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Fortaleza ganha mostra de Alejandro Jodorowsky

divulgação
El Topo é faroeste surrealista gravado em 1970
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Katia Karan · Fortaleza, CE
2/8/2010 · 1 · 0
 


Filmes serão exibidos nesta quarta (4), quinta (5) e sexta (6) de agosto na Vila das Artes

Alejandro Jodorowsky, chileno de nascimento é cineasta, dramaturgo, literato e ensaísta, também é tarólogo, especialista em psicomagia, não a toa é chamado como o “mago multimídia”. Seus filmes vieram a tona a pouco tempo pois foram impedidos de circular por causa de uma briga com o produtor. È considerado um dos precursores da arte multimída. Artista típico da contracultura criou o Moviment Panique (Teatro do Pânico) juntamente com os espanhóis surrealistas Fernando Arrabal e Roland Topor.
Escreveu diversos livros e peças teatrais, além de dirigir peças de vanguarda em Paris e na Cidade do México. Ainda criou a tira de história em quadrinhos “Fábulas Pânicas”, e exibiu pela primeira vez o filme “Fando y Lis”, em 1967, baseado em uma peça de Arrabal, no festival de Acapulco no México. O filme não foi bem recebido e o diretor precisou sair pelas portas dos fundos do teatro.
Já seu segundo longa, “El Topo”, lançado timidamente em 1970 nos EUA, ganhou repercussão devido a admiração expressa por John Lennon e Yoko Ono. Com uma bilheteria expressiva o filme ficou marcado como o primeiro “midnight movie” da história.
Devido aos anos de “processo” com o produtor até há pouco tempo o público não tinha acesso as obras cinematográficas de Jodorowsky, a não ser por exibições clandestinas. Só em 2006 suas obras foram exibidas em Cannes depois de restauradas. No Brasil o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro fez algumas exibições e o Centro Cultural do Banco do Brasil realizou um festival com os sete filmes do cineasta.
A mostra chega agora a Fortaleza promovida pelo Sesc com o apoio da Vila das Artes, equipamento da Prefeitura de Fortaleza, espaço voltado para a formação em artes, apoio a produção, incentivo a pesquisa e difusão cultural.
A mostra Jodorowsky fica em cartaz dias 4, 5 e 6 de agosto, sempre a partir das 18h30, na Vila das Artes – Rua 24 e Maio, 1221, Centro. Na programação quatro (dos sete) filmes do cineasta: A Gravata, um curta produzido em 1957; Fando e Lis, protótipo da contracultura realizado nos áureos 1968; o famoso El Topo, da era hippie, de 1970 e a Montanha Sagrada, de 1973. Informações pelo telefone (85) 3252-1444. Grátis.

Programação

Dia 4
A Gravata (1957)
Enveredando no mundo das imagens o diretor grava o seu primeiro filme em Paris. Uma versão muda de um conto de Thomas Mann, sobre uma garota que vende cabeças. O filme foi considerado perdido, mas recentemente encontrado na Alemanha. Jorodowsky disse uma vez que não tinha experiência nenhuma quando filmou A Gravata “mas nela se pode apreciar que eu já era diretor. Um artista precisa ser como Jean Cocteau.. esquizofrênico...”

Fando e Lis (1968)
O primeiro filme relevante do cineasta, adaptado de uma bizarra história de amor louco e inatingível criada por Fernando Arrabal em torno de um impotente Fando guiando sua namorada paralítica numa cadeira de rodas em direção à cidade encantada de Tar, em busca do êxtase espiritual. A viagem interior dos personagens representa o que desde então seria a quintessência do cinema de Jodorowsky, fruto da época da contracultura. O filme mais poético do diretor, o mais triste e belo. Basta dizer que na sua primeira exibição na Cidade do México, os espectadores enfurecidos interromperam a sessão, e o filme foi banido do país durante anos.

Dia 5
El Topo (1970)
Faroeste surrealista, com altas conotações metafísicas, espirituais e simbólicas, é uma intensa alegoria em torno de um pistoleiro que vaga pelo deserto do Oeste em busca de constantes desafios duelando com os mais diversos mestres. O que acaba gerando uma das mais alegóricas viagens interiores do cinema de Jodorowsky. Era o filme preferido de John Lennon, que comprou seus direitos de exibição, além de ter financiado o filme seguinte de Jodorowsky, “A Montanha Sagrada”.

Dia 6
A Montanha Sagrada (1973)
Jodorowsky interpreta o papel do “alquimista” que reúne um grupo de pessoas que representam os planetas do Sistema Solar. Sua intenção é submeter o grupo a uma série de ritos de natureza mística para que se desprendam de sua bagagem “mundana” antes de embarcar numa viagem em direção à misteriosa Ilha de Loto. Talvez a obra-prima do diretor, o mais delirante e poderoso de seus filmes, o que carrega as imagens mais desafiadoras de sua filmografia. Nunca ninguém tinha visto nada igual até a data de lançamento. Foi a grande obra ovacionada no festival de Cannes em 1973.


Serviço:
Mostra Jodorowsky , quarta (4), quinta (5) e sexta (6) às 18h30 na Vila das Artes, Rua 24 de Maio, 1221, esquina da Menton de Alencar, Centro. Informações pelo telefone 3252-1444. Realização em parceria: Sesc e Vila das Artes. Grátis.

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