Análise do Discurso é um campo de estudo fundado na França, em fins dos anos 1960, cujo objeto, como o próprio nome indica, é o discurso. Vários fatores influenciaram o seu surgimento, os principais podem ser encontrados nas condições sócio-históricas da época e nos intensos debates filosóficos em torno da epistemologia. A Europa vivia as inseguranças da Guerra Fria, já as ciências humanas, especificamente a lingüística, conheciam o período áureo do estruturalismo. É importante sabermos um pouco mais a respeito do solo em que germinou essa disciplina.
1.1 Conjuntura Histórica: o pós-guerra.
Acabada a Segunda Guerra Mundial, a Europa é deslocada do centro do poder internacional. Foi o preço pago por não ter evitado o expansionismo nazista por meios próprios. “Na primavera de 1940, a Alemanha levou de roldão a Noruega, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica e França com uma ridícula facilidade” (HOBSBAWM, 1999, p.46). Segundo RÉMOND, a derrota da França “entregara aos alemães o continente inteiro” (p.144).
O desfecho da Guerra dependeu exclusivamente de dois países não-europeus: os Estados Unidos e a União Soviética. Por conta disso, foi rasgada ao meio por uma “cortina de ferro”, para utilizar as palavras do ex-presidente da Inglaterra Churchill proferidas em março de 1946. O leste ficou sob a influência soviética e o oeste, sob a dos norte-americanos.
Às vésperas de 1950, a Europa ainda era incapaz de “... assegurar a própria defesa, dirigir o próprio destino, reerguer a própria economia” (RÉMOND, p.144).
Para sair da crise, teve que se dobrar a ajuda externa. De um lado, os EUA com o Plano Marshall (1947) depositam milhões de dólares nas contas dos países do oeste; de outro, a União Soviética, através do Conselho de Assistência Mútua (1949), faz o mesmo, só que em proporções menores, às economias planificadas.
A Nova Ordem Mundial, marcada pela disputa geopolítica entre os representantes de dois modelos econômicos antagônicos, gerou uma corrida armamentista sem precedentes. O receio em perder áreas de influência era concomitante ao desejo de conquistar novos territórios. O medo de uma Terceira Guerra era constante.
Os EUA espalharam centenas de tropas militares pela Europa Ocidental, a fim de protegê-los da expansão comunista. Era a Doutrina Truman (1947) que estava sendo posta em prática através do Tratado do Atlântico Norte (1949). A União Soviética seguiu o exemplo ianque em relação ao leste, após assinar o Pacto de Varsóvia (1955).
Para aumentar ainda mais a ferida narcisista, a maior parte das colônias européias da África e da Ásia conquistam a independência. A Europa adentra os anos 1960, despojada das pompas de outrora. “As grandes potências de 1914, todas européias, haviam desaparecido” (HOBSBAWM, 1999, p.23).
Mas, o mundo capitalista caminhava para o que HOBSBAWM chamou de anos dourados. “Os impressionantes problemas sociais e econômicos do capitalismo na Era da Catástrofe aparentemente sumiram” (1999, p. 59). Podemos dizer que a prosperidade da Europa Ocidental foi conseqüência dos investimentos norte-americanos realizados na década anterior, das inovações tecnológicas e do aumento populacional, que significava uma ampliação tanto do mercado consumidor, quanto da capacidade produtiva.
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