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The djanga music don’t stop

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Bernardo Mortimer - www.sobremusica.com.br · Rio de Janeiro, RJ
28/11/2006 · 63 · 1
 

É este mesmo o assunto: o Djangos está gravando um disco novo. Para quem não saiba: o Djangos, que já foi Los Djangos e Kamundjangos, vai lançar o que será o segundo disco, produzido pelo bom gosto e pela militância de generosidade de Marcelo Yuka.

E este blogueiro (ou colunista, ou fã de Torquato Neto?) ouviu uma
gravação em mp3 de um ensaio da banda. A música, especificamente, é Imigrante Ilegal, que quem esteve em algumas das últimas apresentações da banda com certeza ouviu. Só para lembrar duas delas, assim de cabeça sem pensar muito, teve o encontro com o Bois de Gerião no Vittorios, na Barra, e o encontro com o Empório e fãs desestabilizados, em Ipanema. Dois coquetéis de emoção.

O ensaio, como me previniu exageradamente o Marco vocalista da banda, ainda tem umas sujeiras nas passagens de uma parte para outra da música, e imprecisões de um arranjo ainda em construção. Trata-se de um mexidão anti-babilônia, que emaranha pontes entre guetos do terceiro mundo, a partir de uma letra que conta a história de uma figura invasora – sem lugar ou identidade – o tal imigrante ilegal que não tem certeza do que se passa dentro de si.

Louvo os pontos de referência, do Clandestino de Mano Chao aos lados a e b do Rappa de antigamente, e um pé no oriente do Asian Dub Foundation. Lá no fundo, ecos de Selvagem?, do Paralamas. Afinal, dna não se apaga com o tempo.

Sou terrivelmente suspeito para falar de Djangos, mas a obrigação de colunista (fã de Torquato, blogueiro?) não deixa que eu use artifícios: devo comentar o que vem aí. Faço da maneira que posso, que penso ser melhor. Assim: ao contrário do disco anterior deles, ‘Raiva Contra Oba Oba’, de 98, e desde então um clássico da juventude, o que estamos esperando tem bases mais densas, com mais camadas de história da opressão do homem pelo homem, com aquela boa e velha onda de fazer isso para a dança dos corpos que a rotina não cansa.

Ainda há frases repetidas como os melhores cânticos de torcida uniformizada, característica de músicas como Raiva Contra o Oba Oba ou O Baile. Djangos é Maracanã tanto quanto ônibus lotado para Jacarepaguá, mas agora virá também o cheiro forte dos temperos de Bombaim, a fumaça de Trenchtown, os barulhos dos programas de edição de som crackeados em um estúdio da periferia de, sei lá, Londres ou Cape Town.

Ou seja, a passagem dos anos 90 – quando a banda acabou metida na crise da falsa paridade Real-Dólar do sr. FH – para os 00 – quando o myspace e os estúdios caseiros redefiniram a palavra independente – está ali no som do que veio e do que está por vir.

Você não perde por esperar.

No mais, tenho dito.

(publicado primeiro no www.sobremusica.com.br, o texto foi inspirado pretensiosamente em Torquato Neto na coluna Geléia Geral)

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Fábio Fernandes
 

Carácoles!! Eu vi um show dos Kamundjangos na primeira (e saudosa) fase do Circo Voador, lá pelas bandas de 1992!! Foi muito bom!! É ótimo saber que eles estão de volta!!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 28/11/2006 15:28
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