O Bazar Pamplona é uma banda paulistana formada por não paulistanos. É uma banda alternativa que fala sobre coisas nada alternativas. É uma banda honesta que pretende antes de mais nada ser fiel aos seus próprios princÃpios, mesmo que eles mesmos digam que são mentirosos. Essa sinceridade da música e das letras transparece na conversa que tivemos com o baixista Rafael Batata e com o guitarrista e vocalista Estêvão (os dois acentos não são erros de digitação).
Nesta entrevista com o produtor Tiago Barizon eles falam um pouco da banda, de experiências e de como foi o trabalho com o produtor João Erbetta, o Paco Garcia da banda Los Pirata, que resultou no EP Músicas Que Caem em Pé e Correm Deitadas.
Barizon: O que é o Bazar Pamplona e como ele surgiu?
Estêvão: Bazar Pamplona é uma banda. Pelo menos é essa a intenção. Surgiu numa república de estudantes, na Avenida Paulista, em 2004, onde eu e o João Victor (guitarra), morávamos. Na verdade, não foi a banda que se formou ali; tÃnhamos apenas uma idéia do que fazer. E algumas músicas. Fechamos a formação mesmo em 2005, com o Rafael Batata (baixo) e o Rodrigo Caldas (bateria). Consideramos esse o ano da fundação da banda. Bazar Pamplona: se estrepando desde 2005. Deu uma trabalheira danada até encontrarmos as pessoas certas.
Barizon: Algumas influências são bem explÃcitas nas composições, Beatles e a Tropicália para citar dois exemplos. Isso é fato? Quais outras bandas influenciam a banda e seus componentes?
Estêvão: Sim, é fato. Tudo o que tenha a assinatura Lennon/McCartney nos influencia. Ouvimos muito Mutantes também que, por sua vez, se entupiram de Beatles. Os primeiros discos do Caetano são fantásticos, assim como os da Gal. Tom Zé também é um cara que a gente escuta muito. Temos muita influência desse pessoal. E acho que a preocupação com as letras vem daà também. Mas não ouvimos só isso. Todos nós gostamos de Wilco, Radiohead, Strokes, Devendra Banhart, entre outros.
Barizon: A banda se formou em São Paulo, apesar de nenhum dos integrantes ser da capital. A cidade, suas caracterÃsticas, suas complexidades, de alguma forma se envolvem no processo de composição?
Batata: Com certeza. Somos três do interior do estado e um de Belém do Pará mas todos fomos adotados por São Paulo. Nos conhecemos aqui, ensaiamos aqui, gravamos aqui, nunca tocamos fora daqui. O Bazar é uma banda totalmente paulistana apesar da ascendência caipira. A cidade, seus arranha-céus e avenidas são citadas explicitamente nas letras. O próprio nome da banda chama a cidade.
Barizon: As letras e a forma como são cantadas são em sua maioria, se não bem humoradas, curiosas e instigantes. Elas parecem passar da auto-expressão para uma atitude que chega próxima de uma persona. Isso é proposital ou é inerente ao processo de composição? Como é que as letras são escritas?
Estêvão: Nas músicas do Bazar Pamplona, acredito que a palavra venha em primeiro lugar. Acaba instigando, mas não existe uma preocupação em fazer isso. Já disseram que as letras são espirituosas. Uma amiga me disse uma vez: “Parece que vocês pegavam uma coisinha qualquer que acontecia no dia, sentava com um violão e ficava compondoâ€. É bem isso mesmo; é tudo muito simples. Não tem segredo. Acho que as pessoas gostam porque faz parte da realidade delas, como pedir de volta um CD que você emprestou. Temos uma música sobre isso. É uma coisa banal, mas de tão banal, ninguém nunca fala.
Barizon: Como foi a experiência de trabalhar com João Erbetta? Alguma previsão para o lançamento de um álbum?
Batata: Foi fantástico. Nós descaradamente mandamos um email para ele, nos encontramos para alguns cafés e logo começamos a trabalhar. O cara é genial, sem ele nós terÃamos feito metade no dobro do tempo. Sobre o disco, ainda não temos previsão, mas o João já está nos enviando alguns aperitivos via internet lá de Washington. Gravamos 18 músicas ao todo e lançamos 7 em um EP chamado “Músicas que Caem em Pé e Correm Deitadas†que está disponÃvel lá no Trama Virtual (http://www.tramavirtual.com.br/bazar_pamplona). Agora estamos à procura de um selo para distribuir o disco completo, ainda sem tÃtulo.
Barizon: Na opinião de vocês, o que falta no cenário musical nacional? Quais as dificuldades de uma banda de rock que quer conquistar com um trabalho próprio e original?
Batata: Falta atenção para o cenário independente. Se você passar cinco minutos navegando no Trama Virtual vai achar pelo menos uma banda muito melhor que qualquer uma que estiver tocando quando você ligar o rádio. Se freqüentar o meio então, nunca mais vai ligar o rádio. A Brasil 2000 era um oásis no deserto, e agora não é mais nada. Até a 89 que, apesar de não tão ousada quanto a Brasil 2000, tinha uma boa programação, cedeu e hoje está impossÃvel de se escutar. Se você acha a música Brasileira atual ruim, tente dar cinco minutos para o Hurtmold, Cidadão Instigado, Vanguart, isso sendo breve. As casas de show fazem um trabalho aceitável, mas a grande mão na massa vem das próprias bandas que precisam gastar fortunas em instrumentos, ensaios, gravações e outras coisas carÃssimas. Muitas vezes, precisa-se pagar para tocar em uma casa, mesmo levando público e equipamento, e a banda não recebe nem uma ajuda de custos.
Barizon: O que o futuro reserva para o Bazar Pamplona? Quais os planos?
Estêvão: Não sabemos sobre o futuro. Mas vemos a banda como algo que evolui. Não é uma coisa estática. Exemplo clássico: os Beatles. Eram uma banda diferente a cada ano. Estamos no nosso começo, nosso som vai mudar, nossas idéias serão outras. Pretendemos gravar nosso Sgt. Pepper’s um dia.
Barizon: Vocês contam com um séqüito de fãs que muitas vezes cantam suas músicas durante os shows, isso somente com uma presença forte em shows e nem mesmo com um álbum lançado comercialmente. Ao que vocês devem essa relação com o público?
Batata: Ao menos para mim as músicas são fáceis de serem assimiladas, sem serem óbvias. As letras do Estêvão são ótimas e eu mesmo fico com elas na cabeça por dias quando as ouço pela primeira vez, antes mesmo de tentarmos tocá-las com a banda. Lembro bem quando ele me mostrou o esqueleto de “Pequeno manual do corpo humanoâ€, eu fiquei com aquele refrão tocando na minha cabeça por dias. E foi o mesmo com outras músicas. Acredito que o público tenha essa mesma identificação.
Barizon: Se não fosse pela música, o que cada um de vocês faria da vida que os deixariam igualmente satisfeitos?
Batata: Na verdade todos nós temos outras atividades, mas damos o sangue pela banda e amamos a música. Creio que posso falar pelos outros se disser que nada no mundo nos daria igual satisfação.
LINKS:
http://www.tramavirtual.com.br/bazar_pamplona
http://www.bazarpamplona.blogspot.com/
http://www.fotolog.net/bazar_pamplona
Legal a entrevista, Tiago. É importante trazer à tona bandas independentes de qualidade. É assim que as conhecemos, não?!
Abraço.
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