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De sementes e fibras a jóias da floresta

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Gilvan Costa · Boa Vista, RR
6/3/2006 · 70 · 0
 

Sementes de tucum, tucumã, inajá, caroço de açaí, madeiras, cipós e fibras amazônicas, que normalmente se perdem pelo chão da floresta e ficam inutilizadas, estão ganhando uma nova utilidade. Nas mãos de ribeirinhos das comunidades de Cachoeirinha e Panacarica, no Baixo Rio Branco, sul do Estado de Roraima, eles estão se transformando em belos produtos que denominam "jóias da floresta".

Ao todo, 42 famílias estão envolvidas nessa atividade que vem ganhando cada vez mais apoio e sustentação para os ribeirinhos. Atualmente, a produção de cada comunidade está em torno de 50 pares de brincos, colares e pulseiras por mês.

Em Panacarica, última comunidade ribeirinha localizada na divisa com o Amazonas, os próprios artesãos estruturam um local dentro de uma casa para comercializar os produtos aos turistas que visitam a região para a pesca esportiva.

Como a maioria dos turistas que visitam a região do Baixo Rio Branco é estrangeira, as peças artesanais dos ribeirinhos já estão rompendo fronteiras.

"Vem gente de todo lugar, dos Estados Unidos, da Europa, da Venezuela e de outros países e compram o nosso produto, que consideram exótico", explica Alberta Marques Gomes, 34, uma das artesãs de Panacarica.

Ela conta que divide seu tempo entre os afazeres domésticos, produção de mandioca e o artesanato. E o retorno tem sido recompensador.
"Chego a ganhar até R$ 200 por mês com a venda dos anéis que produzimos. É um dinheiro a mais que não tínhamos que serve para comprar material escolar e roupas para as crianças", comemora.

Além das vendas nas próprias comunidades, as jóias da floresta são comercializadas atualmente para cidades amazonenses como Barcelos e Manaus. Para levar os produtos, um representante do grupo viaja de barco até a capital do Amazonas para distribuir as jóias nos locais de venda.

Além disso, os artesãos contam com o apoio de instituições públicas e privadas, como o Sebrae, que já proporcionaram levar o artesanato do Baixo Rio Branco para feiras nacionais, como a Feira da Providência, no Rio do Janeiro, e a Feira Mão de Minas.

Quem também tem feito sucesso com as jóias da floresta é a artesã Leia Silva, que produz objetos com sementes e madeiras há mais de seis anos.

Ela faz parte do grupo Jardim das Copaíbas, que reúne vários artesãos produtores dos mais diversos tipos de artesanato.

"O negócio vem dando tão certo que já recebi convite para expor minhas peças na Itália", comemora ela, contando que com a venda de seus produtos já conseguiu comprar uma máquina de corte de madeira para intensificar sua produção.

Brindes artesanais

Outro grupo que faz sucesso na produção artesanal em Roraima é o Lavrando Arte, que já está no segmento há cinco anos. Sua linha de produtos é formada por uma série de brindes institucionais, ideais para presentear visitantes ou até mesmo funcionários, clientes e colaboradores.

As camisetas exaltam figuras da iconografia de Roraima. As mais requisitadas têm a imagem do Monte Roraima e dos cavalos selvagens do nosso lavrado. Além desses, o grupo também produz jóias da floresta, porta-celular, chaveiros, jogos para escritório, porta-pratos, tábua de frios e até móveis como mesas e cadeiras.

Recentemente, o grupo iniciou também um trabalho com biscuit, produzindo bonecos com tema das profissões, como soldado do exército, médico, advogado, jornalista, entre outros.

Parcerias

O trabalho dos artesãos tem sido facilitado nos últimos anos através da parceria com várias instituições públicas e privadas como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sesc (Serviço Social do Comércio), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Superintendência Federal de Agricultura, Departamento de Cultura do Estado, UFRR (Universidade Federal de Roraima), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio ? s Pequenas e Micro Empresas), além de prefeituras do Interior e da Capital.

No fim do ano passado, esses parceiros se comprometeram em desenvolver um projeto de fortalecimento do artesanato de Roraima nos próximos dois anos.

Uma das principais metas do projeto visa elevar em 30% o número de pessoas desenvolvendo atividades artesanais até 2007. Outro resultado previsto é implantar em 20% dos grupos de artesãos um sistema de produção integrada para determinados produtos. O projeto prevê ainda o aumento em 30% do faturamento dos grupos de artesãos. Para alcançar todas essas metas, cada instituição se responsabiliza em realizar determinada atividade, de acordo com sua área de atuação.

Um das atividades que o projeto prevê é a realização constante de capacitação técnica, gerencial e operacional dos artesãos bem como oficinas para a implementação de novas tecnologias que visam a melhoria de produtos e dos processos produtivos.

O público beneficiado pelo projeto também terá a oportunidade de participar de feiras e missões a eventos de outros estados do País, visando a inserção dos produtos roraimenses em outros mercados.

As instituições parceiras pretendem ainda criar uma página na internet para divulgação de produtos artesanais do Estado de Roraima. Todas essas atividades deverão ser implementadas até o final do ano de 2007.

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