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"Noitada de Samba" estreia no Festival do Rio

Divulgação
Documentário sobre evento que marcou a música será exibido dia 27 de setembro
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Marcelle Braga · Rio de Janeiro, RJ
22/9/2010 · 27 · 0
 

“A correria é inevitável: a sala não tem cadeiras numeradas e o melhor lugar é o de quem chega primeiro. Sem perder o bom-humor – e isso é importante – as pessoas se empurram e se atropelam na escada que dá acesso à platéia. Ninguém liga para o desconforto, nem para a falta de espaço. O ar-condicionado é insuficiente, mas o calor também não chega a ser problema. As atenções, sem exceção, se voltam para um palco propositalmente despojado e bem iluminado. São as Noitadas de Samba do Teatro Opinião, espetáculos que se repetem, há cinco anos, todas às segundas-feiras, religiosamente”.

O trecho da matéria acima, publicada na revista Fatos e Fotos de novembro 1976, descreve o ambiente deste evento que marcou a história do samba e lançou nomes como Bete Carvalho, Alcione, D. Yvone Lara, Leci Brandão, Monarco, Paulinho da Viola, entre tantos outros pesos pesados do samba e da música brasileira, e que acaba de virar documentário, dirigido pela jornalista Cély Leal. A pré-estréia será dentro da Mostra Competitiva do Festival do Rio, no Cine Odeon, dia 27 setembro, às 17h. No dia seguinte, às 13h, haverá exibição no Pavilhão do Festival, seguida de debate com a diretora do filme.

Idealizada por Jorge Coutinho e Leonides Bayer, a Noitada de Samba teve início em novembro de 1971, no auge da ditadura militar, e só terminou em 1984. Pela primeira vez, compositores e intérpretes oriundos dos morros e da periferia se apresentavam na zona sul, com regularidade, todas às segundas-feiras. Foram 617 espetáculos ao longo de 13 anos, que fizeram daquele endereço à Rua Siqueira Campos 143, um foco de resistência da música popular brasileira. “O samba é revolucionário por natureza. Aquele lugar era uma espécie de porão onde a gente se encontrava e conversava muito sobre política”, relembra Beth Carvalho.

A vedete do show era o samba puro, o samba do morro, cantado pelos próprios compositores ou puxadores de samba da Mangueira, Salgueiro, Portela, Império Serrano, etc. “O espaço foi um redentor. O samba era tão descriminado que ser sambista ainda não era profissão”, conta Alcione. O evento ajudou a mudar esse olhar preconceituoso. “Eu fui para a Europa por intermédio dali”, disse D. Yvone Lara. “Viajei para a França, Martinica, conheci um monte de lugarzinho bom”.

Freqüentadora assídua das Noitadas de Samba, a diretora Cély Leal conheceu o evento em 1978, assim que chegou de Salvador, sua cidade natal. Chegou lá através do amigo João das Neves, filho da administradora do teatro. Certo dia, na ausência da bilheteira, deu uma força vendendo os ingressos, função que acabou assumindo pelos três anos seguintes, passando a integrar a equipe do Noitada.

Monarco, que lá se apresentou inúmeras vezes, lembrou que a preocupação básica não era o cachê. “O melhor era poder participar do movimento cultural mais importante da cidade”, disse. O filme contou ainda com depoimentos de Adelmides Fonseca, Arlindo Cruz, Carlos Lyra, Elton Medeiros, Gilberto Braga, João das Neves, Leci Brandão, Maurício Sherman, Nilze Carvalho, Rubens Confete, Xangô da Mangueira, entre outros. Foi a última aparição de Walter Alfaiate e Xangô da Mangueira em um filme.


Noitada de Samba – Foco de Resistência
Doc. / 75 min. / Cor / 2010
Direção: Cély Leal
Consultoria artística: Jorge Coutinho e Leonides Bayer

Na internet:

http://noitadadesambafilme.blogspot.com.


Sinopse:
1971. O Brasil vivia o auge da ditadura militar. Na cidade do Rio de Janeiro os jovens Jorge Coutinho e Leonides Bayer iniciavam no mês de novembro a Noitada de Samba. Pela primeira vez compositores e intérpretes oriundos dos morros e da periferia se apresentavam na zona sul, com regularidade, todas às segundas-feiras. Foram 617 espetáculos ao longo de 13 anos, que fizeram daquele endereço à Rua Siqueira Campos 143, um foco de resistência da música popular brasileira. Esta história é contada, através de emocionados e bem humorados depoimentos de músicos, jornalistas, cantores e intelectuais que vivenciaram aquele fundamental celeiro da MPB, por onde passaram Cartola, Ismael Silva, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Lupicínio Rodrigues, Riachão, Gonzaguinha, Antônio Candeia, Nelson Cavaquinho e tantos outros geniais representantes da mais autêntica e pura música de raiz.

Exibições no Festival do Rio

Dia 27 de setembro, segunda-feira, Cine Odeon Petrobras
17h – sessão para convidados

Dia 28 de setembro, terça-feira, no Pavilhão do Festival do Rio
13h - sessão popular, seguida de debate com a presença da diretora Cély Leal, e dos idealizadores da Noitada, Jorge Coutinho e Leonides Bayer

Dia 29 de setembro, quarta-feira, no Estação Vivo Gávea 3
15h40
20h

Endereços dos cinemas
•Cine Odeon BR – Pça. Mahatma Gandhi 2, Cinelândia – Lotação 584 poltronas e 2 cadeirantes
•Pavilhão do Festival (Centro Cultural da Ação da Cidadania) - Rua Barão de Tefé 75 – Zona Portuária – Lotação – 169 lugares
•Estação Vivo Gávea 3 – Rua Marquês de São Vicente 52/4º andar - (Shopping da Gávea) - Gávea – Lotação – 91 lugares

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