O som eco-romântico de Geraldo Espíndola para ouvir como se fosse vinil
Aos 60 anos de estrada, Geraldo Espindola surpreende as velhas (ou seria melhor maduras?) e novas gerações. Seu novo disco “Pra depois” é repleto de boas intenções. Suas novas canções tem apelo ecológico em musicas, como “Rio Formoso” e “Rios da Liberdade”. A bela letra de “Bonito”, é uma homenagem a capital do ecoturismo podendo tornar-se, em um novo clássico na enciclopédia da Musica Brasileira, assim como sua “Vida Cigana”. Homenageia os Beatles com a “Os Beatles tocam” e tem a super romântica “Marcas do Tarô”, pra Roberto Carlos algum botar defeito. E, digo mais para aqueles que como eu amam a música de qualidade:ouçam este CD como se fosse numa vitrola. Pois, “Pra Depois”, tem propositalmente o espírito de um vinil pra se ouvir tocando numa Sonata. Nada a ver com a reativação da fábrica de vinil, e que trouxe o formato de volta ao mercado musical. Falo do impregnado ainda em nossos corações e ouvido; o vinil enquanto encantamento de composições que nos faz tirar nosso toca-discos-imaginário do armário. Não há nada melhor do que uma boa musica para dar-mos uma desligada da correria e da materialidade do dia-a-dia, trazendo bons momentos de paz e tranqüilidade. Especialmente, para um cara das antigas assumido como eu, que usou calça boca de sino e que diante da era digital, parece quase impossível retomar a quimérica e onírica poesia de um som de vinil. Mas proponho este exercício imaginário ao ouvir o novo som do nosso compositor maior. A sua qualidade sonora é a mesma de um objeto artesanal, quase como a fabricação de um LP. Exigiu testes seguidos e uma produção mais lenta do que a de um CD normal, por exemplo, mesmo com o processo automatizado. O cuidado que ele teve com a gravação e produção de suas músicas não dependeu da mídia em que foi lançada. Como cuidou de tudo do começo ao fim, Geraldo determinou a diferença como começo e fim na masterização. Alerto críticos da enxurrada de musica chicle, produzida no atual mercado fonográfico, que Geraldo Espíndola não tem nenhum ranço contra essa música. Como compositor de arranjos diferenciados é musico maior, na acepção da palavra, portanto, sem nenhum tipo de preconceito. “Cartas do Tarô’, cabe tranquilamente na voz de Roberto Carlos ou Odair José ou ainda em qualquer dupla “sertanejo universitário”.
A música eco-romântica de Geraldo Espíndola é antídoto contra o baixo astral e servirá, além de um belo presente para as pessoas que amamos, desacelerar e aliviar nossos corações e mentes neste limiar de novo ano.
* Bosco Martins é jornalista e produtor cultural
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