Verde Oliva
A consistente disputa entre Comunistas e Capitalistas. Uma realidade que vem resistindo ao tempo. E, na medida do possível, essa convivência divergente, serve para aguçar nas pessoas o livre arbítrio de fazerem suas opções. O que é melhor para cada um. Isso no nível de Nação, de País. No momento o mundo anda repleto de pessoas defensoras da igualdade para todos, em divisão igualitária, fraternidade, e luta comum. Estabilizando a muralha dos adeptos do regime Socialista Comunista. Por outro lado, principalmente nos Países Ocidentais, e muito especialmente nos Estados Unidos, vigora a força capitalista cujos princípios direcionais são: trabalho e individualidade para todos. Democracia. Isto nos induz a pensar na possibilidade de que aqui no Brasil crie-s, como no restante dos países, ditos subdesenvolvidos, coincidentemente, todos da América Latina, da implantação de um regime pesado, a Ditadura. Um regime de imposições de fortes interferências naquilo que se produz nas áreas culturais, nos pensamentos individuais de cada cidadão. Isto é um fato. Ainda persiste o interesse da União Soviética em se estabelecer em terras latino-americanas, concorrendo diretamente com os EUA, em se ramificar também nesses países alvos estratégicos, no que concerne, segundo juízo das duas potências mundiais, a má condução desses países por parte de seu povo e de seus governantes. Bem como por se mostrarem frágeis economicamente, ideologicamente, no entanto com potencial de virem a ser, para um lado ou para os outros grandes aliados no futuro. Existe a força imbatível dos Estados Unidos da América em evitar que ocorram com os pobres países, até poderem administrar suas fronteiras, seus espaços físicos, o que se viu acontecer em Cuba, uma república filial da União Soviética. Isto fatalmente acontecerá e, pela posição do ranking, fatalmente os Estados Unidos levarão a melhor. Pela proximidade, pelo que já se adiantaram em conversações com os presidentes desses países, na sua grande maioria adeptos seus.
Tal regime, impede as pessoas de suas individualidades. Por exemplo: ninguém mais sai às ruas depois das dez horas da noite; todos os muros serão pichados "Abaixo a Ditadura"; os sermões dos padres serão ouvidos atentamente por agentes do SNI. A maioria dos professores, formadores de opinião terão de prestar conta dos seus atos heróicos junto aos DOPS.
E eu temo por mim. Mas é inevitável que isso aconteça, para que os saudosos façam valer os seus desejos de última hora concretizados. Depois a coisa continua... pau da nuca, pau de arara, pessoas torturadas das mais diversas formas, como os americanos aprenderam nas duas guerras que tomaram parte, deportações, extermínio de combatentes contrários, o escambau.
Eleições só para Miss Brasil, presidentes de Clube de Futebol, da Câmara e Senado Federais, que farão apenas o papel de tal, no fundo tudo, tudo, tudo, o Senhor General de tudo cuidará e tudo. Determinará, e resolverá.
Temo por mim, que não tenho pernas para correr, e não poder participar desse carrossel da alegria, porque não tenho também altura, para chegar acima do meio do muro e escrever, gostosamente "Abaixo a Ditadura", O DOPS é merda!
Temo por mim que não vou poder comprar os Lps que o Chico, o Caetano, o Gilberto Gil, MPB4, Quarteto em CY, lançam todos os anos. O do Roberto Carlos, meu pai sempre compra. Agora que impulsionados pelo repúdio ao novo sistema implantando cresceu vertiginosamente o poder criativo em cada um deles, que farão coisas esplendorosas. A Ditadura tornou-se o dínamo da produção literária e fonográfica em nosso País. Em injustificadamente veremos a fuga forçada de alguns, ironicamente para os EUA, França, para onde vai Frei Tito, Geraldo Vandré. Caetano Veloso, Gilberto Gil, estes agora vivendo na Inglaterra. Por aqui se fala que o exílio dos dois, Caetano e Gil, foi, vamos assim dizer um auto-exílio patrocinado por eles mesmos que, por iniciativa própria foram à PF atualizaram seus passaportes e se mandaram, em busca de inspiração e novidades herméticas. De lá, todos os anos cada um lança um disco; vimos agora chegarem às lojas do Caetano, London London, do Gil Expresso dois, dois, dois, maravilhosos.
