O Rio já vive o clima do Pan. (Há muito tempo)

1
Alex Vander · Rio de Janeiro, RJ
10/3/2007 · 74 · 1
 

Teve início. nesses primeiros dias de 2007, a enésima edição dos Jogos Abertos do Rio de Janeiro.

Mesmo com as constantes reedições, a tempo e fora de tempo, o
certame continua a impressionar e a chamar a atenção de todos.
As disputas, verdadeiras batalhas, transcorrem normalmente, quase como de rotina, enquanto policiais, traficantes e milícias brigam sobre a moribunda sociedade carioca e os Neros, acompanhados da nobreza nas sacadas de seus palacetes, tocam suas liras diante da olímpica cidade, que arde mergulhada em horror, impotência e incompetência, que são os ingredientes principais para o sucesso dos jogos e para o desfrute das mídias.

Agora, a novidade chegou fazendo estardalhaço nos meios de imprensa: foram mobilizados seiscentos homens e mulheres da chamada “Guarda nacional”!

O pessoal que não gosta muito do esporte pensou que este seria o golpe de misericórdia na vergonhosa baderna em que se transformou o Rio. – Agora vai! Brindaram os otimistas incuráveis... – Palhaçada! Diziam outros mais céticos...

Na verdade, nada muda... nobres cantam, plebeus choram...é parte da festa e os pretorianos vindos da distante capital, em crise existencial, culpam a própria culpa, afinal, não foram treinados para esse negócio de correr atrás de traficantes. Quem sabe as Forças Armadas..., mas elas só podem agir após decretada a falência do estado, então esperam que este se renda e entregue os pontos, o que o espírito “olímpico” jamais permitirá.

Diante disso tudo, o já esperado e interessante comportamento coletivo da sociedade continua reticente e descrente. Não obstante, como bons desportistas, diante dos expressivos resultados dos jogos, os cariocas passaram a contabilizar as “baixas” a favor e contra, publicadas em forma de tabelas nos jornais diários. É o fenômeno do grande “o que é que eu vou fazer?” que fermenta nas mentes e se esparrama pelas ruas em sincronia com as espumas transbordantes dos chopinhos gelados do calçadão de Copacabana.

Crise que nada, afinal, os turistas chegam sem parar na pan-americana cidade. Favorece-lhes o fato de estarem de passagem..., já que em caso de permanência podem ser convocados a atuar como atletas incautos dos jogos, nas raias livres e sem barreiras da impunidade.

Que situação... o carioca, esperto, relaxa no calçadão, fazer o quê? O Brasil assiste apreensivo, registrando o placar nas tabelinhas. O resto do mundo tem notícias esporádicas da bizarra competição e os “narco-jogos de verão” continuam, dia após dia, enquanto a chama do ônibus-pira permanecer flamejante na Arena maravilhosa.



Alex V. L.Costa
26/01/07

compartilhe

comentrios feed

+ comentar
procuradosaber
 

Texto perfeito! Uma análise certeira da situação do Rio, que como disse vive mesmo em clima de Pan há muito, muito tempo!

procuradosaber · São Paulo, SP 9/3/2007 08:07
sua opinio: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!

+conhea agora

overmixter

feed

No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!

+conhea o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados