Tentativas de estupro assustam universitários.

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Salmerón · São João del Rei, MG
19/12/2012 · 1 · 0
 

As universidades possuem uma tendência a achar que são ilhas de progresso que precisam ser guardadas das mãos sujas do resto da sociedade. Muitas vezes se isolam dentro de si mesmas, fugindo das próprias cidades que as recebem. Dificultam o seu acesso na esperança de desestimular os não-dignos a chegar perto de seus portões. Mas a universidade pública não é o monte Olimpo.

A distancia entre ela e a cidade (tanto espacial quanto social) e o descuido com o trajeto feito para chegar até o local convergiram no dia de ontem (18/12) para resultar em duas tentativas fracassadas de estupro, dentro do campus Tancredo Neves (Ctan) da Universidade Federal de São João del Rei.

Para quem não conhece, o campus Ctan é o maior dos três existentes no município. É também o mais isolado, localizado na saída do município. Reclamações relativas ao acesso são recorrentes. A esmagadora maioria dos alunos chega pela ciclovia, cujo trajeto conta com a rodovia de um lado e um matagal do outro. Falta também iluminação adequada, visto que muitos dos poucos postes que ficam no caminho estão com defeito.



Foi nesse ambiente que foi realizado um dos ataques da noite de 18 de Dezembro. Uma aluna voltava para casa sozinha por volta das 21h, levava na bolsa um notebook e alguns materiais de estudo. Foi então que o homem a agarrou, jogando longe o computador e tentand levar a moça para o matagal que fica próximo dali. No entanto, seus gritos afugentaram o criminoso. Estudantes que passavam por ali logo prestaram socorro à vítima.

Outro ataque ocorreu ainda durante o dia, por volta das 18h, nas proximidades da biblioteca. Armado com uma corda, o agressor tentou enforcar uma jovem, que pediu socorro e foi acudida por um professor. Enquanto isso, o culpado correu até sua moto e saiu em disparada. Apesar de alguns machucados, a mulher já passa bem. Há ainda boatos de pelo menos mais uma vítima do estuprador, que parece ter agido pela manhã.

Em nota oficial, o site da UFSJ declarou que está tomando todas as providências de apoio às alunas, além de reforçar a segurança nos seis campi. Outras medidas incluem a contratação de um porteiro para cada prédio da instituição e também processo de licitação um sistema de monitoramento eletrônico com uso de câmeras, que deve ser implantado já no início de 2013.

Durante o dia de hoje (19/12) o incidente ganhou ampla repercussão também nas redes sociais. A intensa movimentação no Facebook acabou resultando na organizaçao de um ato público em repúdio à falta de segurança dentro das universidades. O evento, intitulado “Manifesto Contra a Insegurança nas Universidades”, reuniu vários manifestantes para um apitaço na Praça da Estaçao - cartão postal localizado no centro de São João del Rei.

Os eventos chocam pois mostram que o pedestal onde a universidade se colocou não é tão sagrado quanto parece. Na realidade,a ansiedade transborda pois denuncia:esse ambiente nao é mais tão seguro quanto faziam parecer. Mas qual seria a solução? Uma política cada vez mais restrita de acesso, aos moldes da sempre-elitizada USP? Exército, marinha e aeronáutica? Definitivamente não: o caminho é diametralmente oposto.

Se o problema é causado justamente porque a baixa circulação de pessoas é terreno fértil para situações como essa, de que adiantaria tornar o acesso ainda mais restrito? Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, uma maior abertura da universidade às pessoas de fora é um caminho muito mais proveitoso: quanto mais pública for a universidade pública, melhor.



Os campi não são áreas isoladas do resto do município, portanto não devem ser tratados como tal. O mesmo vale para a gestão interna que muitas vezes encara autonomia universitária de forma juvenil, olhando apenas o próprio umbigo. Portanto, é necessário superar essa richa, integrando plenamente as duas instâncias. Por que não pensar a ciclovia não apenas como uma necessidade prática, mas uma oportunidade de lazer para todos os moradores? Essa simples medida já garantiria uma maior movimentação pelo local, que se encontra hoje à margem do esquecimento público.



Resumindo, a não ser que seja tomada a inciativa de atrair cada vez mais a sociedade para dentro desse ambiente, os que se sentirão atraídos sao justamente aqueles que querem manter de fora: assaltantes, estupradores e outros criminosos. Se ruas desertas durante a noite são perigosas, então imagine se for uma universidade inteira.

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