Temo por mim que não poderei namorar nenhuma filha de militar, sendo eu membro do Grêmio Estudantil da Escola Técnica Federal. Mas é necessário que isso se confirme mais ainda em nosso País, uma Nação que não se modificava em nada, não progredia para qualquer lado, e ainda com a ameaça por parte dos professores da rede pública de ensino, e dos alunos gremistas, e de alguns pensadores, religiosos de criarem, daqui, um País Comunista.
Não foi melhor assim? Estamos livres dessa idéia absurda, e finalmente convivemos com a Ditadura. Que chegou no tempo certo, depois, já poderia ser tarde para muitos que ansiavam tanto pelo restabelecimento da ordem. E eu, por egoísmo não devo ir de encontro aos fatos. Comunista que se presa, presa pela privacidade, individualidade de cada um. O bem comum nas mãos de todos. Tudo é dividido, inclusive o pescoço da cabeça. Que se concretize a Ditadura, pois existe muitos que não se contêm com a ditamole. Acham acanhada, desmantelada, coisa que todo mundo bota a mão e continua dormente, inalterável. Que dure a Ditadura. Que venha em seguida a escravatura. Pois existem ainda aqueles que, dando os seus últimos suspiram, ainda desejam contemplar um pelourinho, e ainda mudam de calçada quando seriam forçados a pisarem no mesmo quadro de chão de um ser igual, de outra cor. Que entrem em movimento todos esses dínamos que impulsionam o nosso País para frente e o torna mais democrático, independente, concorrente igual no mercado internacional, mais exportador que importador - inclusive de pessoas submetidas ao exílio, uns forçadamente, outros nem tanto; tri campeão do mundo no futebol. Que venha Pelé, Tostão, Carlos Alberto "nosso capitão", Garrincha, Jairzinho; que o Chico Buarque continue nessa efervescência criativa, todo semestre lançando um LP, cada um mais belo que o outro, o mesmo aconteça com Caetano Veloso, Augusto Boal, Rui Guerra "um português integrado com nossa música e nosso teatro", Cacaso, Wally Salomão, Geraldo Vandré, Elis Regina, com os Tropicalistas, com Tom Zé, Rogério Duprat, com o meu conterrâneo Torquato Neto.
Que Pinochet seja nosso aliado.Que Médici seja um dos escolhidos para presidente da República Federativa do Brasil. Que os Bossas Novistas, João Gilberto, Roberto Menescal, Toquinho, Tom Jobim, Jonny Alff, Carlinhos Lira, Vinícius de Moraes, Paulo Sérgio Vale, João Bôscolli, fiquem dias e dias nas bordas das piscinas tomando Uísque, cantando: O Pato, Amor sem Fim, Se Todos Fossem Iguais a Você, Berimbau, Samba de Uma Nota Só, Eu e a brisa, pouco incomodados com a inquietude lá fora, com as rondas contínuas dos policiais federais, caçando comunistas, maconheiros, porque cada um dispõe de uma carteirinha que lhes permitem compor e cantarem, músicas que só falem de flores, amores, Ipanema, corpo dourado, e já se inicie o processo de americanização, também de nossas melodias, compondo uma música inédita, nascida da mistura do nosso samba, com o jazz americano, no seu requinte harmônico.
Que se estabeleça o regime que faz com que todas as músicas, todos os curtas metragem em super oito, todos os livros de poesias e prosas, todo pronunciamento acadêmico, toda festa promovida pelos grêmios estudantis, sejam gravadas e passados de mão em mão dos sensores brasileiros e vistoriadas por servidores do DOPS.
Naeno, teu texto não ficaria melhor no Banco de Cultura? Acho que por lá ele seria melhor visto e lido. Já tiveste acesso ao Participe?
Fica a dica.
Abraço.
Muito boa colocação, escrito perfeito, um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 2/9/2007 14:00Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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