Groovie Records – o rock brasileiro em Portugal

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Roberta AR · Brasília, DF
17/6/2008 · 110 · 0
 

A primeira vez que ouvi falar da Groovie Records foi em 2006. Era uma nova gravadora independente portuguesa, que só edita em vinil e que, já no seu início, trabalhava com um pé no Brasil. Literalmente. Foi quando conheci Edgar Raposo, um dos homens por trás do selo, em sua primeira viagem ao país, o outro é Luís Futre. Trocamos figurinha sobre rock brasileiro e português, apresentei umas bandas obscuras dos anos 80, o difícil foi achar algo novo, o cara já conhecia até Akira S. e As Garotas Que Erraram!

Naquele tempo, começaram as parcerias no nosso país. A partir dali, a Monstro Discos se tornou distribuidora da Groovie Records, no Brasil, e a Groovie da Monstro, em Portugal. Logo depois veio a gravação de um vinil split 7” com os Autoramas de um lado e Green Machine, de Portugal, do outro. Em seguida foi lançado o LP Brazilian Surf A-Go-Go volume 1, com mais de vinte bandas brasileiras, entre elas de novo os Autoramas, Pata de Elefante, The Dead Rocks, Estrume'N'Tal, Cochabambas, Super Stereo Surf, Los Tornados e Capitao Parafina e Os Haoles.

A série Fuck CD Sessions, do MQN, impressa em vinil, também faz parte do catálogo do selo. Mas isso é só o começo.

Em 2007, foi lançado o vinil de 10” The Jam Messengers, de Rob K. e Uncle Butcher. Rob K é estadunidense e está na estrada desde os anos 70 e Uncle Butcher atualmente se apresenta com sua monobanda (And His Oneman Band) e é ex-integrante do Thee Butchers' Orchestra, de São Paulo


Mas foram Os Haxixins a grande aposta do selo ano passado. O grupo é da zona leste de São Paulo e tinha feito pouquíssimos shows quando fechou contrato com a gravadora. Eu cheguei a fazer uma entrevista com eles nessa época, para o programa Plano B, da Rádio Castrense, em Portugal, apresentado pelo Edgar.

A banda acabou virando grande revelação para o público de garagem, de acordo com diversas publicações e podcasts europeus, entre elas a Luv Radio, em que Gary Wilde afirmou ser “uma das mais autênticas bandas de garagem que ouvi em muito tempo”. No início de abril deste ano, Os Haxixins partiram para uma turnê em quase trinta cidades de Portugal, Espanha e Itália, produzida pela Groovie Records.
Os Autoramas também já fizeram pelo menos três turnês por lá com o apoio do selo e devem fazer mais uma em 2008. Além disso, muitos músicos acabam tendo guarita na casa do Edgar. No Bananada 2008, bati um papo com o Kuti, o Lendário Chucrobillyman, que esteve hospedado por lá ano passado, quando fez alguns shows em Lisboa com sua monobanda.


Recordar é viver
Nem só de revelações vive a Groovie Records. Eles têm apoiado todo o tipo de trabalho de registro histórico do rock português. A exposição Nova Vaga – O Rock em Portugal, uma de suas produções, é um passeio no Rock'n'roll, Pop Music, Garage e Psych Rock produzido em Portugal entre 1955 e 1974.
A Groovie também editou um compacto do primeiro roqueiro português, Joaquim Costa, que faleceu no começo deste ano, além de ajudar na distribuição dos LPs Portuguese Nuggets, que editam clássicos do rock daquele país.
Mas o que o Brasil tem a ver com isso? Não são só os clássicos portugueses que estão na mira do selo. Em 2008, foram editados dois LPs de bandas brasileiras dos anos 60: Baobás, “para muitos eles são uma das melhores bandas de garagem já gravadas no Brasil no final dos anos 60”, e The Brazilian Bitles, “a mais prolífica banda dos anos 60 no Brasil. Eles lançaram muitos EPs e alguns LPs, gravando mais de 30 músicas”.
E não deve parar por aí. Há alguns meses mandei para Lisboa um LP de uma banda que gravou nos anos 70, em Natal. Vamos ver o que rola.


Um braço no quadrinho
Uma das atividades do Edgar é seu trabalho com ilustração. Ele é um dos colaboradores do almanaque Bongolê Bongoró #2, que traz trabalhos de mais três portugueses, uma estadunidense e mais dezoito brasileiros. Em fevereiro deste ano, quatro representantes da revista, entre eles, eu, foram convidados para o Brucutumia 2008- Encontros de Arte Urbana Luso- Brasileira, que teve uma feira de fanzines com várias publicações brasileiras.
O evento foi promovido pela Groovie Records e pela Associação Chili com Carne (CCC), em Lisboa. Viajamos com o apoio do Ministério da Cultura e fomos gentilmente hospedados por Edgar e Flávia Diab, a esposa brasiliense. Deste encontro resultaram parcerias de trabalho e de distribuição da CCC pela Kingdom Comics, em Brasília, além da venda da Bongolê #2 e algumas outras revistas brasileiras pela CCC.


Integração continua
A banda portuguesa Born a Lion fez um turnê no Brasil com o MQN, em meados de 2007, por conta dessas parcerias encabeçadas pela Groovie Records, principalmente com a Monstro Discos, e que deverá continuar nos próximos anos. Assim, mais bandas brasileiras irão para a Europa e mais bandas portuguesas virão ao Brasil. O Edgar falou um pouco sobre isso no programa da Tramavirtual que tratou da produção internacional e que foi ao ar no último mês de abril.

Mais sobre a Groovie Records em:
Site: www.groovierecords.com
Myspace: www.myspace.com/groovierecords

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