susto não está mais no cinema de terror. Aqueles que demônios visitam a terra para atormentar a vida de uma inocente famÃlia. O que perturba hoje não está mais no cinema, mas ao nosso lado, nos noticiários, na rua, a nossa volta. Quem vive em uma grande cidade insiste em achar comum a miséria que “agride†os nossos olhos. Estamos “espertos†para não sermos surpreendidos pela violência que está ao nosso redor.
O filme de terror nunca esteve tão presente em nossa rotina como está atualmente. Sempre fiquei perturbado com filmes que narram fatos e causos que pode acontecer com qualquer um. São histórias do horror causadas por uma pessoa para outras pessoas. Claro que no cinema tudo é planejado para o inesperado acontecer. Muitas vezes os personagens provocam situações.
Na “vida real†tentamos tomar alguns cuidados, porém, naquele segundo de bobeira, pode nos acontecer alguma coisa. Pouca gente pegaria uma estrada deserta para apenas apreciar a paisagem. Muito menos seguirÃamos a orientação de um cavernoso frentista como acontece no filme “Viagem Maldita†(The hills have eyes, 2006), remake de “Quadrilha de Sádicosâ€. Falo desse filme porque foi o mais recente dessa linha a que assisti. Existem ainda exemplos como “O Albergueâ€, “Rejeitados do Diaboâ€, “O Iluminadoâ€, “IrreversÃvelâ€, além de tantos outros.
O que choca não são as cenas sangrentas, produzidas para atingir o público que gosta de ver o sangue dos outros jorrado na tela. O que incomoda é que entre nós existem psicopatas e estupradores que fazem o mesmo. Agora, neste momento, em alguma parte do mundo pode estar acontecendo algo similar.
Andamos na rua e vemos crianças catando papel para sobreviver, pedindo esmola para dar aos seus pais que estão na esquina, esperando para receber o “suado†dinheirinho. Vemos na televisão o noticiário dizendo das pessoas que morrem de fome. E não é só na Ãfrica. No Brasil centenas de pessoas morrem por falta de oportunidade, pela falta de perspectivas.
Voltamos aos pontos fortes do filme. É um filme de terror, muito mais sanguinário que o original, mas existem algumas metáforas que podem ser adaptadas à nossa realidade. Para quem não assistiu à “Viagem Malditaâ€, o filme é dirigido pelo francês Alexandre Aja, estreante no cinema estadunidense. A famÃlia Carter está em férias e viajam pelo deserto dos Estados Unidos (o longa-metragem foi rodado em Marrocos). Ao parar em um posto o frentista recomenda um atalho: “Vocês ‘ganharão’ umas duas horasâ€, diz.
No atalho um “acidente†estoura os pneus. A região em que a famÃlia se encontra foi utilizada em décadas passadas para testes nucleares e não possui sinal de celular ou de rádio. A partir de então seres mutantes atacam a famÃlia em busca de sangue. Nas entrelinhas do filme percebemos as diferenças ideológicas entre Democratas e Republicanos quando o genro não quer pegar uma arma.
O filme também nos faz lembrar os excluÃdos, aqueles que de alguma maneira são esquecidos pela própria sociedade. A diferença entre eles e o “nosso mundo†é que na cidade, pelo menos creio eu, não temos seres mutantes como os do filme. Os personagens da vida real também são sobreviventes, que lutam da melhor maneira para ter um amanhã.
O filme termina, o horror cessa e o projetor pára. Já na vida real a história é outra. Ao sairmos na rua logo voltamos a realidade, pois, ali, perto daquela porta, tem um homem lhe pedindo uns trocados para comer.
Ótima reflexão
Pea que não chega aos ouvidos dos nossos parlamentares, que insistem em usar o cinheiro arrecadado com a CPMF para outros fins, sem ser o do seu destino original: melhorar a saúde em nosso paÃs.
Penso que estamso começando a desenvover uma visão mais crÃtica da realidade.
Como educador, procuro apresentar este lado para meus alunos, e dar o mpinimo d eexemplo tb, claro.
Excelente, a comparação, é a mais pura verdade.
Vivemos num mundo, cheios de inseguranças e risco de vida por toods os lados.
gostei muito das sua coloações.
Abraços de sua vizinha.
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