Capacitação reúne aldeias de Ensino Médio do MS

Danielle de Medeiros
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danielledemedeiros · Florianópolis, SC
7/8/2006 · 72 · 1
 

Pela primeira vez na história de Mato Grosso do Sul, professores de escolas indígenas se reúnem por um ideal: discutir educação e melhorar o ensino de sua aldeia. Entre os dias 26 a 28 de julho, a Secretaria de Educação do Estado em parceria com o Centro Universitário da Grande Dourados realizou a fase presencial do curso de capacitação de professores indígenas do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) noturno.
O curso aconteceu no Núcleo de Atividades Múltiplas da Unigran, na Aldeia Jaguapiru, por meio do Programa Nacional de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio (ProIfem).
O evento contou com representantes de todas as aldeias do Estado que possuem ensino médio e EJA. Eles se dividiram por áreas: ciências da natureza e matemática, linguagens e códigos, e ciências humanas e suas tecnologias.
A coordenadora do projeto, professora Terezinha Bazé de Lima, acredita que pela primeira vez no Estado uma ação de capacitação reuniu essa diversidade de etnias, culturas e línguas. “O maior objetivo é que os professores se capacitem na produção de conhecimento, iniciação científica e elaboração de projetos de pesquisa”, enfatizou a professora.
E acrescenta que a proposta metodológica de trabalho não será capacitar o índio para trabalhar a cultura dele, mas sim orientar o professor indígena para que ele possa ter instrumentos tecnológicos para construir cientificamente o conhecimento, fazendo com que eles mesmos desenvolvam os projetos que interessem a comunidade. “Queremos despertar no índio o interesse dele em fazer uma especialização, um mestrado e doutorado”, afirma.
Para Amâncio Vitorino Delfino da aldeia Água Azul, município de Dois Irmãos do Buriti, professor da Escola Municipal Indígena Cacique Ñandeti Reginaldo, o curso foi proveitoso pela proporção de intercâmbios entre as várias representações das aldeias. “Essa avaliação de reflexão para o melhoramento de ensino nas nossas comunidades é muito importante. E os benefícios são inúmeros”, afirma.
A diretora da Escola Indígena Toghopanãa, Cilena Pina Pinto, que trabalha com a etnia Guató, na Aldeia Uberaba, no alto do Pantanal, último ponto a noroeste do país, entre a Bolívia e o estado do Mato Grosso, viajou um dia de barco, desde a Ilha Ínsua, no Pantanal sul-mato-grossense, até Corumbá, e mais quase 24 horas de ônibus para não perder o curso em Dourados. “A capacitação supre as nossas necessidades. Para nós, foi um prêmio vir aqui. É muito significativo participar desse curso, agora temos o embasamento teórico para fazer os projetos”, afirma.
No primeiro dia, os professores puderam interagir e trocar experiências, discutindo as problemáticas de cada comunidade. No segundo, no período da manhã, eles aprenderam a metodologia do projeto de pesquisa, e também como fazer um artigo cientifico. À tarde, os participantes começaram a desenvolver o pré-projeto de suas aldeias, analisando os problemas mais urgentes.
No último dia, foi a apresentação do projeto. Ali, eles expuseram todas as suas necessidades e possíveis soluções. Os temas percorrem assuntos como o resgate da língua materna, o meio ambiente e o alcoolismo.
O curso está adequado às diretrizes da Educação Indígena. E vai continuar a distância, pelo correio e pela internet. Ao termino da capacitação, eles irão fazer um artigo científico sobre o projeto desenvolvido na sua aldeia. Desde já, eles já têm condições de inovar sua rotina de aula com métodos de trabalho diferenciados.
Fizeram parte do evento dezesseis aldeias, cinco etnias, somando mais de noventa e oito professores. São elas, Aldeia Brejão do município de Nioaque, Uberaba (Corumbá), Amambaí (Amambaí), Bananal, Limão Verde e Lagoinha (Aquidauana), Aldeinha (Anastácio), Te’yikue (Caarapó), Jaguapiru, Bororó (Dourados), Cachoeirinha (Miranda), Córrego do Meio (Sidrolândia), Bodoquena (Porto Murtinho), Buriti (Porto Murtinho), Buriti e Água Azul (Dois Irmãos do Buriti).

Na foto, oração de encerramento.

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Rodrigo Teixeira
 

Oi Dani. Parabéns pela matéria. Este assunto é muito interessante e vale a pena aprofundá-lo. Sei q vc tem bastante material e Dourados vive este clima diariamente. Manda brasa. ab

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 7/8/2006 17:29
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