Névoas Amazônicas

www.geopara.pa.gov.br/mapas_meioambiente.htm (SECTAM)
Queimadas em Rondônia
1
MakacoKósmico · Porto Velho, RO
14/11/2007 · 2 · 2
 

Cenário

Porto Velho, capital do então Estado federativo de Rondônia.
Ano cristão 2007 d.C;
129 anos depois do início da saga extrativista da seringa;
60 anos depois da saga extrativista da Cassiterita;
Aproximadamente 45 anos depois do loteamento do estado pela ditadura, com a abertura da BR-364;
9 anos após a criação da Lei de crimes ambientais, nº 9.795/06;

Análise

Ainda não vivemos em uma metrópole, apesar dos 1.562.417 habitantes oriundos dos mais diversos cantos do Brasil, principalmente Sul e Nordeste. Contudo, como se estivéssemos em uma, nos vemos adornados por uma densa névoa desconcertante que encobre nossos pensamentos mais íntimos.

Assim como nas metrópoles, isso decorre da conseqüência acarretada pela ação adotada pelos hominídeos, vigentes do século XXI neste planeta. Esta ação se define através do modelo de desenvolvimento sócio-econômico excolhido, com características hegemônicas, homogenizantes, hierárquicas, desperdiçadora, preconceituosa e excludente.

Esse sistema de desenvolvimento vigora tanto numa metrópole quanto numa cidadezinha do interior. A reflexão nos leva a obviedade lógica de que nossa contribuição nociva não advêm dos mesmos motivos metropolitanos, afinal por aqui não temos fábricas titânicas, nem mega-populações consumidoras de automóveis, muito menos usinas termoelétricas e seus canhões de fumaça.

Entretanto possuímos um costume estranho manifestado em certas épocas do ano, como hoje por exemplo, que produz o incomum fenômeno que faz com que, para onde quer que se olhe, vejamos construções absortas em uma serena introspecção opaca, onde ninguém sabe o começo nem o fim do horizonte ao seu redor.

Pontualmente possuímos resultados visíveis de uma venda nebulosa que encobre a consciência societária. Uma névoa que enfeita a dança de fuligens negras em um ambiente de terror contextualizado por uma guerra silenciosa. Dizem ser a época das queimadas...

Reflexão

Falou-se certa vez que a crise ambiental é uma crise de civilização¹. Por vários motivos, dentre eles o de ter perdido parcialmente, ou por completo, o sentido natural de pertencimento ao seu meio natura, ou original. Cremos no pensamento louco de que a natureza é a invasora em nossa qualidade de vida. Cultivamos fantasmas paisagísticos em nossos jardins. E vemos toda a diversidade de vida ao nosso entorno como recurso natural infinito.

Em oposto a confiança nos extintos básicos, passamos a valorizar outra necessidade; a de ter dinheiro. Nossas existências passam a ser regidas por um único fim, onde o dinheiro é co-participante em nossa inúmera variedade de caminhos pela vida. Nossos outros extintos passaram agora a se regir pela única condicionante de sobrevivência num planeta globalizado; ter dinheiro.

Por conta dele adquirimos a capacidade “bélica” de nos destruirmos plenamente. Mas atente-se para o fato de que não falo de uma bomba atômica, ou qualquer outro artifício militar de destruição em massa. Falo de um inimigo interior e sorrateiro chamado egoísmo humano, ou senso individualista. Esse hospedeiro de visibilidade impossível foi favorecido pelo benefício biológico da evolução das espécies. Essa “evolução”, que ampliou nossa massa encefálica e nos tornou intelectualmente “superiores” aos outros animais, permitiu com que esta vantagem genética fosse apoderada pelo nosso invasor através das nossas necessidades de sobrevivência. Agora contribuímos integralmente com o adoecimento do maior macro organismo vivo que conhecemos; A Terra.

Fatos

Retornando dessa divagação filosófica aproveito para fazer uma referência a uma notícia, veiculada num jornal de circulação impressa e local, que afirma a entrada do Brasil no Guinness Book, versão 2007, por dois grandes recordes mundiais: Possuir a maior extensão de floresta do Planeta; e por também possuir o maior índice de desmatamento do mundo.

