Teatro brasileiro em festa

Divulgação
O Inspetor Geral do Teatro Popular de Ilhéus abre o festival
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Dramaturgia · São Paulo, SP
2/5/2012 · 0 · 0
 

Festival carioca completa 10 anos com grupos de todo Brasil

Criado há 10 anos pelo produtor cultural Eduardo Marins, o Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro chega a esse marco com o reconhecimento da classe artística carioca como descobridor de novos talentos. Agora é a vez de mostrar para grupos e companhias profissionais de todo Brasil este projeto que já gerou até uma versão paulista - o Festival de Teatro Cidade de São Paulo, que chegará à sua quarta edição no segundo semestre.

De 2 a 13 de Maio montagens brasileiras ocuparão o histórico Teatro Princesa Isabel, no bairro de Copacabana. Ali, no mesmo palco por onde passou Procópio Ferreira, Marília Pêra e Chico Buarque com seu musical “Roda Viva”, se apresentarão 10 grupos nacionais abrindo espaço para as 24 produções locais adultas e infantis que integram a tradicional Mostra Competitiva.

Mostra Especial

A curadoria da Mostra Especial ficou por conta de Lucianno Maza, dramaturgo indicado ao Prêmio Jabuti de Literatura e crítico teatral com grande experiência na cobertura de festivais teatrais por todo país, como os de Curitiba, Salvador, Belo Horizonte, Itajaí e São José do Rio Preto. “Depois de passar por todos esses festivais no papel de crítico, fico feliz em assumir a curadoria de uma mostra nacional inédita, onde posso destacar novas e consistentes iniciativas que vêm brotando ao longo de todo país”, diz Maza.
Esse olhar do curador para o Brasil pode ser percebido nos dez espetáculos escolhidos. É verdade que São Paulo se sobressai com metade dessas peças, como “Forno Com Fubá”, “Travessia” e “Pomba Enamorada Ou Uma História de Amor”, mas também há espaço para produções de cidades como Ilhéus (“O Inspetor Geral”), Itajaí (“Pequeno Inventário de Impropriedades”), Fortaleza (“Experimentos 1”) e Goiânia (“Balada de Um Palhaço”).

“O festival ajudará a fomentar o intercâmbio, possibilitando o encontro de companhias e artistas de várias partes do Brasil com o público carioca, o que enriquece o trabalho de todos e aumenta o destaque dos trabalhos”, é o que assegura Clóvys Tôrres, ator do monólogo “Moscarda” adaptado de Luigi Pirandello por sua Mucuta Cia. de Teatro de São Paulo. Ele já levou seu trabalho para festivais nas cidades paulistas de Americana e Piracicaba: “sempre é bom ter essas experiências com outras plateias, perceber o resultado do trabalho junto a outro público”.

Diferente de Tôrres, Hévelin Gonçalves do Núcleo 1408, também de São Paulo, nunca se apresentou em um festival teatral antes. “A maior expectativa com “Cão” é que fizemos esse trabalho de forma intimista e agora o apresentaremos para um público bem maior.” Gonçalves aponta então para outro ponto relevante desse tipo de evento: neles surgem necessidades de adaptação que permitem os artistas a experimentar e descobrir novas possibilidades para seus trabalhos.

“Apesar de lutar para oferecer o máximo das condições necessárias para cada peça, é interessante também essas transformações que acontecem em um festival e podem revelar outras possibilidades para cada trabalho. Estou curioso com a versão para palco italiano que o Teatro Kaos de Londrina apresentará.” O curador Maza se refere a “Fim de Partida”, montagem originalmente criada para espaço alternativo - com o público ao redor da cena -, e que estreou a versão para palco no Festival de Teatro de Curitiba deste ano.

O grupo parece animado: “que as pessoas olhem para nosso teatro não só durante o FILO (Festival Internacional de Londrina)” disse o diretor Edward Fão em entrevista recente ao jornal paranaense Gazeta do Povo, valorizando o caráter de vitrine da Mostra Especial.

