A Globo e os Black Blocs

Agência Brasil
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Gustavo Côrtes · Rio de Janeiro, RJ
12/11/2013 · 4 · 0
 

Nos últimos meses uma guerra midiática tem sido travada. De um lado a Rede Globo, com sua cobertura das manifestações que se iniciaram em junho, do outro as vozes das ruas que bradam contra jornalistas da emissora, acusando-a de parcialidade e de deturpar os acontecimentos.

Com o surgimento dos Black Blocs - tratados como vândalos pela emissora – o discurso se intensificou e acusações foram trocadas. Principalmente entre a famosa Mídia Ninja e as Organizações Globo, um exemplo disto foi a discussão ocorrida no YouPix deste ano, no Rio de Janeiro. Porém, o intuito não é comparar uma forma de transmitir suas mensagens em contraposição com a outra, mas sim as similaridades de suas ações.

A Rede Globo parece ignorar a Internet. Apesar de estar ada vez mais pautada pelo que vem da rede, no que toca as redes sociais, preferem ignorar a evolução, imaginando que se “não falarem” sobre isso, a coisa vá sumir. Ora, publicar notícias com fotos em sua página no Facebook e “pedir” que os leitores busquem a notícia no portal, pois o Facebook estaria diminuindo a audiência de seus sites – que é a origem dos lucros da Organização na Internet – é querer ignorar o futuro.

Já os Black Blocs são um Movimento, e não um grupo de vândalos que fazem arruaça nas manifestações. A prova disto, são os alvos de seus ataques: bancos, ônibus e a própria Rede Globo. Trata-se de um ataque ao Capital e não à instituição física, não é um ato de vandalismo, é uma atitude simbólica pelo qual o Movimento se expressa.

Mas o que ambos possuem em comum?

Ambos têm atitudes vazias. Ignorar a evolução tecnológica como a Rede Globo o faz, retirando os links e torcendo para que o Facebook desapareça não vai resolver seu problema. A audiência continuará caindo e as pessoas ficarão mais e mais insatisfeitas - algo que fica explícitos nos comentários postados em cada publicação - e buscarão outras formas de se informar.

Já os BBs, não conseguem sair do simbolismo. Suas atitudes não derrubarão os lucros excessivos dos bancos e não mudarão o sistema econômico do país. Suas atitudes não são puro vandalismo, acreditar que atacam o que veem pela frente sem nenhum discernimento é ignorância. É um ato simbólico, mas um protesto vazio. Afinal, quebrar as máquinas não impediu a Revolução Industrial.

O futuro é incerto. A Internet toma pra si cada vez mais o público, que contribui e se acostuma com uma nova forma de consumir e produzir, uma nova forma de Cultura. Os protestos continuam acontecendo, e assim deve ser, toda opinião é válida. O desenrolar dos fatos devem ser acompanhados e estudados, afinal, estamos vendo a história acontecer.

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