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Encantarias - A Lenda da Noite

Foto: Carolinne Assis
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Carol Assis · São Paulo, SP
6/3/2006 · 91 · 0
 

"A noite desempenha o papel de instigar, fascinar e, ao mesmo tempo, amedrontar desde a origem do homem (...) Se todas as culturas têm a sua explicação para o que é a noite e de onde ela veio, na mitologia brasileira não é diferente. Os brasileiros originais - também chamados de índios - criaram mitos e lendas de forma tão prolifera e criativa quanto os nórdicos, egípcios e maias, nos dando um terreno fertilíssimo para interpretações e reinterpretrações artísticas, infelizmente esse material é quase inexplorado no ramo do entretenimento". (Encantarias - A lenda da noite, Estúdio Casa Velha)

É exatamente nesta fonte que a rapaziada do Estúdio Casa Velha, de Belém do Pará, anda mergulhando para a criação de seus quadrinhos. Primeiro conseguiram boa repercussão com Belém imaginário, uma novela gráfica que tem história original de Volney Nazareno, lançada em 2004. Agora, Julião Cristo, Volney Nazareno, João Silveira, Fernando Carvalho, Aline Coelho, Otoniel Oliveira e Carlos Paul estão juntos em um novo trabalho, a revista em quadrinhos Encantarias - A lenda da noite, patrocinada pelo Banco da Amazônia.

O amapaense Otoniel Oliveira diz que a revista em quadrinhos utiliza as lendas da mitologia amazônica como fonte de inspiração, assim como no trabalho anterior do Estúdio Casa Velha, e ao mesmo tempo mostra como podemos adaptar nossa cultura em produtos de entretenimento. Não se trata de desclassificar a cultura estrangeira, que também pode ser percebida em certas referências, mas valorizar novas possibilidades criativas.

"Nosso objetivo não é de explicar ou provar nada, mas sim divertir jovens de um modo geral", diz Otoniel. O livro não é dedicado ao público infantil, por isso a nudez, natural dos nativos, personagens da narrativa, não recebeu disfarces. Mas isso não quer dizer que as crianças não possam ler a aventura.

A lenda

A aventura amazônica começa com a menina Meltim, uma pajerama, que quer dizer "futuro pajé". Ela e outros jovens índios encontram, na floresta, o Velho das Histórias que para eles conta uma aventura sobre o surgimento da noite e da importante missão ordenada pelo deus Tupã - Diatã, o forte, Ubirajara, o jeitoso e Kuandu com sua inteligência e perspicácia. Eles precisam encontrar um artefato mágico que poderá mudar a delicada ordem da natureza. Para isso, precisavam entrar na terras dos "espíritos elementares", onde irão se deparar com seres fantásticos como Iara, a Mãe D'agua, que poderá seduzi-los com seu voluptuoso canto, o instigante Curupira, protetor das florestas e animais, Honorato, a lendária Cobra-grande ou sua irmã, Caninana, que com único movimento poderia transformar os três pequenos guerreiros em comida. Sem falar nos animais selvagens e seres híbridos, como a Jaguaresa, metade mulher, metade onça, que se propõe a ajudá-los em meio aos difíceis e obscuros caminhos da Floresta Grande.

Mas nenhum desses seres poderia ser obstáculo maior do que aquele criado por eles próprios: quando por sua curiosidade sem tamanho libertam, sem querer, a escuridão da noite, guardada tão cautelosamente pelos deuses. Para ajudá-los á impedir uma grande desgraça, precisariam de toda a força, habilidade e sabedoria das quais eram dotados.

Nos textos não é raro encontrar expressões de utilização coloquial como 'bora?', ao invés de 'vamos embora?'. Isso, que me perdoem os radicais da língua portuguesa, não desconstrói a língua, mas permite maior entrosamento e imaginação durante a leitura.

Um amapaense no Estúdio Casa Velha

O material é de excelente qualidade e os desenhos de Otoniel Oliveira merecem atenção especial de quem tem acesso à revista Encantarias. Parece mentira que tudo foi feito a mão. O rapaz aproveitou todas as formas e cenários que a Amazônia e seus mitos poderiam permitir. E não são poucos!

Com a ajuda de Fernando Carvalho, as cores garantem ainda as texturas e movimentos sem deixar escapar nenhum detalhe. Além dos desenhos, Otoniel também participou da pintura, do projeto gráfico e do roteiro do trabalho. Amapaense, da capital, o moço é ex-aluno da Escola de Artes Candido Portinari, em Macapá. Mudou-se para Belém aos dezoito anos, em 1998, lá estudou publicidade na Universidade da Amazônia, Unama. A Escola Candido Portinari, realizou em janeiro um lançamento do livro de seu ex-aluno.

Hoje com outros colegas trabalha no Estúdio Casa Velha e leciona a disciplina Quadrinhos e Arte Seqüencial na Feapa, Faculdade de Estudos Avançados do Pará.

Encantarias é criação de:

Otoniel Oliveira (otoniel@oton.pro.br)- desenhos, pintura, capa, projeto gráfico e roteiro.

Volney Nazareno (neynazarenop@ig.com.br) - roteiro, criação e edição.

Fernando Carvalho - pintura e arte-final.

Aline Coelho - letras e projeto gráfico.

Julião Cristo - argumento.

João Silveira - capa.

Ivani Oliveira e Roberto Zaluth - revisão.

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