Daí eu me lembro de um show, lá pros lados de Itapuã, num restaurante desativado ou casa de shows abandonada, tinha fumaça no palco, ela estava de lentes brancas e com miçangas no cabelo. P.q.p., pensei. Onde é que estou? O som me transportou para a Dimensão Musical. Quase tive teto preto (acho que tinha coisas demais em minha mente).
O reflexo de minha impressão naquele dia me persegue até hoje e alimenta a curiosidade de saber o que ela anda fazendo. E descobri que Rebeca Matta está em obras: seu terceiro CD, ainda sem nome, entrou na fase final de gravação, mixagem e remasterização mês passado. O álbum contou com patrocínio do edital de cultura da Petrobras. Conversamos e ela me adiantou que vai ter 'uma mistura muito boa de eletrônica com peso'.
Depois do primeiro álbum (Tantas coisas, 1998, 5 mil cópias) e do segundo (Garotas boas vão pro céu, garotas más vão para qualquer lugar, 2001, 3 mil cópias), veio um tempo de reflexão e produção. Ela aumentou a produção de pinturas e porcelanas, misturou tudo num pote de percepção em sua casa no Rio Vermelho. Gravadora não interessava. Independência com a sensação de espaço
aberto, céu limpo, planta fértil. "Gosto de experimentar e todo mundo quer o que é mais seguro", diz, pra logo depois corrigir, autocrítica: "Mas não sou experimental".
O novo álbum tem a colaboração do guitarrista Gilberto Monte (Tara Code) e do jovem Ângelo Tomás (o 'Boeing', com
23 anos). O último já produziu 16 discos próprios, de maneira caseira, controlando desde o som até o arte final do encarte. "Acho que ainda vamos ouvir muito falar sobre ele, um garoto que ficou anos no computador, não era músico e entrou no ramo."
No balaio do novo disco, tem também Kassin e Arto Lindsay. O resultado final, espera Rebeca, refletirá uma produção coletiva. A parceria com o guitarrista André T. está parada no momento. "Esse tempo [a pausa de 4 anos sem disco e um ano sem shows ] foi valioso para realizar contatos".
Uma boa notícia é a aprovação do projeto para o clipe do novo disco, pela Lei Roaunet. O plano é produzir o site pra amplificar a divulgação do novo trabalho, distribuído de maneira independente. As músicas devem seguir para download, em plena era da reprodutibilidade acessível. "Acho que não tem para onde correr, pois isso quebra o controle sobre a arte."
Cara, eu vi este show que vc define lá no primeiro parágrafo. Foi numa "reive" onde rolou outras apresentações. Muita, muita fumaça e luzes... ah ahh ah a
[ds] · Recife, PE 17/5/2006 08:31Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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