As queimadas, assim como extrativismo madeireiro predador, contribui decisivamente para a desertificação e redução da biodiversidade na Amazônia, pois representa praticamente 75% do equivalente às emissões de CO² do Brasil inteiro. Como conseqüência disso o planeta é impedido de se auto-regular ao mesmo tempo em que é agredido pelo aquecimento planetário. Se fossemos focar a discussão localmente, a política governamental de agrobussiness possui grandes méritos por mais esse recorde tupiniquim.

Ironicamente os comentários que visualizamos pelos meios informativos não são motivos de comemoração, como assim veicula a voz estatal. Grandes prejuízos econômicos, tais como suspensão de vôos comerciais, incluindo os de entrega de correspondências, pouca visibilidade nas estradas resultando em acidentes, assim como também os prejuízos para a saúde do Porto Velhense. Em referencia às doenças respiratórias que afligem principalmente as crianças, são registrados a cada dia, de turva vergonha socioambiental, inúmeras entradas tanto nos hospitais públicos quanto nos privados. Ou seja, estamos falando de uma coisa que independe de classe social.

A floresta e os povos que habitam nela passaram a ser considerados um impedimento ao desenvolvimento do País. Um país que oferece seu solo às indústrias poluidoras, eletro ou recurso-intensivas, devido à isenção de controles, jurídicos e estatais, dos impactos ambientais, só pode ignorar sua nação parcialmente, beneficiando apenas a uma minoria elitista, ou perdeu (ou nunca teve) noções morais e éticas de conduzir um País, e muito menos representar dignamente o seu papel no mundo.

Conclusão

Conceber que tempos de queimadas é inconseqüente! Incentivá-lo é geocídio!

Enquanto a sociedade e os que lhe governam dormem na babilônia de pedra, nações de diversas espécies terráqueas, em pânico, escorrem pelas chamas sedentas que destroem seus lares, e o odor da impunidade e da indiferença sobe aos ares junto às migalhas de vida em brasa, elevadas pelo calor do antropocentrismo.

Enquanto o mundo precisa de soluções emergenciais que busquem apaziguar sua febre global, os detentores da solução mais eficiente em contribuir com a absorção do carbono procede na contra-mão das idéias que podem ser a salvação deste macro-organismo cósmico. E esta densa névoa incinera nossas esperanças de nos desenvolvermos integralmente numa perspectiva sustentável do ponto de vista socioambiental.

Cenário

Planície amazônica, nas proximidades da bacia do Rio Madeira
Ano do Mago Lunar Branco, pelo calendário Maia.
5 anos restantes para o fim do terceiro e último grande ciclo, que termina em 2012, quando tudo se extinguirá para o início de uma nova era.

__________________________
1 - Manifesto pela Vida. Elaborado no Simpósio sobre Ética e Desenvolvimento Sustentável, Bogotá – Colômbia. 2002. Item Um.

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Marcos Paulo
 

Oi Anticorpo de Gaia, beleza?

Quantas informações interessantes. Mas teu post não faz parte do foco do Overmundo - que é divulgar a cultura produzida no Brasil. Isso deve ter acontecido devido ao teu recente cadastro aqui no site. Normal.

Por isso, sugiro que você leia esses dois links: esse e esse.

Caso apareça dúvidas, sinta-se a vontade pra falar comigo, tá?

:)

Marcos Paulo · Rio de Janeiro, RJ 12/11/2007 22:00
1 pessoa achou til · sua opinio: subir
MakacoKósmico
 

Obrigado Marcos,
Com essa ajuda ficou mais fácil.
Me atentarei para essas questões daqui para a frente. Contudo, por enquanto, creio que este texto não vai de encontro aos princípios do site por se tratar de um Artigo informativo, que de certa forma relata uma cultura daqui, a das queimadas.
Sendo daqui concordarás que uma discussão tão importante merece o foco e o discernimento crítico dos leitores do overmundo.
Desde agora agradeço por compreender.

MakacoKósmico · Porto Velho, RO 13/11/2007 00:01
1 pessoa achou til · sua opinio: subir

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