Graffiti poético: leitura do graffite brasileiro

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Debora Prado · Belo Horizonte, MG
19/12/2009 · 3 · 1
 

O graffiti nova-iorquino e o parisiense possuem linguagens distintas, sendo que o perfil estético do graffiti nova-iorquino acrescenta elementos ilustrativos que transcendem a tipologia natural, dando maior ênfase à imagem, enquanto que em Paris as mensagens eram deixadas nos muros sem qualquer figura ou distorções de letras. Mas o graffiti brasileiro exibe uma linguagem própria que mistura estes dois elementos.

No Brasil, Alex Vallauri, artista gráfico brasileiro, iniciou em 1978 intervenções do gênero com pinturas murais e produções anônimas nos muros de São Paulo. A partir daí a leitura brasileira do grafite apresenta um resultado híbrido, que mescla elementos franceses e norte-americanos, dada a utilização simultânea de frases e ilustrações, resultando em palavras sofisticadas graficamente.

O uso simultâneo da Imagem e da Palavra aproxima o graffiti brasileiro de outras manifestações artísticas como a poesia concreta, que tem como eixo de similaridade a interpretação da palavra pela imagem.

Contrariando alguns que consideram o graffiti como contravenção e outros que duvidam que seja arte e apenas uma expressão artística, o graffiti já ganhou galerias e museus, entrou no mundo da moda em cenários e desfiles, está em fachadas de lojas e paredes de casas noturnas. A novidade é que o graffiti tem entrado nas casas, decorando paredes; os temas usados nas decorações vão desde a arte pop, imagens abstratas na sala, quartos, cozinhas e até banheiros, fazendo do ambiente um espaço único e original.

O graffiti tem se consolidado como arte contemporânea em suas vertentes que compõem a Street Art através de trabalhos produzidos pelos artistas, permitindo que admiradores e colecionadores possam entender e usufruir da imensa riqueza de formas, cores e de sua intrincada rede de relações culturais e sociais expressando a liberdade da linguagem dos seus autores. No Brasil, a poesia também está nos muros!



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Ben-Hur Demeneck
 

Debora, gostei da sua abordagem. Se tiver mais textos sobre graffiti, publique aqui no Overmundo. Além de mim devem ter muitos outros curiosos pelo tema. Uma sugestão: este texto poderia ser ilustrado por modelos nova-iorquinos, parisienses e brasileiros. Por se tratar de uma forma de expressão visual, as imagens se encaixariam bem na sua proposta de diferenciação dos estilos.

Ben-Hur Demeneck · São Paulo, SP 30/7/2010 13:54
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