Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Guerreiros da literatura

Roberto Martins/Irará (BA)
1
Patrick Brock · Salvador, BA
21/6/2006 · 101 · 0
 

Grupos independentes fomentam o hábito da leitura e investem em novas linguagens de fusão entre literatura e música

Como fomentar a literatura em um estado com 13 milhões de habitantes e menos de seis bibliotecas públicas? Esta é uma questão que ultrapassa a carência de casas editorias na Bahia, e esbarra nas políticas educacionais públicas e no próprio acesso à literatura. Enquanto o governo do Estado investe em publicações e selos próprios, grupos independentes tecem uma teia de palestras, oficinas, eventos e até apresentações envolvendo poesia, prosa, música e conscientização sobre a importância de ler.

Para o poeta Douglas de Almeida, 50 anos, é preciso aumentar o número de bibliotecas, principalmente as escolares, e incentivar a leitura literária. "Você só pode estimular o hábito da leitura através do prazer na atividade. Uma questão é publicar e distribuir livros - na Bahia, até que se publica, mas não se distribui, às vezes o Estado publica o livro mas não manda para o interior, para as suas próprias bibliotecas. É preciso levar os escritores para as escolas, especialmente no ensino fundamental, criando um contato entre o autor e o público." Douglas é um dos organizadores da Biblioteca Prometeu e da Biblioteca Bety Coelho, no bairro da Boca do Rio, com um acervo de 6 mil livros voltados para a literatura baiana, principalmente, e também infanto-juvenil.

A trajetória da biblioteca começou em 1994, com apoios sazonais da prefeitura. O objetivo era levar poetas e atores para as praças públicas e as praias, facilitando o acesso à literatura e a arte com recitais de autores novos e consagrados, como Ildásio Tavares e Guido Guerra. Em 1999, sem uma sede fixa, o projeto entrou em crise, mas voltou à ativa com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviços, ligada a igrejas cristãs mais progressistas. Em 2004, o apoio da Petrobras permitiu o aluguel de um espaço fixo na Rua Gustavo Santos, n. 38 (Boca do Rio).

Antes, conta Douglas, a demanda era de crianças e adolescentes, mas também de adultos. Atualmente, o trabalho está voltado mais para os jovens, com convites para visitas de escolas e a iniciativa Viva Poesia Viva, que escolhe poetas para ciclos de leituras e discussões. "Trabalhamos a questão do livro, mas achamos importante também a oralidade, como uma estratégia. Às vezes a criança não tem um hábito de leitura, mas através do recital, sente-se mais próxima, e isso também humaniza a relação, quebrando as barreiras entre leitores e autores", conta Douglas. Os poetas do mês de junho foram Fernando Pessoa e Allen Ginsberg, entre outros.

Em Irará (128km ao norte de Salvador) o estudante de Produção Cultural da UFBA Roberto Martins, 28 anos, ajudou a organizar em março de 2005 o Colóquio de literatura. O evento de quatro dias, na Casa de Cultura de Irará (associação civil sem fins lucrativos), enfocou o cordel com apresentações, palestras e oficinas. Dentre as atrações musicais, Roberto chama a atenção para a banda Solo Pedregoso. Parte de seus integrantes é originária do Piauí, e a proposta é misturar sons regionais com rock, blues e reggae. O nome da banda, explica, é uma analogia ao difícil mercado musical para músicas mais elaboradas, ao cotidiano duro do sertanejo e uma expressão do Piauí - quando uma música é boa, é "pedra".

O evento teve a participação de cerca de 300 pessoas e contou com patrocínio do edital de cultura do Banco do Nordeste, que renovou o financiamento para o projeto em 2006. "A semana ajudou a chamar a atenção da população para um tema pouco discutido, mas é preciso dar prosseguimento", diz Roberto, reclamando da falta de recursos para a construção de uma nova sede da Casa de Cultura em Irará. Um amplo terreno, doado em 1985 para a associação, está com o IPTU atrasado e a organização da Casa de Cultura é difícil - um pequeno retrato da situação da cultura no interior do Estado da Bahia, onde o investimento em bibliotecas e literatura, segundo o poeta Daltro, "não dá visibilidade aos políticos".

O grupo Poesia P/B, de Salvador, oferece um pouco de vivacidade ao mundo acadêmico e empoeirado da literatura, através da fusão de poesia e prosa com música ao vivo, um "Recital Poético Musical Instantâneo". O estudante de História da Faculdade Jorge Amado e poeta Glauber Albuquerque, 23 anos, conta que a idéia foi gestada em um primeiro grupo, "As flores mortas do palhaço", em 2002. ""A proposta era reunir as pessoas, nos finais de semana, para tomar umas e fazer alguma coisa produtiva. Mas também queremos valorizar a poesia e a literatura" diz Glauber. Após o fim de "As flores...", Glauber formou com a ajuda de outros colaboradores o grupo Poesia P/B, que fez sua primeira apresentação na abertura da Semana de Letras da Universidade Católica do Salvador (Ucsal). No dia 3 de junho, realizaram a segunda apresentação no Café Ateliê JC Barreto, n. 491, no fim de linha de São Caetano, bairro periférico de Salvador. Participam do Poesia P/B, além de Glauber Albuquerque, os jovens Harrison Luis, Pedro Pã, Rafael França e Thiara Lotus.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Revista Overmundo nº 6: esquentando as turbinas!

A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados