Poro comemora sete anos
PORO (dicionário) 1. Qualquer abertura diminuta em uma superfÃcie livre. 2. Cada um dos pequenÃssimos orifÃcios de que está crivada a pele e em geral a superfÃcie dos corpos organizados. 3. Cada um dos numerosos e diminutos orifÃcios existentes nas membranas animais e, à s vezes, nas vegetais. 4. Pequeno interstÃcio na matéria de um corpo e que permite a absorção ou passagem de um lÃquido: Poros de uma pedra. 5. Meato, orifÃcio.
O coletivo Poro — intervenções urbanas e ações efêmeras é formado por dois artistas visuais de Belo Horizonte: BrÃgida Campbell e Marcelo Terça Nada. Foi fundado em 2002, com a proposta de atuar na cidade, dialogando com os espaços públicos e com as mÃdias populares.
Em abril de 2009, eles completaram sete anos de atuação. Para comemorar publicaram uma retrospectiva com material inédito, que inclui textos e imagens que contam um pouco da trajetória da dupla.
O trabalho é interessantÃssimo: delicado, irônico, poético, polÃtico. Pequenas interferências que propõem, a partir de intervenções efêmeras, um diálogo provocativo e sensÃvel com o espaço urbano. SensÃvel na medida em que coloca em cheque nossos sentidos e percepções. O homem contemporâneo parece deslocar-se cegamente pela cidade. A cidade, por sua vez, transforma-se em cenário invisÃvel de cidadãos cada vez mais vÃtimas de um estilo de vida regido pelo tempo, pelo consumo, pelo dinheiro, pela produtividade. As intervenções do coletivo criam um espaço de respiro, de calma, de atenção, de olhar com olhos de ver. Um poro (abertura diminuta na superfÃcie livre) sintetiza com propriedade o desejo da arte de estabelecer com o mundo fabulações ao mesmo tempo poéticas e inverossÃmeis, narrativas que revelam nossa cegueira diante da paisagem escondida debaixo de camadas de cimento, poeira, propagandas e todo espécie de lixo visual.
Um jardim de florzinhas de plástico plantado no passeio de asfalto de um bairro paulistano, letras coloridas que escorrem de canos de água, fotografias do Parque Municipal revelam outras cores do velho cartão postal, a brincadeira de caça-palavras pode confundir bêbados desavisados, folhas de ouro podem cair de uma árvore bem no meio da sua testa e, se por acaso, você procura uma casa para comprar, em BH, com vista para o mar é possÃvel que encontre um anúncio. A publicidade vende sonhos e promessas. As notas de 1 real confirmam nossa posição no ranking de paÃses desenvolvidos, são carimbadas e devolvidas à circulação: FMI — Fome e Miséria Internacional.
No site da dupla, além de informações, textos e vÃdeos, eles disponibilizam também adesivos e stickers. A idéia é que o internauta faça o download, imprima, distribua entre os amigos e também cole onde bem quiser. Cidade tela? Cidade pele? Poros respirando e transpirando por aÃ...
Escrevi sobre o Poro aqui no Overmundo. Para quem quiser conferir.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 22/6/2009 16:05
Salve pessoal,
O link para a retrospectiva citada no texto é:
http://virgulaimagem.redezero.org/retrospectiva-poro-7-anos/
Abraços,
Marcelo
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