A CRISE MORAL INVENTOU O PARLAMENTO DE MERCADO
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.br
Nas chamadas sociedades primitivas, a exemplo das indÃgenas, o chefe da tribo, o cacique e até a autoridade espiritual na figura dos feiticeiros e pagés, sempre estavam e estão acima de qualquer juÃzo moral ou polÃtico feito pelos demais integrantes da comunidade. Essas sociedades são chamadas primitivas porque eram e são organizadas em termos pré-civilizados, quando não havia a noção de cidadania.
Pois bem, hoje no Brasil muitas autoridades querem ser consideradas acima do juÃzo moral dos cidadãos, a ponto de permanecerem ocupando fatias de poder mesmo liquidadas moralmente por acusações com provas e condenadas pela opinião pública.
Esta cena brasileira nos dá a impressão de recuo no tempo, deixando a sociedade complexa e moderna para retornar à comunidade primitiva, dos caciques e pagés. Nesta, pelo menos, havia e há o compromisso moral e espiritual dos chefes em darem o melhor exemplo de retidão, valentia e sabedoria. Em nossa sociedade do século XXI não existe mais esta postura positiva.
Assim é que podemos posicionar as cenas brasileiras no palco da história e constatarmos, vendo, por exemplo, o comportamento do presidente do Senado, que o que resta é a luta insana pelo domÃnio do poder. Nesse ringue, a honestidade, a moralidade não passam de coisas de otário, incômodas, piegas, longe da realidade do poder.
São poucos os exemplos de parlamentares e outras autoridades que se popde apontar como exemplos de desapego à dimensão material e imediata (benesses) do poder. Assim, chama a atenção o comportamento do senador amazonense Jefferson Peres, lÃder do PDT e ex-candidato a vice-presidente na chapa do pernambucano Cristovam Buarque. Incontinenti, o senador posicionou-se pela renúncia de Renan Calheiros, partindo do princÃpio de que, sob suspeita, a autoridade não pode mais ficar no cargo que ocupa, afastando-se para tentar provar sua inocência em juÃzo.Provada, que reassuma. Do contrário, fique fora.
Chama também a atenção o posicionamento semelhante assumido pelo senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), que disse, em entrevista à IstoÉ, que, no lugar de Calheiros, se afastaria do cargo. Estes exemplos revelam a existência, no Congressso Nacional, do que ainda resta de postura parlamentar e ética da fase anterior da história recente desta República. Ou seja, da fase em que os partidos polÃticos tinham definida postura ideológica, linha programática seguida fielmente pelos seus integrantes com ou sem mandato.
Na contramão dos partidos e parlamentos dos paÃses desenvolvidos, no Brasil assistimos, nestes últimos 20 anos, a liquidação dos fatores polÃticos positivos, como se tudo tivesse se transformado em mercadoria vendável. Aqui vemos prevalecer a detestável caricatura de parlamento,como uma cópia canhestra dos existentes em outros paÃses. Com a presença do mensalão, vemos completado o desenho do que eu chamaria de parlamento de mercado.
* jornalista
Pois é Augusto. O Brasil, como República, não começou ainda.
Nao começou porque somos um amontoado de povos. Como o tesouro, não a céu aberto, foi descoberto por último. Ainda permanece o espÃrito de garimpeiro na sociedade brasileira.
- Sem a indenização do negro e restituição ao Ãndio. Não se pode falar em dignidade, honradez. Dignidade onde? E a História?
- salta-lhe uma parte, deixa um vácuo no meio. um abraço, mas muito oportuna a colocação e reflexão. andre
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