O papel do cidadão na corrida eleitoral

Tarso Sarraf/AFP
O papel do cidadão na corrida eleitoral
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G Marcone · Porto Nacional, TO
29/11/2020 · 1 · 0
 

A corrupção está no seio da sociedade brasileira e é própria do ser humano, só não falaram para você que em tempos de política é difícil separar o conceito de político corrupto com o de eleitor corrupto. Está entrelaçado de forma intima e decepcionante. Diferente do que muita gente pensa, a corrupção começa com o próprio povo. De que forma? Quando não apenas o político oferece algo em troca do voto e o eleitor aceita, mas também quando o cidadão vai atrás do candidato para pedir favores, ajuda financeira para todo tipo de coisa: material de construção, conserto do veículo, viagem, óculos, conta de água e luz e a lista vai aumentando. Será que o eleitor não sabe que isso configura crime eleitoral ou só quer aproveitar do político, do momento eleitoral? Acredito que sejam as duas coisas.

Outra falta de informação por parte do eleitor é reside no fato de que a partir do momento em que alguém entra para o cenário político, se candidata a um cargo eletivo, já está cheio da grana, com poder aquisitivo favorável a servir a todos que pedem algo, sem medir as consequências deste ato. Na verdade, os candidatos de uma forma geral além de ter um teto de gastos em sua campanha não têm como atender toda esta demanda e muitos eleitores não entendem isso. Claro que existem candidatos com alto poder aquisitivo que driblam as leis eleitorais e de alguma forma terminam saindo na frente na corrida eleitoral, embora não seja um fato que aconteça sempre, porém a tendência é maior.

A situação financeira do brasileiro é realmente precária, não há como negar, isso em qualquer cidade de qualquer estado brasileiro, principalmente nos estados mais pobres. A Renda Disponível Familiar Per Capita (RDFPC) dos 10% mais ricos é três vezes a renda dos 40% mais pobres. Então a princípio parece ser compreensível tantos pedidos da população, contudo, não é correto e é injustificável o oportunismo dos cidadãos e muitos revelam o mau-caratismo quando mesmo recebendo o favor ainda não vota no candidato e pior, quando recebem para trabalhar na campanha de um determinado candidato, só enrolam e não fazem o combinado no contrato e ainda votam no concorrente. A política é um jogo e algo que determina a vida da população, infelizmente, não é levada a sério pelo povo, levam na brincadeira, se comportando como já mencionado e não tendo critério na escolha dos seus representantes. Depois reclamam das políticas públicas que não são praticadas nas cidades, não acontecem porque muitos candidatos mais qualificados e até mais bem-intencionados são descartados pela população, inclusive reelegem as mesmas pessoas que já estão no poder e pouco fizeram pelo povo.

É imprescindível que seja feita uma campanha de esclarecimento do eleitor no que diz respeito às reais condições financeiras dos candidatos que se propõem a pleitear uma vaga seja no legislativo ou no executivo, bem como no aspecto do crime eleitoral, até mesmo como forma de democratizar o sistema eleitoral. Mas isso não é tudo, o principal está na educação do ser humano, na sua consciência de que deve ser mais honesto com o próximo, de dar o devido mérito ao melhor candidato. A política não deveria ser uma competição com meios obscuros e incompressíveis de chegar à vitória, do jeito que é posta é desanimador alguém se candidatar mesmo reunindo qualidades para exercer a função pública, principalmente para os marinheiros de primeira viagem! Uma pena!

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