Segundo Fernando Peixoto, esta peça é o primeiro exemplo didático e pedagógico na obra de Berthold Brecht. A montagem do Galpão, com direção de Paulo José, traz para a atualidade as críticas do autor. Não que tenha sido um trabalho complicado, até aí: Brecht, explorando a natureza humana, tem se tornado cada vez mais atual, não importa em que década se esteja.
Apesar de ser uma paulada nos que defendem certas guerras, o texto ressalta o processo de alienação humana, possível em qualquer pessoa e a qualquer momento. O personagem que nos traz esta perspectiva, Galy Gay (talvez surjam aquelas piadinhas sobre o trocadilho óbvio do nome do personagem nas filas do Rio), é só um homem comum, em busca de um peixe. A perda do sentido entre conseguir o provento e se tornar um guerreiro numaluta que não era sua é contada de maneira clara, brilhante e, sob certo ponto de vista, assustadora.
Na montagem paulista, o ator Eduardo Moreira fez espetáculos numa cadeira de rodas, devido ao rompimento de ligamentos de uma perna, durante apresentações no Festival de Teatro de Curitiba. O que mostra a garra dos atores em torno do espetáculo e de como Brecht, acima da superfície do seu texto, se torna superior a adversidades para passar ao público sua mensagem.
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