Ator se 'transforma' em cão no Festival de Teatro

Raphael Enes / Divulgação
Hévelin Gonçalves e Rui Xavier em "Cão"
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Dramaturgia 2 · Rio de Janeiro, RJ
3/5/2012 · 0 · 0
 

Depois do Teatro Popular de Ilhéus - que abriu o festival na noite desta quarta-feira, 2/05 - hoje (3/05) é a vez de "Cão" do Núcleo 1408 - Cia. de Teatro e Invenção, de São Paulo, subir ao palco do Teatro Princesa Isabel, em Copacabana.

Na peça, uma mulher bem sucedida tem seu sucesso profissional colocado em jogo pela humilhante doença do marido.

O texto foi escrito por Rui Xavier e ele também dá vida ao homem que desenvolve uma rara doença psiquiátrica chamada licantropia clínica - o enfermo passa a se ver e se comportar como um animal, no caso, um cachorro. Para compor seu personagem, o ator frequentou aulas de agility (modalidade em que cães percorrem uma pista de obstáculos) em uma pet shop, orientado por um treinador e ao lado de animais de verdade, por mais de um mês.

A experiência, segundo Xavier, foi "uma das mais bizarras" que já viveu. "Tive que romper algumas barreiras, a primeira delas foi o nojo, porque tinha que deitar, rolar e sentar naquele chão onde os cães faziam suas ncessidades fisiológicas. Depois, o contato físico com eles, afinal, eles se relacionam entre si de forma muito violenta para padrões humanos". O ator se refere, por exemplo, aos cumprimentos com cabeçadas, momento onde chegou a se machucar.

O trabalho do ator rendeu elogios da crítica especializada na temporada paulista do espetáculo como "admirável" (Folha de São Paulo), "mais que surpreendente" (Colherada Cultural), "excelente" (Portal Macunaíma) e "de um requinte assombroso" (Caderno Teatral).

Antes do 'cão' aparecer, Hévelin Gonçalves passa metade da peça sozinha em cena, contando a história tragicômica de sua personagem. "Trato o público como meu cúmplice desde o início, é com ele que contraceno por todo esse tempo". A atriz optou por economizar movimentos e elementos cênicos - servindo-se apenas de uma bebida, um cigarro e um onipresente celular - e aposta na veracidade de seu olhar e da história, "e também na intensidade e variação das emoções dessa mulher que ironiza e chora de uma hora para outra", completa.

Samya Enes, atriz do grupo, dessa vez fica fora de cena, mas é também responsável pela criação do espetáculo: "é um processo novo que o Núcleo 1408 passou a adotar a partir desse espetáculo, onde nós três assinamos a direção". Ela conta que trabalhou a partir do que era proposto pelos atores e que seu trabalho se concentrou muito neles: "meu olhar externo contribuiu principalmente para lapidar as interpretações".

"Cão" se apresenta hoje às 21 horas no Teatro Princesa Isabel - Avenida Princesa Isabel, 186 - Copacabana; (21) 2275-3346.

Mais informações sobre esta e outras peças do Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro em www.teatrofest.com

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