Mostra Competitiva

Enquanto os aeroportos do Rio recebem artistas e cenários de várias partes do país, os grupos cariocas fazem os últimos ensaios e ajustes para suas apresentações na Mostra Competitiva que vai de 15 de maio a 10 de junho e reúne 16 produções adultas e 8 infantis numa disputa pelo Troféu Arlequim em categorias como melhor ator, atriz, diretor, cenógrafo, figurinista e produtor. Além do grande prêmio de melhor espetáculo adulto e infantil, que entrega aos vencedores uma temporada com todas as despesas pagas no mesmo Teatro Princesa Isabel.

“Pode começar aí a história de sucesso de um novo grupo ou artista”, conta Eduardo Marins, produtor teatral com várias décadas de carreira, uma dedicada ao Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, do qual é diretor geral e curador da Mostra Competitiva.

Marins se diz satisfeito em saber que está destacando mais de 400 jovens por edição: “faço esse festival por amor a esses jovens talentos que acreditam que existe um espaço para todos e almejam alcançar o seu. Gosto de ser essa alavanca, gosto de saber que ajudei a projetá-los de alguma maneira dentro dessa profissão tão linda”.

O Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro tem ainda outra preocupação: a de formar novas plateias. “Muitas companhias estão em seu primeiro trabalho e todos os familiares e amigos dos atores e técnicos vão assistir pela primeira vez um espetáculo teatral. É fácil identificar essas pessoas olhando para tudo com curiosidade e admiração” confidencia o diretor geral.

Nesses dez anos é normal também que alguns artistas retornem ao festival mostrando seu amadurecimento, como é o caso do ator Luciano Torres que no ano passado não apenas se apresentou, como ganhou o Troféu Arlequim de Melhor Ator entre os espetáculos adultos. Ele comenta sobre a experiência: “Foi maravilhoso e recompensador ver o resultado do meu trabalho reconhecido por esse prêmio tão importante do teatro carioca e brasileiro”. Este ano ele apresenta “Cordel de Amor Sem Fim” ao lado da A4 Cia. de Teatro: “A expectativa é a melhor possível em voltar ao festival”.

Outro que ressurge na programação é Anderson Alcantara com seu Grupo Teatral LoucAtores que, em 2011, recebeu o Troféu Arlequim de Melhor Espetáculo Infantil: “é um enorme prazer participar do festival novamente após termos sido vitoriosos e fazermos uma bela temporada no teatro, mas creio que esse ano a responsabilidade seja bem maior, pois estamos fazendo parte da comemoração dos 10 anos desse projeto que tem aberto portas para milhares de profissionais aos longo dos anos”, diz o jovem.

O teatro infantil sempre foi prioridade de Eduardo Marins no Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, um dos únicos eventos deste porte no país a apostar na produção para pequenos espectadores. Alcantara, que apresentará esse ano “Ulisses, Cabeça de Vento”, reconhece isso: “infelizmente o teatro infantil é muito subjugado como inferior ao teatro adulto, mas é com muita alegria que notamos que no festival os grupos dos espetáculos adultos e infantis recebem a mesma atenção e visibilidade”.

A comissão julgadora da Mostra Competitiva é formada também por Lucianno Maza e atores de trajetória respeitável no teatro carioca como Bruna Campello, Cláudio Mello, José Eudes e Denise Zuzianne - que acumula ainda a função de mestre de cerimônias da noite de premiação, ao lado de Fernando Reski.

Sérgio Miguel Braga, ator e produtor, completa o time de jurados da Mostra Competitiva e resume a missão desses profissionais ao lado de Eduardo Marins: “Nós olhamos com generosidade para a produção desses jovens grupos participantes, muitos são formados por estudantes ou integrantes de projetos sociais. Eles estão dando os primeiros passos em direção à profissionalização e estamos atentos para lançar luz ao novo”.

Que se acendam os refletores, a festa sobre o palco já vai começar!

Veja a programação completa e os horários em www.teatrofest.com

Serviço:
Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro - 10 Anos
De 2 de maio até 10 de Junho
Teatro Princesa Isabel
Avenida Princesa Isabel, 186 - Copacabana, Rio de Janeiro
Telefone:(21) 2275-3346
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (estudantes, idosos e classe artística)

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