apresentação
o que é a música hoje? o que é criar hoje? o que é viver hoje? quem faz ou fará a música do nosso tempo? quem fará o dark side of the moon da atualidade? em quais clubes nos encontrar, em quais esquinas? qual o futuro das gravadoras e dos álbuns? qual a relação entre música e sociedade? será, isso que se chama música, uma maneira de habitar o mundo, dar tempo à vida e vida ao tempo?
mobile vem do francês mobile: palavra ambivalente que designa motivo e movimento
a música é uma das atividades mais insistentes da humanidade: das antigas orgias e rituais à poderosa indústria do entertainment do século xx, passando pelas melodias que cantarolamos numa tarde qualquer e a força que elas injetam nas experiências cotidianas – trilhas sonoras de nossos amores e de nossos ódios, alegrias e tristezas; indo além, até a música experimental, até a destruição dos instrumentos e escalas bem ordenadas, à criação de novos instrumentos e escalas, a reinvenção da própria musicalidade – viva as garrafas, tubos de pvc e caixinhas de fósforos! viva as poesias que não se encaixam nas harmonias mais óbvias! mais além, até a crise pós-moderna disso tudo, e ainda mais, é preciso ir mais além, pra onde? pra quem? como?
é um release um manifesto? então vejamos o que podemos manifestar, qual vento nos anima
a pergunta mais freqüente que escutamos ao dizer que temos uma banda e tocamos algumas músicas é “ah é, e vocês tocam o quê? qual o estilo de vocês, parece o quê?â€. é uma pergunta sem resposta, claro, felizmente; mas, para agradar nosso interlocutor, acabamos respondendo: “músicas próprias, sabe?â€
como isso nunca é o bastante, e quando é interessante tentar fazer-se entender, vamos à s referências: mpb (que é sempre uma resposta fácil, justamente por ser tão inexata quanto “músicas própriasâ€), rock (idem), samba, “ah, tem alguns elementos de indie, de reggae, de flamencoâ€... “bem, só escutando mesmo...â€
mas quando mesmo assim (quase sempre) permanece a cara de susto de nossos interlocutores, aà não temos como escapar, é preciso ir mais fundo na história da banda e dizer quem somos:
... toda a história até agora ...
o mobile, mobile!, le mobile, a mobile, os móbiles, entre outros apelidos que dêem a esse nome seu próprio sentido, nasceu na primavera de 2007, no rio de janeiro, quando nos reunimos para trabalhar umas músicas do pedro e da vanessa... nosso primeiro show aconteceu depois de 2 meses, e 4 ensaios, na lapa, no rio de janeiro: tocamos duas músicas (mobile e barco) no lançamento do livro de poesias da vanessa (novelo). éramos bruno, david, pedro e vanessa. nesse mesmo dia luis entrou na banda. nosso segundo show foi em niterói, também no rio, 2 meses depois, em uma festa que envolveu várias bandas. tocamos 7 músicas, entre elas versões de raul seixas, secos e molhados e caetano veloso. nesse dia, estreamos “agora†e “tempoâ€
depois de muitos ensaios e algumas indefinições sobre o que fazer nos tornamos uma banda de estúdio e decidimos gravar algumas músicas que pudessem mostrar nosso trabalho autoral
durante os meses de fevereiro a abril de 2008, com a entrada do eduardo, gravamos mobile!, com as músicas móbile, barco, monotonia, agora, noturna, quase nada e tempo, e definimos que sua divulgação seria gratuita pela Internet e distribuição de cds demo! o processo de gravação foi intenso, uma ótima experiência de aprendizado como músicos, para cada um, e para a transformação de um grupo de amigos em uma banda, e o aprofundamento da amizade! escutando as músicas fica clara a pressa e a inexperiência que está colocada em cada uma (sintomas destes tempos pós-modernos?)... mas aparecem também belos momentos de violão e de voz, de pegadas de baixo, bateria e percussão, de solos de guitarra...
