Entrevista - Prosa Têxtil com Gilberto Lanzelotti

Gilberto Lanzelotti
Tecido Fosforecente
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Alex èrza · São Paulo, SP
31/1/2011 · 14 · 1
 

Textura de tecidos sempre chamaram atenção do Gilberto. Em 1990, ele sai do ramo da moda e mergulha no universo de produtos para interiores – tapetes, persianas, tecidos… Desse mergulho nasce uma duradoura relação com as fibras naturais brasileiras. De lá para cá são 20 anos de pesquisa e estudo com diversos tipos de matéria prima…Ele cita que sua atenção sempre se volta para o resultado que um determinado material pode lhe dar ao ser trabalhado, por exemplo: suas caracteristicas naturais, resistência, etc…Destaca sua familiaridade com o método cromático e seus efeitos práticos na criação de produtos, e que gosta de trabalhar com a linguagem das cores e escolhas de materias para a composição. Adora desafios, como foi o de desenvober o tecido com película fosforecente (chamado: Fosforescencias, que foi publicado numa matéria do Stéfano Casciani, editor da Domus italiana) e é isso que o transforma em verdadeiro Designer Têxtil: ele faz o Conceito acontecer, e suas criações vão além do modismo e das tendências de mercado.

1. Gilberto quais motivações te levaram largar ramo da moda e abraçar a Arte da Tapeçaria, dos tecidos, das persianas? E, como nasceu a + FIbra?

R: Em 1990 trabalhava na Giorgio Armani Brasil e fui convidado para ser sócio de uma pequena empresa que queria desenvolver persianas feitas a mão de fibras naturais como as que a Conrad comercializava nos EUA. Meu trabalho realmente é de interferir em produtos lapidando-os para o Mercado. Não sou tecelão e nem me considero um artista textil que cria obras únicas e se tornam objetos de arte. Meu foco é o mercado e a produção em série com personalização, a customização de tamanhos adequado ao cliente. O envolvimento com a tapeçaria e tecidos bem como a +FIBRA viriam bem depois.

2. Desde 1990 você vem pesquisando fibras naturais brasileiras, correto? E, você diz: " Minha atenção sempre se voltava para o resultado que determinado material podia ser trabalhado, suas características naturais, resistencia..." - Como foi mergulhar em busca desse conhecimento, que surpresas foram reveladas na prática?

R: Primeiro foi com muita pesquisa científica mesmo. Comecei lendo um livro editado pelo IAG de Campinas em 1959 chamado “Plantas fibrosas da flora mundial”. Foi muito difícil localizar este livro mas foi fundamental. Nele obtive muitas informações sobre ss fibras naturaiis vegetais, sua resistencia, características, aonde eram produzidas, endereços de antigas fazendas que cultivavam dterminadas espécies e que em função de determinados aspectos pararam de produzir devido ao alto custo. Um exemplo disso era o Fórmio que era plantado em grande escala para a indústria de cordoaria no interior de São Paulo, e que com a introdução do cultivo da Juta, e seu preço muito atraente deixou de ser cultivado, O Rami me parece outra fibra que em breve iráa desaparecer devido ao cultivo de alto custo e concorrencia de outras fibras. Depois de selecionadas as fibras que queriamos trabalhar seguiu-se a realização dos protótipos para ver como se comportavam na aplicação prática como produto finalizado. Muitas fibras apesar de belíssimas implicavam em dificuldades como fornecimento, sazonalidade, reação ao sol… Era um trabalho não só de localizar possíveis fornecedores, mas criar o abastecimento de fibras para nossos projetos.

3. "Orgânico, inquiento, pós metafísico, curioso"... Você trabalha com linguagem das cores aliadas as escolhas de materiais e conceitos, ainda usa método cromático para trabalhar na aplicação em produtos - o que mais lhe influência, como explica seu processo de criação?

R: Saber escolher cores é fundamental. Como dizia Josef Albers que foi professor na Bauhaus – “ De cada 1000 pessoas que falam. 100 escutam. De cada 100 que escutam, 1 ve.” A questão da cor envolve aspectos muito complexos em suas interações. O assunto é por demais extenso e sugiro um livro do próprio Albers chamado “A interação da cor”. Nele a gente aprende a exercitar o olhar e acaba criando um hábito crítico para analisar estas interações. Uso muito esta experiencia na sugestão de combinações de cores para meus clientes de tapeçaria e revestimentos.

