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Observatório
Revelando o concurso Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... > leia
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Fim de praia em Itacoatiara vista do Alto Mourão
Embalado por tantos relatos dos colegas do Overmundo, resolvi publicar também meu diário momesco. Para mim, o carnaval de 2007 teve um sabor muito diferente. Não caia na folia no Rio de Janeiro/Niterói desde 1991 (quando tinha só 11 anos!). Desde então sempre viajei para outros cantos. Nesse ano resolvi me reconciliar com o carnaval carioca e, sem dúvida, digo que foi um dos melhores que já passei. Não rolou aquela peregrinação pelos blocos, mas junto com a patroa e meus fiéis amigos, conseguimos fazer um carnaval bem dosado entre a pressão dos blocos e a calmaria das praias niteroienses. Confira meu tardio diário de bordo:
Sexta-feira: começou mal
Partimos de Nikiti para a Lapa na maior tranqüilidade. Como a cidade fica mais vazia! Azar de quem pegou a Ponte no sentido Rio-Niterói. Nossa programação seria o Monobloco, na Fundição Progresso. O Carmelitas, em Santa Teresa, foi dispensado, pois não nos arriscamos com a multidão que se formou para acompanhar o bloco. Na Lapa, o clima de festa já estava instaurado num mix de parque de diversões e festas folclóricas, puro encanto... que durou pouco. Antes mesmo de entrarmos uma amiga passou mal (pressão baixa) e a carteira do seu namorado (e também meu amigo) foi furtada. Um banho de água fria para um início de bagunça.
Sábado: Agora sim!
Seguindo os conselhos de uma amiga trocamos os clássicos – e bombados – blocos pelos mais “undergrounds”. Nosso destino foi o Empolga às 9, bloco sensacional que sai das imediações da Casa da Matriz, passa pela Real Grandeza e sobe a Visconde de Caravelas, deixando as ruas de Botafogo bem mais coloridas. Adorei! Rolaram todos aqueles sambas clássicos e as eternas marchinhas onde todo mundo canta junto. O único problema foi uma certa falta de logística por parte dos ambulantes e bares que não se programaram bem. De repente ninguém conseguia encontrar mais cerveja, água... até os bares ficaram “secos”. Mas como num passe de mágica outros ambulantes apareceram para repor a energia dos foliões.
Domingo: a praia!
No domingão optamos pela praia e abrimos mão dos blocos. Poderíamos conciliar, mas valeu mais à pena nos dedicarmos totalmente ao sol e ao mar. Fomos para Itacoatiara (sem engarrafamento e com vaga de sobra!) e passamos o dia por lá. O mar, sempre perfeito para os surfistas, estava mais convidativo para os banhistas. Água limpinha, céu azul, bastante espaço na areia, melhor praia não há! O almoço foi no quiosque Onda Natural e te digo: chamar aquele PF de sanduíche parece até mentira. Voltamos quando o sol se foi de vez.
Segunda-feira: slow motion
Parte da turma que estava comigo optou por um “retiro” em Teresópolis, mas resolvi ficar, claro. Novamente não atravessei a Ponte. Tirei o dia para a casa e a noite fui dar um confere no carnaval do Centro de Niterói, mas preferi o olhar estrangeiro a me jogar na folia por lá. O policiamento não estava tão presente assim e o clima de insegurança estava no ar... ainda mais para quem estava sozinho, como eu. Só tomei umas cervejinhas e ponto. Fiquei feliz por ver muitos “bate-bolas”... achei que estivessem em extinção.
Terça-feira: Caçadores dos blocos perdidos
Depois de uma segunda em slow-motion é natural que no último dia eu quisesse me arrasar. A programação inicial dos blocos era: Se melhorar... Afunda, Meu Bem Volto Já e Vem Ni Mim Que Eu Sou Facinha. O saldo foi: peguei metade do Se melhorar... Afunda. O bloco que sai de Niterói, atravessa a baía de barca e termina feliz no Centro do Rio tem seu auge, é claro, na barca... que eu mais a patroa perdemos! Porém, chegamos a tempo de pular com todo mundo pelas ruas do Centro. Paramos para almoçar num boteco e depois seguimos para Copa. Quando saímos do metrô, as ruas do bairro estavam um caos. Desistimos do Meu Bem Volto Já e partimos para Ipanema. Por conta do trânsito acabamos perdendo também o Vem Ni Mim... Curtimos um final de praia no Arpoador e pegamos a rebarba da Banda de Ipanema.
Quarta-feira de cinzas: mais praia
Pouca bagunça e mais praia. Dessa vez fomos para Camboinhas, em Nikiti. Que beleza... espaço de sobra na areia, água calma e gelada, solzão... De tarde assisti à apuração e meu coração dividido (entre Mangueira e Viradouro) ficou triste, mas tipo, nem sou torcedor fanático... Já comecei a fazer planos para o carnaval de 2008. Ano que vem pretendo peregrinar realmente pelos blocos (e deixar a praia só pra quarta-feira!) e assistir a algum dia de desfile na Sapucaí. Fiquei quase 15 anos sem o melhor carnaval do mundo. Agora vou correr atrás do prejuízo!
O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A proposta é construir um panorama do Carnaval do Brasil, sob a ótica de colaboradores espalhados por todo o país. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag carnaval-2007, no sistema de busca do Overmundo.
tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade rio de janeiro rj niteroi guia-dos-blocos carnaval-2007 carnaval bloco carnaval-de-rua musica praia itacoatiara camboinhas
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