"Por que essa conversa demorou tanto?” Essas foram as palavras do Ministro Gilberto Carvalho depois de mais de 3 horas ouvindo, nesta quinta, dia 18/07, o “desabafo”, as provocações, cobranças e propostas de mais de 40 participantes e ativistas de movimentos sociais e culturais de todo o Brasil reunidos em uma primeira rodada dos “Diálogos Governo e Sociedade: Novas Formas de Participação Social na Política” no Palácio do Planalto. Na real essa era a pergunta de todos que estavam ali (entre desconfiados e esperançosos) saudando a iniciativa do Ministro da Articulação Social, depois que as Manifestações em todo o Brasil deram um sacode no gov e botaram fogo, literalmente, nas ruas.
E as cobranças foram muitas. Afinal grande parte dos ativos e conquistas elaboradas no governo Lula foram engavetados e viraram “passivos” na gestão Dilma: Marco Civil para Internet, Reforma da Lei dos Direitos Autorais, Programa Cultura Viva, Regulamentação das Comunicações, Plano de Banda Larga, Pontos de Midia Livre, Pontos de Cultura, Politica de Software Livre, Ação Cultura Digital, etc. Foi proposto a retomada já de todos esses projetos, Leis, etc. E acrescentadas novas demandas, como o pedido para que o governo brasileiro dê asilo político a Edward Snowden, um gesto politico e simbólico para posicionar Brasil na nova geopolitca e uma resposta as recentes revelações de que estamos sendo monitorados e espionados pelos EUA. Nessa linha se pediu que os softwares instalados nos computadores da presidência e em todo o Planalto sejam auditados constantemente e o governo assuma uma politica nas suas plataformas de participação e consultas públicas de dados abertos.
O debate, preparatório do lançamento de uma Politica Nacional de Participação Social e da apresentação da Plataforma Participatório girou em torno das novas formas de participação (plataformas, consultas públicas, petições, canais de comunicação direta governo/sociedade, incorporação de iniciativas da própria sociedade) e da crise de representação explicitada nas Manifestações de Junho, mas foram lembradas de forma recorrente que já temos propostas surpreendentes e avançadas mapeadas nas Conferências de Comunicação e Cultura e outras que não foram implementadas. Outra demanda repetida a exaustão: que as consultas públicas tenham realmente incidência e se tornem efetivamente politicas públicas e sejam implementadas, para sairmos da crise de confiabilidade instalada. Viemos todos overdosados de participação politica nos 8 anos de Lula. Não tem volta é radicalizar a democracia ou a energia represada explode em violência real e simbólica. É olhar pras ruas!
Foram muitas demandas insurgentes: Mapear e entender os novos movimentos sociais e culturais e os desorganizados que não são ouvidos em nenhuma instância do governo; descriminalizar as Ongs e o terceiro setor, fazer co-gestão das politica públicas com a sociedade e transformar o Estado num Estado-rede onde a sociedade inteira é co-gestora.
Diante de um jogo pesado da grande mídia e corporações que jogam o governo para a direita, que privatizam e criminalizam o Comum, e um Estado verticalizado que 'queimou" parte dos ativos, do imaginários e das narrativas trazidas no gov Lula, só a pressão das ruas, as manifs, embates, gritas, o fogo ateado nas ruas das cidades, as ocupações e diálogos permanentes e constantes podem disputar o governo para o campo que queremos. Como um governo popular pode financiar uma midia corporativa que joga contra as conquistas da sociedade e não enxerga as centenas de iniciativas midialivristas nas redes e a disputa de narrativas e de mundos laboratoriadas pela midia da multidão, nas redes e nas ruas? É dessa fabulação nova que está surgindo um imaginário novo e uma nova forma de fazer politica.
Também foi lembrada a vergonhosa atuação e truculência da policia em todo o Brasil nas manifestações e de forma cotidiana nas favelas e periferias. Estamos todos no meio do furacão! Mas, como diz a música vamos torcer para que o rap seja esse mesmo: "reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima". (Ivana Bentes. Brasilia, 18/07/2013)
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