...o que pode uma demo? ...
móbile: percussão, baixo e voz vigorosos, violões simples e ritmados, um solo “quase rock†e uma letra dadaÃsta (bruno: baixo; david e eduardo: percussão; luis: violão e voz; pedro: violão e guitarra; vanessa: voz)
barco: estranha, complexa, de tocar e de escutar, com belos arranjos vocais e percussões consistentes (bruno: baixo; david: bateria; eduardo: percussão; luis: violão e voz; pedro: guitarra; vanessa: voz)
monotonia: o poder de uma guitarra pesada e um refrão! destaque também para a evolução no meio da música (bruno: baixo; david: bateria; eduardo: percussão; luis: violão e voz; pedro: guitarra; vanessa: voz)
agora: balada triste, com diálogo de violões, vozes lÃricas e percussão que se arrasta pelos sentimentos que a letra representa (bruno: baixo; david e eduardo: percussão; luis: violão; pedro: violão; vanessa: voz)
noturna: violões e teclados soturnos e solo de guitarra agressivo que se transformam e explodem numa sÃntese final (bruno: baixo; david: bateria; eduardo: teclado; luis: violão; pedro: guitarra; vanessa: voz)
quase nada: para lembrar os anos 80 e as rádios am, observe a bateria quebrada e o contraste entre o peso geral e os violões de luis (bruno: baixo; david: bateria; luis: violão e voz; pedro: guitarra; vanessa: voz)
tempo: toda a sensibilidade da vanessa colocada sobre a sutil trama de quatro instrumentos, até o fim... (bruno: baixo; david: bateria; eduardo: percussão; luis: violão; pedro: violão e guitarra; vanessa: voz)
composições: pedro; arranjos: mobile; produção musical: mobile e kakao figueiredo; produção artÃstica e executiva: pedro e vanessa. lançadas as músicas, podemos dizer que alguma coisa efetivamente começa!
... somos os mobiles ...
bruno matos: baixo ... (4/11/1980); participou das bandas dogma (com david e pedro) e emblema5; tem como influências hardrock, hardcore e grunge
david rocha: bateria e percussão ... (7/2/1983); participou das bandas dogma (com bruno e pedro) e midas (com eduardo); tocou beatles, punk, grunge, reggae; é geólogo
eduardo tamaki: percussão, teclado, guitarra e voz ... (5/5/1981); participou do breakout teens (bateria) e do midas (guitarra e voz); participa do trio guapiaçú e do trolley (percussão); trabalha com áudio e vÃdeo
leandro batista: teclado e violão ... (10/4/1985); participou do midas (com eduardo e david); tem como influências beatles, a-ha, the doors, marvin gaye entre outros
luis wagner: violão e voz ... (07/10/1977); integrou a banda fator humano (violão e voz), participa de diversos projetos de voz e violão; é psicólogo e mestre em psicologia, trabalha com o CASASOL
pedro chiappini: guitarra e violão ... (04/06/1980) participou do dogma (com bruno e david); tem escutado muito radiohead! é poeta, mestre em psicologia e trabalha como consultor
vanessa rocha: voz ... (19/06/1980); é poeta e atriz, produtora cultural, professora e gerente da mafuá produções culturais; suas influências vão do samba, flamenco e fado ao reggae, metal, rock e clássico
nessa curta história, naquelas reuniões de domingo pra fazer um som despretensioso, passaram pelo mobile alguns outros amigos, entre eles rodolfo nunes (violão e guitarra) e luis cláudio cortês (guitarra)
afinal, escrevemos tanto e não conseguimos responder à quela pergunta: “vocês tocam o quê?â€... “música, o que poderÃamos tocar!?â€... enfim, algo com a qual queremos fazer alguma diferença... “vai escutar!!!â€
muitas vezes, durante estes poucos meses, conversando pelos bares da vida, descobrimos que apesar de toda multiplicidade que nos é peculiar temos alguns desejos e perspectivas em comum: fazer mais músicas e mais shows, gravar algumas coisas, conseguir algum dinheiro, o suficiente para fazer mais músicas, mais shows e mais gravações! o que poderÃamos querer, viver de música? temos também algumas preocupações com o que vimos escutando por aÃ, com o futuro da música, da sociedade, mas sobre elas não vale à pena falar, não é tão divertido quanto fazer música, não faz muita diferença, e esperamos que a música já fale alto demais...
o vento balança o mobile desvia o vento
abril de 2008
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