A musicalidade dos meninos do Som da Floresta

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Rosiane Farias · , AC
5/11/2006 · 101 · 1
 

Sementes, galhos, ouriços e cipós, uma verdadeira parafernália florestal, nas mãos de um grupo de crianças com idade de 5 a 14 anos, dos bairros Wanderley Dantas, Adalberto Sena e Xavier Maia, em Rio Branco (Acre) se transformam em instrumentos de percussão, através da Oficina Som da Floresta, projeto sob a batuta da Ong Vertente. A garotada sob a orientação de professores aprendeu a confeccionar bumbos tradicionais, chocalhos, blocos sonoros, paus-de chuva, tambores inspirados na cultura Ashaninka, além de participarem das aulas de educação ambiental sobre a importância da preservação da floresta e a utilização de seus recursos, com respeito ao meio ambiente.

A professora de canto, poeta e compositora Neiva Nara em dobradinha com o percussionista Rogério Moraes, responsáveis pelo trabalho musical, procuram desenvolver a criatividade do grupo a partir da temática ambiental. As músicas em sua maioria são de compositores amazônicos. As letras são debatidas pelo grupo de forma lúdica.

Hoje, após três anos de criação do Som da Floresta, não falta convite aos pequenos para se apresentarem em shows e eventos na capital. A música, para eles, é a porta de entrada para o amplo universo da cultura e para a descoberta de seus direitos como cidadãos. Abriram a Conferência Estadual do Meio Ambiente (2005), a Feira de Produtos da Floresta (2005). Uma das últimas apresentações do Som da Floresta aconteceu na inauguração da Usina de Artes João Donato, no dia 24 de abril. Na platéia entre artistas acreanos, produtores culturais, o ministro da Cultura Gilberto Gil e o cantor e compositor João Donato. O grupo arrancou aplausos pela original interpretação do Hino Acreano, tocado e cantado em ritmo de baião.

Criada em 2003, hoje a Oficina Som da Floresta se transformou em Ponto de Cultura, do Ministério da Cultura. As atividades que antes eram desenvolvidas na Paróquia Santa Luzia, no bairro Adalberto Sena, possuem espaço próprio, adquirido através de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, tendo com patrocinador O Boticário. No espaço serão desenvolvidas, a partir de maio deste ano, atividades envolvendo as diversas linguagens artísticas: artes plásticas, cinema, música e artes cênicas.

O projeto não pára por aí. Uma parceria entre o Ministério da Cultura e o Ministério do Trabalho, fez com que a Oficina Som da Floresta ampliasse sua atuação, direcionando suas ações aos adolescentes dos bairros. Com idade entre 16 e 24 anos. Eles já participam de cursos profissionalizantes e debates sobre meio ambiente e cultura, além de receberem um auxílio de R$ 150 do Ministério do Trabalho.

A idéia dos coordenadores do Ponto de Cultura em 2006 é envolver toda a comunidade dos três bairros. Trabalhar com as mães das crianças e jovens, oferecendo cursos com o objetivo de geração de renda e ao mesmo tempo de aproximá-las do projeto.
“Para a Vertente é importante que a comunidade se sinta dona do Som da Floresta, conduza o processo. Temos que ficar como apoio e expectadores dessa maravilhosa ciranda, essa mistura”, diz Foerneck.

Se o Rio de Janeiro tem o Nós do Morro, a Bahia tem o Olodum, São Paulo o Bate Lata e Os Meninos do Morumbi, o Acre tem o Som da Floresta.

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Fabiana Mesquita
 

Muito bacana, Rose! Ouvi falar do Som da Floresta mas ainda assisti. Quando tiver oportunidade, não vou perder!

Fabiana Mesquita · Rio Branco, AC 5/11/2006 21:38
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