Reflexões de um patriota

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Eder Capobianco · Assis, SP
28/2/2009 · 16 · 0
 

Nada é tão humilhante para um cidadão, perante o mundo, quanto à corrupção entre seus governantes e a falta de ética nas ações de seu povo. É como se você andasse pela rua com uma plaquinha de ‘troxa’. “Ouvi dizer que a trilha sonora do Rio de Janeiro é uma mistura de tiroteio, com bombas e sirenesâ€, poderia dizer um finlandês. “É verdade que no Brasil os três poderes são dominados por quadrilhas?â€, questionaria com toda propriedade um francês.

Andando pela Praça de Maio, em Buenos Aires, um argentino poderia comentar num papo. “A sim, você é do país onde os políticos roubam e ninguém esta nem aí?â€. Talvez alguém revelasse. “Soube que em São Paulo não é indicado que se pare no semáforo depois das 22h, por causa de seqüestros relâmpagosâ€. Um policial rodoviário espanhol pode responder para um infrator que tenta suborná-lo: “Aqui não tem jeitinho brasileiroâ€.

Se fosse pedido a um jornalista belga para que fizesse uma matéria sobre o assunto mais falado por aqui no momento o que ele destacaria? Opções: 1 - A inércia do senado, 2 - A declaração de guerra ao tráfico no Rio, 3 - Pessoas semi-nuas no carnaval. Estamos tão envergonhados que nem ligamos quando Hugo Chaves, presidente da Venezuela, tira onda com a nossa cara.

Qual seria o conselho dado por Marta Suplicy a Renan Calheiros num suposto encontro? E Maluf, o que diria a Lula se tivesse oportunidade? Se Roberto Jefferson, José Dirceu e Valdemar Costa Neto se reunissem daqui a dez anos, qual seria o assunto discutido? O que José Sarney e Fernando Collor conversariam num almoço de domingo? Quantas vezes uma comissão, seja lá da onde for, foi formada para analisar algo de sucesso?

Vamos conceder um espaço para as coisas boas do Brasil. Futebol por exemplo, é com a gente. Alegria, farra, carnaval. Quando destacam nossas principais virtudes lembram da determinação e da raça, por que mesmo com toda a zona acreditamos num futuro melhor, mas ficamos fazendo festa esperando esta hora chegar. Mesmo com toda a desconfiança, ainda votamos com a certeza de que valerá a pena.

Ser brasileiro não é fácil. Não temos vergonha. O que nos desonra é a classe política, a conivência e pouca de ética de nossos empresários, a ineficiência do poder público, a falta de rumo de nossa sociedade. Como não lembrar de tudo isso quando alguém me pergunta como andam as coisas no Brasil?

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