4. "A vida é cheia de histórias, ...natureza e mãos tramando fios, criando sonhos, tecendo vida". Conte-nos como foi desenvolver tecido concebido para o Projeto Transformarte de Giada Rúspoli ,tecido com Película Fosforescente, batizado de Fosforescencias, tecido que brilha no escuro, que o levou as páginas da Domus Italiana.

R: Foi sensacional. Minha amiga Giada Rúspoli me chamou um dia e expos sua concepção sobre a luz e me perguntou se não queria desenvolver um tecido para um projeto de intercambio artesanal Brasil/Itália. Mergulhei de cabeça. Foi muito desafiador. Veni, vidi, vici. A publicação da foto do produto pela Domus foi o melhor presente. Estava a foto do meu tecido lá na matéria sobrte o Brasil ao lado de nomes como Niemayer e Franz Heep, junto a fotos do Copan, Edifício Itália e da favela de Heliópolis. Foi o máximo!

5. Que diz seu olhar de Designer Têxtil sobre a Arte Têxtil no Brasil?

R: Acho que tem muita gente com um talento incrível no Brasil. “É a gente que faz”. Fazemos mesmo a diferença. Acho que a arte textil evoluiu muito. Hoje vemos obras texteis em acervos de museus e em mãos de colecionadores. É um patrimonio cultural que está sendo muito valorizado.

6. Em uma entrevista para Pequenas Empresas, Grandes Negócios (2007) você diz: "...Isso é uma tendência. Acho que as pessoas estão procurando um trabalho baseado em sustentabilidade. A vida na metrópole é muito corrida em São Paulo e isso é uma maneira da gente humanizar o nosso espaço, se sentir mais confortável dentro de casa”. A Sustentabilidade é uma tendência, veio para ficar? Qual sua opinião sobre o assunto?

R: Chegamos ao limite do planeta. Voce mesmo pode constatar com o aumento de catastrofes naturais de todo o tipo. Não tem como não ser sustentável. Não é tendencia, é uma obrigação moral de amor ao próximo, de amor ao futuro dos nossos filhos e das próximas gerações.

7. Como é trabalhar com artesões e tecelões de várias partes do País? Que nasce dessa troca de experíências?

R: É fantástico. Essa troca é fantástica. Eles sabem muito mais do que eu. O trabalho deles, sua experiencia, o esmero e dedicação que são responsáveis por tudo. Nasce uma grande amizade que fica para sempre. A família vai crescendo, não é?

8. "Mais Platão, Menos Prozac, A Filosofia Aplicada ao Cotidiano" de Lou Marinoff traz, como você diz "aconselhamentos filosóficos propostos pelo autor, de Platão, Aristóteles, Kant e Kierkegaard, entre outros, são ponto de partida para pensar em questões corriqueiras como conflitos amorosos, mudanças profissionais e o temor da morte"... Filosofia, estética, designer, moda, decoração, como pratica e como concilia tudo isso no mundo contemporâneo?

R: A Filosofia é indispensável ao ser humano. Nós,“Human beens “, precisamos estar com nossa cabeça em constante evolução. O mundo muda, e a gente junto. Não há escapatória, se ficar o bicho pega….

9. Conte-nos sobre processo de criação dos revestimentos Eco-luxo?

R: Ecoluxo foi uma outra aventura. Surgiu a idéia de trabalharmos com aparas de papel transfer (estampas de tecidos) que após o uso eram descartadas. Resolvemos reaproveitá-las torcendo-as sobre um fio (alma) de algodão, tingí-las e misturar com a seda. O processo ficou muito oneroso porque eram várias etapas de realização até o produto final e muitos custos. O resultado ficou lindo, mas atingiu um preço exorbitante, comercialmente. Como sempre o mercaddo dita as regras. O legal foi que deu um bloco na TV Globo falando sobre a +Fibra, no programa Pequenas Empresas.

10. Que diria ao jovens apaixonados por Desiger Têxtil, em inicio de carreira?

R: Só posso dizer aos novos designers que paixão é fundamental mas o estudo e envolvimento tambem o é.

11. 2011, sonhos, planos, projetos?

R: Espero novos desafios pois precisamos de perspectives para continuar vivendo não é?

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Alex èrza
 

Leia entrevista com imagens e + links do Gilberto Lanzelotti
em:
www.peixesempeixes.blogspot.com

Alex èrza · São Paulo, SP 31/1/2011 22:34
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