Como se não houvesse amanhã

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Richard Silveira · Itabuna, BA
11/4/2011 · 3 · 1
 

Quando falamos de ‘vida humana’, ou melhor, de vida no sentido amplo, nos remetemos a nossa limitação: Um dia iremos adormecer para sempre, certo! Estive a pouco tempo pensando nesse limite que temos, tive a ousadia de chegar a uma conclusão, somo limitados pela morte, mas ilimitados pelos sentimentos, podemos amar incondicionalmente da mesma forma que podemos odiar, é preciso nesse espaço de tempo que chamamos de ‘vida’ no rodear de bons sentimentos.
Um fato interessante nessa dinâmica de viver é que somos um ser indeciso por natureza. Quando criança, queremos crescer para viver nossa ‘independência’, porém, quando adultos ‘independentes’ gostaríamos de novamente viver aquele tempo de inocência que era nossa infância. Somos um ser tão perplexo que ainda acreditamos que quando nossa cota de dias acabar, ainda não teria cumprido nossa ‘missão’, teríamos amado pouco, odiado muito, perdoado pouco, e de repente queremos ser tudo aquilo que não fomos de novo, queremos viver tudo novamente, fazer valer a pena ter entrado na vida de muitas pessoas, porém, uma hora já será tarde.
Certa música do compositor Renato Russo fala assim: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”, de fato, é preciso, mas, quem são essas pessoas que devemos amar tanto assim? As que nos fazem sorrir, ou, as que nos faz chorar? As que nos elevam, ou, as que nos fazem mal? O grande profeta Jesus Cristo disse que os sãos não precisam de médicos [1] , precisamos então, em um esforço ‘jesuítico’ amar aqueles que nos faz sofrer! Belas palavras, porém, não chega a passar de uma utopia, na falha condição humana em que estamos mergulhados, somos no máximo, capazes de esquecer aqueles que nos fizeram mal, e agradar aqueles que mais nos apetecem.
É certo que em nossa vida muitas pessoas passarão por nós, algumas pessoas marcarão nossas vidas pelo bem que fizeram, ou mesmo, pelo mal que fizeram a nós, e nós? Como marcaremos a vidas das pessoas que nos circundam? Quando de nós só restar à saudade, será uma saudade boa ou ruim? De forma quase dogmática as pessoas que souberam amar nunca morrerão, com diz o ditado: “Fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”, sendo assim, na saudade de quem um dia soube amar, sempre resta o amor, sempre vive o amor, e que deixemos só o bem que existe em nós.

Sobre a obra

O que deixamos? O que marcamos na vida das pessoas? Como seremos lembrados? Um texto de fácil interpretação.

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informações

Autoria
Richard Batista Silveira
Ficha técnica
Texto de ficção que fala de nossa busca pelo utópico dogmático, de amar os que nos fazem mal, e o medo de nossas lembranças póstumas!
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Doroni Hilgenberg
 

Interessante e complexo o seu texto. Na verdade,penso que esse amar se refere a um termo mais amplo da palavra e não amar a um só ser ou objeto. Vc disse bem, não podemos amar a quem nos faz sofrer e no entanto amamos sim, até o dia em que o limite se esgota e a esperança se acaba. Pq nós - os seres humanos- vivemos de esperança, mas o amor próprio impõe limites. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 13/4/2011 14:58
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