Chaïm Perelman, pensador francês, dizia que o discurso perfeito é aquele capaz de persuadir o auditório universal. E a gente fica pensando: num discurso perfeito podemos utilizar uma linguagem que serve para mentir ? Segundo Umberto Eco uma linguagem que não serve para mentir não serve para dizer a verdade, ou seja, é uma linguagem que não serve para nada.
Falácias e paradoxos estão bem aÃ, em todo discurso perfeito, mesmo que nossos olhos, ouvidos e cérebros não percebam. Vez ou outra, em jazz, surgem discursos sinceros, honestos, alinhados à Ética de Aristóteles onde o silogismo clássico não permite aventuras, blefes ou seduções. Um desses momentos lúcidos do jazz é marcado pela gravação do disco Ballads, de John Coltrane, muito criticado por especialistas em mentir.
Puro, honesto, sincero: eis um discurso perfeito, daqueles que seduzem o auditório universal de todas as épocas e lugares. Gravado entre 1961 e 1962, com McCoy Tyner (p), Jimmy Garrison (b) e Elvin Jones (d) - Impulse MCAD-5885
Excelente resenha. Vou comprar o álbum. E os livros também.
Paulo Nardelli · Itália , WW 19/4/2007 22:09Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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