Oficinas teatrais preparam jovens ao mundo da arte

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Andréia Santos · Salvador, BA
20/6/2007 · 44 · 0
 

Preparados para a interpretação, José Augusto, Marinubia, Edson, Joseane e Guilherme entram no palco. Jussileide, a professora, pergunta se eles estão prontos. Com um olhar tenso, respondem que sim. Eles criaram o texto usando códigos em vez de palavras, com o intuito de fazer com que o público prestasse atenção na encenação. A peça improvisada tinha o objetivo de mostrar a desigualdade social.

Esses jovens fazem parte da mais recente turma da oficina de teatro do Instituto Educacional Isaías Alves (Iceia). As oficinas de teatro costumam inscrever jovens entre 14 e 19 anos que tenham vontade de se preparar para enfrentar a carreira artística. Os requisitos para efetuar a inscrições variam. Para participar do curso do Iceia, é necessário ter, no mínimo, 14 anos, morar em comunidades carentes e estudar ou já ter estudando em escola pública. Já no curso do teatro Xisto Bahia, os jovens têm que ter, no mínimo, 18 anos e devem passar por uma seleção.

A seleção do Teatro Xisto Bahia funciona de forma rigorosa, os jovens tem que estar realmente interessados. Todos os anos, o professor responsável pelo curso cria dois textos, um monólogo e um diálogo. Cada candidato escolhe o que preferir, leva para casa e, após o prazo, que varia de duas a três semanas, volta e passa por uma avaliação. Após todos encenarem, o professor analisa o desempenho e informa na hora quem está apto a ingressar no curso.

Muitos jovens procuram essas oficinas apenas por curiosidade, como é o caso de Edson Santos, 30, “Entrei na oficina por curiosidade e também por desafio. Já fiz um pouquinho de tudo e então pensei: ‘Porque não tentar o teatro?’”, explica o estudante. Outros, por desejo de ser um ator, mas, a maioria desses jovens têm um desejo em comum: saber se expressar em público.

A visão dos atores do teatro bahiano é o interesse pela televisão. Muitos alunos dessas oficinas se encantam pela carreira por acreditarem que serão atores de televisão. “O teatro baiano se tornou uma panelinha mesquinha de bobinhos da corte, de amigos felizes e alegres, visando o Plim-Plim!” disse o professor-dramaturgo Paulo Ferreira, que dá aulas para jovens de 18 anos na oficina do teatro Xisto Bahia. O interesse de trabalhar em emissoras como a Rede Globo deixa muitos jovens entusiasmados, mas quando descobrem que não é fácil como eles imaginam muitos alunos talentosos dos cursos deixam de seguir a carreira.

Segundo a professora Edméia Nascimento, 30, as aulas que são ministradas nessas oficinas preparam os alunos ensinando técnicas de teatro como: expressão vocal, expressão corporal, dramaturgia, interpretação de textos e elementos do teatro, explicando como se produz o figurino, a iluminação,a maquiagem, e o cenário.Essas aulas ensinam de forma teórica e prática, dando oportunidades aos alunos, de criarem seus próprios textos e encenarem para mostrarem o que estão aprendendo.

Muitas dessas oficinas fazem parte de projetos sociais gratuitos que têm como finalidade preparar jovens para seguir a carreira de ator. Essas oficinas são gratuitas e têm a duração de um ano, sendo que nesse tempo é ensaiada uma peça teatral para ser encenada no fim do curso como um atestado de aprendizado. As apresentações acontecem sempre no próprio teatro onde funcionam os cursos.

LABORATÓRIO DE ATORES

Para participar dessas apresentações no final do curso, os jovens passam por uma preparação para encarnar seus personagens. Primeiro, eles precisam pesquisar sobre o seu personagem, começando pelo estudo de como interpretá-lo e de como caracterizá-lo. È dessa forma que funciona o famoso laboratório de atores.

“Quando interpretei um menino de cinco anos para um conto infantil, tive que entrar no universo das crianças. Passei a observar como essa faixa etária se comportam, li revistas que falam dessa psicologia infantil, enfim, mergulhei de corpo e alma para encarnar o personagem, fazendo assim meu primeiro laboratório”. Disse Gerônimo Silva, 24, aluno da oficina do Iceia há dois anos.
Os professores dessas oficinas se preocupam muito com o fato dos alunos utilizarem o laboratório antes de interpretar um personagem, pois essas pesquisas orientam muito na hora da interpretação.


CARREIRA ARTÍSTICA

Quando completa um ano de inicio, as oficinas dão aos alunos certificados, que não servem como um comprovante de profissionalização, pois os cursos são apenas preparatórios. A Professora da oficina do Sesi, diz que caso os alunos queiram seguir carreira é necessário estudar na escola de teatro da Universidade federal da Bahia, UFBA. Mas para atuarem em peças teatrais eles podem tirar o DRT no Instituto dos artistas. Para conseguir essa autorização é necessário ter participado de quatro espetáculos e terem participado de três oficinas.

Muitos jovens se apaixonam pela profissão e acabam seguido carreira na escola de teatro da UFBA, como é o caso de muitos alunos da Oficina de teatro do Sesi. “Já tivemos alunos que seguiram carreira, como por exemplo, a Luciana, que hoje já é quase uma atriz , e por coincidência agora é estagiária daqui , já dá aulas para os alunos mais novos.” disse Edméia Nascimento,30, Professora e Coordenadora do projeto Onda jovem.

Muitos jovens que começam nessas oficinas já se tornaram atrizes e atores de teatro por conta própria, Gerônimo Silva, 24, é um exemplo desses jovens que começou a estudar teatro por curiosidade, acabou se apaixonando pela profissão e hoje é um ator. Já participou de vários espetáculos e agora já está até montando com outros amigos um grupo teatral.

Reportagem - 2006.

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