Tangolomango 2009 - brincadeira das boas!

Douglas Vieira
O caldeirão Tangolomango
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Douglas Vieira · Rio de Janeiro, RJ
13/11/2009 · 6 · 0
 

“Tá na hora da brincadeira! O trabalho é a brincadeira! Hoje tem espetáculo?!â€

Este foi o grito do diretor artístico João Artigas ao fim do último ensaio geral antes da apresentação do Festival Tangolomango que aconteceu neste domingo. Cheguei ao Circo Voador a tempo de pegar o finalzinho desse ensaio, que sorte! Ali já deu pra sentir o que seria a experiência daquela noite: surpreendente! Eu já tinha lido sobre o Festival, sabia do que se tratava, sabia que a idéia era reunir uma grande diversidade de pessoas naquele picadeiro, mas encontrar aquele grande grupo de pessoas com roupas tão diversas, traços tão particulares, a confusão boa de idiomas, todos cheios de energia dançando, cantando e pulando, num exercício de liberdade e integração sublimes, não teve outra, me surpreendi. O ensaio acabou e todos se recolheram para se preparar pra festa, enquanto no portão já anunciava a expectativa pela noite, muita gente chegou bem cedo pra não perder nada.

Enquanto aguardava ansioso, uma fala do ensaio não saía da minha cabeça:

“Não somos artistas! Somos brincantes! Queremos exatamente diminuir esse espaço entre palco e platéia!â€.

Dito e feito. Foi uma misturada danada, como dizem minha terra. Banda, dançarinos, público, palhaços, todos estavam no picadeiro, porque aquele era um espaço reservado para brincantes, e todos éramos brincantes. Aquele lugar mais parecia um caldeirão onde estavam misturados o circo argentino, o canto venezuelano, o cavalo marinho pernambucano, brasilienses, paraenses, cariocas e não dá pra falar, tinha gente de todos os lados levando muitas referências regionais. E reunidos pra quê? Pra brincar.
Os grupos não se apresentaram separadamente, não foi uma seqüencia de apresentações. No Tangolomango a festa é colaborativa. Depois de dois dias de intercâmbio onde acontecem ensaios conjuntos, os grupos vão trocando experiências e mesclando seu repertório artístico com os dos outros grupos. É um encontro onde prevalece a generosidade de ensinar e de aprender. Os grupos que se apresentaram neste ano foram:

Banda Caixa Preta (do Rio de Janeiro)
Circo Del Sur (de Buenos Aires)
Grupo Cultural Pé de Cerrado (de Brasília)
Grupo Grial de Dança (de Recife)
Irmãos Saúde (de Brasília)
Paideguará (Para e Amapá)
Tambores de Barlovento – Elleguá (de Caracas)

No final da festa conversei com alguns dos integrantes dos grupos e posso tranquilamente sintetizar a fala deles com “Superou muito nossas expectativas!â€. Todos estavam estasiados com o resultado da mistura nada convencional, "uma experiência inesquecível!"

Tangolomanguear é algo que deveria acontecer sempre e em todo lugar. A mistura de palco com platéia até não sabermos mais quem é quem, os artistas compartilhando seu talento a com o público e vice-e-versa, dá a possibilidade de tudo ser a grande brincadeira que deve ser. Foi o que afirmou, por exemplo, a Mariana Rufolo, que é do Circo Social Del Sur. Disse que durante os preparativos houve grande expectativa, mas pensavam que “seria apenas um intercâmbio†e na verdade foi um “intercâmbio sem formalidades†entre os grupos, “é através de um entramado entre os grupos muito verdadeiro. (...) Aprendemos e trocamos informações sobre as musicas, sobre a teatralidade, sobre a filosofia da a musica brasileira, que há por trás das letras, como o pessoal de Pernambuco, que trás uma bagagem ancestral. Nós aprendemos muito! (...) Nós trabalhamos na Argentina com um conceito que é o da resiliência, que á capacidade duas metades de serem fortes e flexíveis, e aqui houve uma expressão muito grande de resiliência. Você tem que ser forte para manter a identidade cultural que cada grupo traz, para pôr nesse caldeirão da arte, e, ao mesmo tempo, ser flexível para poder adaptar-se ao que o outro te propõe e ir trocando para compor algo novo. Além disso, fiz uma oficina com o Overmundo, onde aprendi muitas coisas que vamos implementar no próximo ano!â€

Falei também com Ruiberdan Saúde, da dupla Irmãos Saúde e perguntei qual o grande barato do Tangolomango, e a resposta:
É o diálogo, o diálogo entre as culturas. É você pegar o espetáculo que trouxe construído, juntá-lo aos outros, desconstruir, e reconstruir junto com as partes dos outros.

Agnaldo, do Grupo Grial de Dança de Pernambuco disse saudoso:
“Foi um grupo que terminou como uma família! O que eu vou levar também pra minha cidade é muita saudade!â€

E eu, preciso, claro, parabenizar os realizadores dessa farra colaborativa, foi bom demais!

E... Como disse o Alexis Machado, da Venezuela: “Deverían haver muchos otros Tangolomangos, muchos muchos!!†(e viva o portunhol...rs.)

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