Na semana retrasada estive no Rio de Janeira participando de uma série de ações, como o Encontro da Universidade das Culturas e Oficina de cobertura colaborativa em parceria com a ESPOCC - Escola Popular de Comunicação CrÃtica, projeto do Observatório de Favelas.
Na programação, oficinas de comunicação popular em duas favelas (Complexo da Maré e Rocinha) e na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A partir das oficinas, surgiu a Missão Zona, ação de cobertura de vivências culturais da juventude carioca, de forma a desmistificar a narrativa que apresenta o Rio de Janeiro como uma cidade cujo único lazer, entretenimento e vivência são as praias.
Foi um percurso da Universidade das Culturas feito em parceria com a ESPOCC, projeto do Observatório de Favelas. Na programação, oficinas de comunicação popular em duas favelas (Complexo da Maré e Rocinha) e na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Formação livre, vivências culturais e troca de tecnologias com outras de redes. Foi ai que tive o prazer de conhecer Marilene Gonçalves, uma trançeira de mãos cheias.
Para quem não sabe, tranceiras são as mulheres que fazem o que se pode chamar de intervenção artÃstica em cabelos: tranças e penteados afro. Marilene é uma jovem mineira que mora no Rio de Janeiro e tem como sua principal fonte de sustentabilidade, as tranças.
A ideia, além de mudar o visual, era realizar uma vivência, que pudesse enriquecer o processo de formação livre e foi o que aconteceu, já que Marilene é uma Griô, que aprendeu o oficio das tranças com a avó. Para alguns, tranças, rastafaris e dreads são elementos de transformação visual, para outros é sustentabilidade, postura polÃtica e social.
Com as mãos leves e pequenos rituais cheio de significados Marilene disse ter batido o tempo recorde, fazendo o meu cabelo em apenas 3 horas e meias. No geral, para fazer o que eu fiz, demora em média 6 horas.
Ela me explicou uma pouco mais sobre a fisiologia dos cabelos, uma vez que eles são parte do corpo, e segundo ela, reflete a saúde do corpo. Com as experiências acumuladas em seu fazer, Marilene aprendeu a fazer trançar sem dor nas mãos dela e na cabeça da pessoa que esta sendo trançada. Quem já alongou cabelos, sabe o quanto o processo é doloroso.
“Tem que ir na batida do coraçãoâ€, é uma das dicas que ela dá. “O cabelo é uma extensão do corpo. Todas as respostas do seu corpo para com a dinâmcia do seu dia a dia, pode ser sentida pelo cabelo†é uma das outras questões reforçada pela tranceira. Ela recomenda que o cabelo possa respirar, ou seja, que possa fica sem qualquer produto quÃmico. Ao final das três horas e meia, uma leve banho de água com alecrim: “O alecrim é milagroso, pois acalma, hidrata e perfumaâ€.
Além da estética, as tranças trazem consigo um grande estÃmulo a valorização da beleza da mulher negra, sem que isso perpasse pela sensualização, tal como os grandes veÃculos de comunição e empresas de cosméticos.
Não poderia deixar de comentar, que toda essa experiência realizada na sede da Unicult, rendeu em uma ideia de projetos de valorização e afirmação da beleza da mulher negra. Para conhecer mais o trabalho de Marilene, acesse o blog dela dela ou entre em contato pelo e-mail conscienciadocabelohumano@gmail.com
As fotos foram feita por João Lima, uma das pessoas que participaram do curso de comunicação na favela da Rocinha. Veja mais aqui.
Fernanda, muito boa sua matéria. E fiquei me perguntando pelo espÃrito dela. Consta que em 1686 Zumbi responde uma carta de D. Pedro II e num certo trecho Zumbi lhe diz:
"Majestade, no momento em que lutamos pelo fim da escravidão, vós nos ofereceis o perdão" e continuando ele
dia "Aqui o castigo e o perdão pariram o verbo caçoar"...
E nada é mais poderoso para com o negro do Brasil que o verbo caçoar.
Enquanto ao imigrante e os seus é oferecido o Cadastro do BNDES ao negro é dado o cadastro do Bolsa Familia.....
E a Universidade faz "lapinha" de tranças de cabelos.......
E a pobreza enfiada guela a baixo chamam-na pomposamente de "sustentabilidade.
Nada contra voce... mas não vejo o que bater palmas....
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