É este mesmo o assunto: o Djangos está gravando um disco novo. Para quem não saiba: o Djangos, que já foi Los Djangos e Kamundjangos, vai lançar o que será o segundo disco, produzido pelo bom gosto e pela militância de generosidade de Marcelo Yuka.
E este blogueiro (ou colunista, ou fã de Torquato Neto?) ouviu uma
gravação em mp3 de um ensaio da banda. A música, especificamente, é Imigrante Ilegal, que quem esteve em algumas das últimas apresentações da banda com certeza ouviu. Só para lembrar duas delas, assim de cabeça sem pensar muito, teve o encontro com o Bois de Gerião no Vittorios, na Barra, e o encontro com o Empório e fãs desestabilizados, em Ipanema. Dois coquetéis de emoção.
O ensaio, como me previniu exageradamente o Marco vocalista da banda, ainda tem umas sujeiras nas passagens de uma parte para outra da música, e imprecisões de um arranjo ainda em construção. Trata-se de um mexidão anti-babilônia, que emaranha pontes entre guetos do terceiro mundo, a partir de uma letra que conta a história de uma figura invasora – sem lugar ou identidade – o tal imigrante ilegal que não tem certeza do que se passa dentro de si.
Louvo os pontos de referência, do Clandestino de Mano Chao aos lados a e b do Rappa de antigamente, e um pé no oriente do Asian Dub Foundation. Lá no fundo, ecos de Selvagem?, do Paralamas. Afinal, dna não se apaga com o tempo.
Sou terrivelmente suspeito para falar de Djangos, mas a obrigação de colunista (fã de Torquato, blogueiro?) não deixa que eu use artifícios: devo comentar o que vem aí. Faço da maneira que posso, que penso ser melhor. Assim: ao contrário do disco anterior deles, ‘Raiva Contra Oba Oba’, de 98, e desde então um clássico da juventude, o que estamos esperando tem bases mais densas, com mais camadas de história da opressão do homem pelo homem, com aquela boa e velha onda de fazer isso para a dança dos corpos que a rotina não cansa.
Ainda há frases repetidas como os melhores cânticos de torcida uniformizada, característica de músicas como Raiva Contra o Oba Oba ou O Baile. Djangos é Maracanã tanto quanto ônibus lotado para Jacarepaguá, mas agora virá também o cheiro forte dos temperos de Bombaim, a fumaça de Trenchtown, os barulhos dos programas de edição de som crackeados em um estúdio da periferia de, sei lá, Londres ou Cape Town.
Ou seja, a passagem dos anos 90 – quando a banda acabou metida na crise da falsa paridade Real-Dólar do sr. FH – para os 00 – quando o myspace e os estúdios caseiros redefiniram a palavra independente – está ali no som do que veio e do que está por vir.
Você não perde por esperar.
No mais, tenho dito.
(publicado primeiro no www.sobremusica.com.br, o texto foi inspirado pretensiosamente em Torquato Neto na coluna Geléia Geral)
Carácoles!! Eu vi um show dos Kamundjangos na primeira (e saudosa) fase do Circo Voador, lá pelas bandas de 1992!! Foi muito bom!! É ótimo saber que eles estão de volta!!
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 28/11/2006 15:28Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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