Cores e formas revelam a nudez em exposição

divulgação
Detalhes das séries Anatomia Masculina e Anatomia feminina, de L.Tapajós
1
TAPAJÓS_Leandro · Manaus, AM
4/6/2008 · 42 · 1
 

Fotografia, pintura, arte digital e escultura juntas para revelar as faces da nudez na exposição de artes plásticas e visuais “Ante o Nu”. A mostra reúne trabalhos de 04 artistas, 03 deles amazonenses e uma recifense. Após pesquisas, cada um, sob uma ótica pessoal, criou obras que mostram formas, cores e nuances sobre o nu. Eles mergulharam sem preconceitos no universo proibido da nudez para lançar ao espectador a seguinte pergunta: qual a sua reação perante a nudez?

Na exposição, o tema é dividido em 04 focos principais: a leitura das formas humanas; as reações provocadas pelo nu; o nu sensual; a nudez inocente e mítica dos índios.

A sutileza e expressão dos corpos estão presentes nas esculturas moldadas em argila pela artista Elisabeth Lima. Nas outras obras, instrumentos contemporâneos de expressão foram usados para falar de coisas que para muitos são tabus, como o sexo e a sensualidade humana. A arte digital e fotografia foram as técnicas escolhidas por dois artistas. Nas obras de Marcelo Ramos elas foram usadas para retratar a sensualidade e os fetiches em corpos de homens e mulheres. Já nos trabalhos de Leandro Tapajós serviram para mostrar as diferenças entre o desenho curvilíneo da figura feminina e a anatomia masculina, fazer uma leitura dos sentimentos que envolvem a nudez e o sexo. A pintura também se faz presente nas telas coloridas de Paulo Olivença, que retratam a nudez tênue e quase ingênua dos povos indígenas.

O TEMA
A idéia de se expor a nudez nasceu de conversas entre os artistas. Parte dessas reuniões acontece em um sex shop onde Marcelo Ramos trabalha. “Pelo fato de ser no Centro a maioria dos espaços culturais acabamos sempre nos encontrando no sex shop, que fica na Av. Eduardo Ribeiro. Daí rodeados de vibradores, vaginas de plástico, imagens de corpos nus foi um passo para o tema nudez surgir”, revela.

Antes da exposição Ante o Nu o grupo já realizou outros eventos no Estado. A trajetória deles começou de modo independente há alguns anos. “O interessante é que iniciamos com um grupo grande de artistas que se conheceram em exposições ou estudaram juntos chamado Tribo+Art, daí esse grupo foi se afunilando e meio que formamos um pequeno grupo de umas 8 pessoas realmente interessadas em batalhar pela arte”, diz Elisabeth Lima.

Mesmo sem muito patrocínio o grupo realiza cerca de duas exposições anuais. “Sempre buscamos estar em movimento. É fácil falar que não se tem apoio, faltam espaços. Isso é verdade, mas se o artista não buscar meios para mostrar seus trabalhos ele não é um artista de verdade. Por isso a gente sempre se reúne e faz exposições, cria projetos e tenta discutir arte. Temos consciência de que fazemos parte de uma geração nova e promissora das artes amazonenses. Devemos dar nossa parcela na história local”, conta Marcelo Ramos.

NOVA GERAÇÃO
Os artistas participantes da mostra representam a geração mais contemporânea das artes amazonense. “Fazemos parte de uma geração nova, a mais recente do Estado. Queremos trabalhar temas atuais com leituras contemporâneas para isso não abrimos mão de investir em novas técnicas, procuramos sempre ir além da pintura figurativa realista e bela da floresta. Vivemos o hoje e é preciso abordar o hoje. O artista possui um papel social, tem nas mãos um poder simbólico que ajuda a construir a realidade”, conta Leandro Tapajós.

Elizabeth Lima não nasceu em Manaus, mas conheceu as artes aqui. “Sou amazonense de coração, conheci e passei a amar a arte aqui, já na idade adulta. Por tanto faço parte dessa geração local e espero poder estar colaborado com o desenvolvimento das artes no Amazonas”, disse a artista.

O NU AMAZÔNICO
Ao comentar sobre os trabalhos do artista Paulo Olivença, natural do município de São Paulo de Olivença, que já expôs até no exterior, Leandro Tapajós disse que é preciso cuidado ao se inserir os conceitos regionais nas artes. “A arte é universal. Mas sofremos influências da nossa região sim. Um dos grandes desafios ao se falar de Amazônia, Amazonas, é não cair no lugar-comum. Nessa exposição conseguimos inserir de modo tênue e contextualizado o regionalismo”, afirma.

O povo indígena foi a inspiração de Olivença. “Usei a pintura para representar a nudez quase ingênua, infantil dos indígenas amazônicos. O nu nas sociedades indígenas é quase sagrado, mítico, não é sexual como nas outras sociedades, por isso não é tabu”, afirma Olivença.

A exposição foi contemplada pelo Edital de Programação da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas – SEC, conta com a curadoria de Jandr Reis e fica em cartaz até 20 de julho, de terça a sexta-feira, das 9h as 17h, e sábados e domingos das 17h as 20h no Centro Cultural Usina Chaminé, em Manaus.


compartilhe

comentrios feed

+ comentar
TAPAJÓS_Leandro
 

Obrigado, assim q desocupar aqui vou ver o faço.Abs

TAPAJÓS_Leandro · Manaus, AM 3/6/2008 10:49
sua opinio: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!

+conhea agora

overmixter

feed

No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!

+conhea o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados