Solto na Cidade entrevista Kid Vinil

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Solto · Natal, RN
13/1/2009 · 55 · 1
 

"Ninguém quer apostar na ousadia"
Qui, 13 de Novembro de 2008 22:09

Por Itaércio Porpino e Marcelo (Panela) Tavares

O tempo de boy de Kid Vinil passou. Ficou lá pelos anos 80, embalado por alguma trilha new wave. Mas a década — segundo ele, a mais fértil do rock brasilero — ainda é bem presente hoje. Ou alguém costuma ver revival 70, 90? Dos anos 80, sim. Neste fim de semana, aliás, vai ter uma dessas festas por aqui — o 3º Encontro Natal Ploc, na boate Papion, em Petrópolis. E a estrela é Kid Vinil, que está vindo à cidade para discotecar na festa e também para lançar o livro “Almanaque do Rockâ€, na Siciliano. Kid Vinil, pra quem não conhece, é jornalista, cantor, radialista e compositor. Como músico, ele apareceu para o Brasil nos anos 80, à frente da banda Magazine, com a qual emplacou alguns poucos sucessos, entre eles, “Sou boy†e “Tic tic nervosoâ€. Nos anos 90, na MTV, apresentou o programa Lado B, um espaço para bandas pouco conhecidas. Dono de uma discoteca com mais de 20 mil títulos, os quais junta desde os 10 anos, Kid Vinil é uma enciclopédia do rock ambulante. Atualmente, viaja o Brasil discotecando. O Solto na Cidade conversou com ele, por e-mail, sobre praticamente todos esses assuntos.

Solto na Cidade: Zuenir Ventura tem o livro "1968, o ano que não terminou". Dá pra dizer o mesmo dos anos 80?

Kid Vinil: Acho que toda época tem a sua importância. Em 1968, foram lançados grandes clássicos da era do rock e foi um ano muito produtivo para a música pop. A década de 80 também tem seus méritos por ter revolucionado mais uma vez o rock com uma série de tendências que influenciam toda essa nova geração. Talvez por essa razão esse revival dos 80 continue durando até agora.


Solto: Ninguém vê revival dos anos 90 e de nenhuma outra década. Você consegue explicar essa aura da década de 80?

KV: A década de 80 foi muito produtiva, teve new wave, teve punk, rap e hip hop, música eletrônica, muito reggae, blues. Foi uma variedade muito grande de estilos. Nos anos noventa o único movimento famoso que a gente lembra foi o grunge; teve ainda o britpop e nada mais. Talvez por essa razão os anos 80 foram bem mais criativos.


Solto: Esse revival, de certa forma, foi um alento para a carreira de alguns artistas da geração 80 que estavam fora do mercado da música e acabaram "resgatados" por essa onda?

KV: Com certeza, muitas bandas voltaram à ativa, estão fazendo shows, isso colaborou bastante pra abrir espaço pra artistas que durante a decada de 90 não conseguiam mais espaço pra divulgar seus trabalhos.


Solto: Uma das fases mais marcantes, ao longo da sua experiência musical no rádio e na televisão, foi o programa Lado B, na MTV. Será que ainda existe espaço para um projeto naqueles moldes?

KV: Com certeza não. Já tentei voltar com esse projeto várias vezes, não só na MTV, mas em outras emissoras, mas ninguem quer apostar na novidade e na ousadia. Hoje a TV vive de programas populares, não existem mais pessoas que se arrisquem em coisas mais vanguardistas, infelizmente.


Solto: Muita gente conheceu inúmeras bandas por meio da MTV, em especial, vendo o Lado B, que era bem informativo. Hoje, não tem mais isso. Praticamente, não há mais espaço para a música na grade da emissora. O que houve?

KV: A MTV resolveu se tornar uma emissora comercial de programas populares e que atingissem mais facilmente o jovem alienado, que representa uma boa porcentagem da juventude brasileira. A fórmula acabou dando certo. A audiencia aumentou e hoje tudo que se ve é aquela mediocridade de programas de namoros e bobagens do gênero. Lamentável!


Solto: Além de cantar, compor e escrever, que outras atividades você está desempenhando? Pretende publicar outros livros?

KV: Estou escrevendo agora um livro sobre a história do rock brasileiro desde os anos 50 até os dias de hoje. Ele deve sair em julho do ano que vem.


Solto: O que "O Almanaque do Rock" acrescenta na bibliografia que existe sobre o tema?

KV: É um livro bem didático, informativo, dentro do formato dos almanques de 70, 80 e 90 já lançados pela Ediouro. Acho que consegui dar boas dicas e recomendar bons discos pra quem quer conhecer um pouco de rock.


Solto: Até que ponto o fato de você ser uma "enciclopédia viva" do rock ajudou no trabalho? Ou isso acabou, de alguma forma, dificultando?

KV: O conhecimento sempre ajuda. Foi relativamente fácil escrever esse almanaque, pois muita coisa eu já tinha na memória da minha vivência com o assunto. Ainda tem o fato de eu colecionar discos de rock desde os meus 10 anos. Ter uma discoteca de mais de 20 mil títulos também acrescenta um certo conhecimento.


JOGO RÃPIDO:

Solto: Qual foi a melhor e a pior década para a música brasileira?

KV: Bem, pra música brasileira, a melhor foi a da Tropicália (Mutantes,Tom Zé, Caetano,Gil, Gal etc); para o pop-rock brasileiro, os anos 80, claro!
A pior para a música brasileira e pro rock foi a dos anos 90

Solto: Qual a maior farsa do rock?

As bandas de metal farofa tipo Europe

Solto: Um disco inovador dessa última década:

KV: Ok Computer - Radiohead

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Site oficial de Kid Vinil: www.kidvinil.com

veja mais: www.soltonacidade.com.br





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N.Lym
 

Adorei a entrevista! Mt bem elaborada! Além do que, o grande Kid é uma figuraça!! Gosto mt dele!
Votado!!=]

N.Lym · Fortaleza, CE 15/1/2009 00:28
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