O Cine São José e a Gestão Horizontal da Cultura

Allan Gomes
Fachada do Cine São José
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celiosg · Campina Grande, PB
11/1/2015 · 0 · 0
 

Patrimônio arquitetônico e cultural de Campina Grande, o Cine-teatro São José está sob o domínio do governo do Estado desde a década de 1990. Antes disso, o São José pertenceu a uma tradicional família proprietária de cinemas. O espaço viveu seu apogeu na sociedade campinense quando a sétima arte ditava de forma bem mais intensa do que hoje a moda e os costumes sociais.

Não foram poucas as vezes, nos últimos anos, em que estudantes, produtores, diretores de cinema, artistas, entidades e ativistas culturais da cidade procuraram chamar a atenção e sensibilizar os poderes públicos em relação ao abandono do Cine-teatro São José.

Sem funcionar desde 1983, o Cine-teatro São José foi reaberto no último mês de julho após reforma que superou a cifra de R$ 3 milhões em investimentos. O espaço, que se viu no centro das discussões da cena cultural da cidade paraibana de Campina Grande e região nos últimos anos, agora encara o desafio de se consolidar como mais um equipamento de acesso à arte e opção de lazer e entretenimento para a comunidade.

A atual reforma de recuperação do prédio manteve as particularidades do estilo arte déco característico do local, mas ampliou toda a estrutura interior com a construção de novos ambientes.
Foram construídos camarins, almoxarifado, copa, escritório, salas de aula e dança, cinco novas baterias de banheiro, uma cafeteria e um espaço multiuso na área externa. Houve também a troca do piso e forro, colocação de carpete e instalação de 148 poltronas.

São, agora, quatro espaços distintos: A Galeria Saguão, o hall de entrada, um espaço para a exibição de desenhos, pinturas, quadros e esculturas; a Sala Limite, uma sala de cinema e teatro com 148 lugares; o Anfiteatro Geraldo da Rabeca, uma área a céu aberto para apresentações artísticas; o Café Literário, um espaço no qual o público pode se alimentar nos intervalos entre as atrações e ainda com uma pequena área para apresentações mais intimistas.

A gestão do Cine-teatro São José é formada pelas diretorias de Ação Cultural, Audiovisual e Cultura Popular. Juntas, elas debatem as propostas de atividades com representantes da sociedade civil local, que formam uma espécie de conselho consultivo. Assim, os projetos são criados e encaminhados para a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). O órgão, ligado à pasta de cultura do poder executivo estadual, é o responsável pela conservação do São José e regula a ocupação do espaço. É na consolidação desse ambiente de trabalho colaborativo que Toninho Borbo diz ser possível atingir os objetivos culturais dos diversos segmentos da sociedade campinense.

O músico e diretor de ação cultural do Cine-teatro São José, Toninho Borbo, aposta no estilo de gestão compartilhada para dar vazão às demandas dos que desejam ter como placo para divulgação e publicação de seus trabalhos as salas recém-inauguradas.

Segundo Toninho, a principal proposta a ser colocada em prática é fugir das antigas ideias de trabalho de produção cultural. O que se pretende é implantar uma forma colaborativa de ação. “Pretendemos horizontalizar as decisões o máximo possível e, com isso, tecer uma teia colaborativa na cena cultural campinense”, disse.

De acordo com Toninho Borbo, são duas as metas principais de atuação do Cine-teatro São José. A primeira é incentivar a circulação da produção cultural de Campina Grande. A outra é trabalhar com a capacitação de agentes culturais da cidade. Essa segunda parte deve ocorrer com treinamentos na área de elaboração de projetos que pretendam concorrer em processos seletivos regionais e nacionais. O objetivo é alcançar editais de apropriação e difusão de tecnologias culturais frutos de iniciativas de órgãos como o Banco do Brasil e o BNDES.

AUDIOVISUAL

Grupos de teatro, conjuntos musicais, coletivos literários e artistas plásticos vão ter espaço no novo Cine-teatro São José. Mas a área do audiovisual, entre elas, deverá ser umas das que mais irá receber atenção dos gestores e público campinense.

Com quatro cursos de nível superior que tem o cinema presente em suas grades curriculares, Campina Grande vem apresentando um número relevante de trabalhos nessa área nos últimos anos. Os cursos são Jornalismo (Universidade Estadual da Paraíba), Arte e Mídia e Educomunicação (Universidade Federal de Campina Grande) e Publicidade e Propaganda (Centro de Ensino Superior Reinaldo Ramos). Agora reformado, o Cine-teatro São José pode contribuir para dar mais visibilidade a essas produções locais.

Cícero Alves, responsável pela área do audiovisual do Cine-teatro São José, garante que a sala de cinema será inteiramente não comercial. De acordo com ele, a abertura será apenas para as produções à margem da indústria de filme tipo arrasa-quarteirão. Lançamentos no Cine-teatro São José serão única e exclusivamente para fomentar e difundir a cultura da Paraíba e do Brasil. “Vamos assegurar o Cine-teatro São José tanto para quem gosta quanto para quem trabalha com cinema na região”, afirmou.

ATIVIDADES

A primeira atividade implementada no Cine-teatro São José de forma permanente é a Mostra Cine Cultural. Apresentações musicais e de dança, saraus poéticos e exibição de curtas-metragens integram a programação que acontece durante um final de semana do mês. A entrada para essas atividades é franca.

Para o ano de 2015, a direção do Cine-teatro São José pretende implementar nos primeiros meses uma ação denominada de Cine Maracatu. Com ensaios abertos aos domingos de um grupo de Maracatu da cidade, devem ser feitas outras ações de celebração da cultura do Nordeste como a exibição de filmes de caráter etnográfico e exposição de quadros, imagens e do artesanato da região. Essa proposta ainda será analisada em conjunto pela direção e o conselho do Cine-teatro São José.


(Matéria escrita colaborativamente por Allan Gomes, Bráulio Nóbrega, Célio Soares e
Larissa Sales)


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